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Apostila de Hidrologia

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vapor de H2O
e CO2
Fluxo de calor
sensível
7 23
Fluxo de calor
latente
Emitida pelas
nuvens
Emitida pelo
vapor de H2O
e CO2
10
0
 
Figura 6. 3 - Média global de fluxos de energia na atmosfera da Terra. 
 
 Temperatura 
 
A quantidade de vapor de água que o ar pode conter varia com a temperatura. Ar mais 
quente pode conter mais vapor, portanto o ar mais quente favorece a evaporação. 
 
 Umidade do ar 
 
Quanto menor a umidade do ar, mais fácil é o fluxo de vapor da superfície que está 
evaporando. O efeito é semelhante ao da temperatura. Se o ar da atmosfera próxima à superfície 
estiver com umidade relativa próxima a 100% a evaporação diminui porque o ar já está 
praticamente saturado de vapor. 
 
 Velocidade do vento 
 
O vento é uma variável importante no processo de evaporação porque remove o ar úmido 
diretamente do contato da superfície que está evaporando ou transpirando. O processo de fluxo 
de vapor na atmosfera próxima à superfície ocorre por difusão, isto é, de uma região de alta 
concentração (umidade relativa) próxima à superfície para uma região de baixa concentração 
afastada da superfície. Este processo pode ocorrer pela própria ascensão do ar quente como pela 
turbulência causada pelo vento. 
 
 
Apostila de Hidrologia 
Profa. Rutinéia Tassi & Prof. Walter Collischonn -52- 
6.3 Medição de evaporação 
 
A evaporação é medida de forma semelhante à precipitação, utilizando unidades de mm 
para caracterizar a lâmina evaporada ao longo de um determinado intervalo de tempo. As formas 
mais comuns de medir a evaporação são o Tanque Classe A e o Evaporímetro de Piche. 
O tanque Classe A (Figura 6. 4) é um recipiente metálico que tem forma circular com um 
diâmetro de 121 cm e profundidade de 25,5 cm. Construído em aço ou ferro galvanizado, deve 
ser pintado na cor alumínio e instalado numa plataforma de madeira a 15 cm da superfície do 
solo. Deve permanecer com água variando entre 5,0 e 7,5 cm da borda superior. 
A medição de evaporação no Tanque Classe A é realizada diariamente diretamente em 
uma régua, ou ponta linimétrica, instalada dentro do tanque, sendo que são compensados os 
valores da precipitação do dia. Por esta razão o Tanque Classe A é instalado em estações 
meteorológicas em conjunto com um pluviômetro. 
 
 
Figura 6. 4 - Tanque Classe A para medição de evaporação. 
As medições de tanques Classe A são particularmente importantes quando se deseja 
determinar a evaporação de superfícies líquidas, como por exemplo, lagos, açudes e 
reservatórios. É necessário, no entanto, aplicar um coeficiente de redução aos dados de 
evaporação medidos no tanque. Isso ocorre porque a água do reservatório normalmente está mais 
fria do que a água do tanque, que tem um volume pequeno e está completamente exposta à 
radiação solar. 
Assim, para estimar a evaporação em reservatórios e lagos costuma-se considerar que 
esta tem um valor de aproximadamente 60 a 80% da evaporação medida em Tanque Classe A, na 
mesma região, isto é: 
Elago = Etanque . Ft (6.4) 
onde Ft tem valores entre 0,6 e 0,8. 
 
Para exemplificar a importância da quantificação da evaporação, é citado o exemplo do 
reservatório de Sobradinho, um dos mais importantes do rio São Francisco, tem uma área 
superficial de 4.214 km2, constituindo-se no maior lago artificial do mundo. Esse lago está em 
uma das regiões mais secas do Brasil, e em conseqüência disso, a evaporação direta deste 
reservatório é estimada em 200 m3.s-1, o que corresponde a 10% da vazão regularizada do rio 
São Francisco. Esta perda de água por evaporação é superior à vazão prevista para o projeto de 
transposição do rio São Francisco, idealizado pelo governo federal. 
 
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O evaporímetro de Piche (Figura 6. 5) é constituído por 
um tubo cilíndrico, de vidro, de aproximadamente 30 cm de 
comprimento e um centímetro de diâmetro, fechado na parte 
superior e aberto na inferior. A extremidade inferior é tapada, 
depois do tubo estar cheio com água destilada, com um disco de 
papel de feltro, de 3 cm de diâmetro, que deve ser previamente 
molhado com água. Este disco é fixo depois com uma mola. A 
seguir, o tubo é preso por intermédio de uma argola a um 
gancho situado no interior de um abrigo meteorológico padrão. 
Tanto o Tanque Classe A, quanto o evaporímetro de 
Piche fornecem valores de evapotranspiração potencial. No 
entanto, os dados de evaporação do Tanque Classe A são 
consideradas mais confiáveis do que as do evaporímetro de 
Piche. 
 
Figura 6. 5 – Evaporímetro de Piché
 
 
6.4 Fatores que afetam a transpiração 
 
A transpiração é influenciada também pela radiação solar, pela temperatura, pela umidade 
relativa do ar e pela velocidade do vento. Além disso, intervém outras variáveis, como o tipo de 
vegetação e o tipo de solo. 
Como o processo de transpiração é a transferência da água do solo, uma das variáveis 
mais importantes é a umidade do solo. Quando o solo está úmido as plantas transpiram 
livremente, e a taxa de transpiração é controlada pelas variáveis atmosféricas. Porém, quando o 
solo começa a secar o fluxo de transpiração começa a diminuir. As próprias plantas têm um certo 
controle ativo sobre a transpiração ao fechar ou abrir os estômatos, que são as aberturas na 
superfície das folhas por onde ocorre a passagem do vapor para a atmosfera. 
Para um determinado tipo de cobertura vegetal a taxa de evapotranspiração que ocorre em 
condições ideais de umidade do solo é chamada a Evapotranspiração Potencial, enquanto a taxa 
que ocorre para condições reais de umidade do solo é a Evapotranspiração Real. A 
evapotranspiração real é sempre igual ou inferior à evapotranspiração potencial. 
 
6.5 Medição da evapotranspiração 
 
A medição da evapotranspiração é relativamente mais complicada do que a medição da 
evaporação. Existem dois métodos principais de medição de evapotranspiração: os lisímetros e 
as medições micrometeorológicas. 
Os lisímetros são depósitos ou tanques enterrados, abertos na parte superior, os quais são 
preenchidos com o solo e a vegetação característicos dos quais se deseja medir a 
evapotranspiração (Figura 6. 6). O solo recebe a precipitação, e é drenado para o fundo do 
aparelho onde a água é coletada e medida. O depósito é pesado diariamente, assim como a chuva 
e os volumes escoados de forma superficial e que saem por orifícios no fundo do lisímetro. A 
evapotranspiração é calculada por balanço hídrico entre dois dias subseqüentes de acordo com a 
equação 6.5, onde ∆V é a variação de volume de água (medida pelo peso); P é a chuva (medida 
num pluviômetro); E é a evapotranspiração; Qs é o escoamento superficial (medido) e Qb é o 
escoamento subterrâneo (medido no fundo do tanque). 
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E = P - Qs – Qb - ∆V (6.5) 
 
 
Figura 6. 6 - Lisímetros para medição de evapotranspiração 
 
Os lisímetros fornecem dados de evapotranspiração real, e um lisímetro sem vegetação 
pode ser utilizado para medir a evaporação real. 
A medição de evapotranspiração por métodos micrometeorológicos envolve a medição 
das variáveis velocidade do vento e umidade relativa do ar em alta freqüência. Próximo à 
superfície, a velocidade do vento é paralela à mesma, o que significa que o movimento médio na 
vertical é zero. Entretanto, a turbulência do ar em movimento causa flutuações