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Apostila de Hidrologia

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e a área de drenagem da bacia. Expressa em 
l/s.km2. 
A
Qq = (8.1) 
 Coeficiente de escoamento é a relação entre o volume de água que atinge uma seção do 
curso d’água e o volume precipitado. Na Tabela 8. 1 são apresentados os coeficientes de 
escoamento para algumas regiões brasileiras. 
 
Apostila de Hidrologia 
Profa. Rutinéia Tassi & Prof. Walter Collischonn -74- 
Tabela 8. 1 – Coeficiente de escoamento para algumas regiões brasileiras 
Área Chuva Vazão Evapotr. Coef. Esc. Região (km2) (mm) (mm) (mm) 
Amazonas - Total 6112000 2546 1042 1504 0,41 
Amazonas - Brasil 3884191 2249 1047 1134 0,47 
Tocantins 757000 1766 471 1295 0,27 
Atlântico Norte 242000 2136 782 1354 0,37 
Atlântico Nordeste 787000 1121 125 996 0,11 
São Francisco 634000 986 151 835 0,15 
Atlântico Leste (1) 242000 1014 87 927 0,09 
Atlântico Leste (2) 303000 1227 386 841 0,31 
Paraná 877000 1436 403 1033 0,28 
Paraguai 368000 1399 115 1284 0,08 
Uruguai 178000 1699 716 983 0,42 
Atlântico Sul 224000 1481 643 838 0,43 
Brasil - Amazonas Total 10724000 2047 738 1309 0,36 
Brasil - Amazonas Parcial 8496191 1780 660 1088 0,37 
 
 
8.2 Fatores que influenciam a forma de um hidrograma 
 
Entre os fatores que influenciam na formação e característica de um hidrograma, podem 
ser citados: 
 Área da bacia hidrográfica: 
A área da bacia hidrográfica define a potencialidade hídrica da mesma. Bacias hidrográficas 
maiores, normalmente apresentam hidrogramas com vazões maiores que bacias hidrográficas 
menores, para um mesmo evento de chuva. Na Figura 8. 2 é apresentado um exemplo, 
comparando os hidrogramas de duas bacias hidrográficas, uma com área de 75 km2 e outra de 25 
km2. 
 
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Tempo (minutos)
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m
)
P 
Qs - Bacia 75 km2
Qs - Bacia 25 km2
 
Figura 8. 2 – Hidrogramas em duas bacias hidrográficas 
 
 Relevo, densidade de drenagem, declividade do rio/bacia hidrográfica e forma: 
Bacias hidrográfica íngremes e com boa drenagem têm hidrogramas mais “rápidos”, 
geralmente com pouco escoamento de base. Bacias hidrográficas muito planas, com grandes 
áreas de extravasamento, tendem a regularizar o escoamento e reduzindo o pico das vazões. 
Quanto à forma, pode-se dizer que bacias hidrográficas com forma aproximadamente circular 
antecipam o pico das cheias e, normalmente, as vazões de pico são maiores que em bacias de 
forma alongadas (Figura 8. 3). 
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Profa. Rutinéia Tassi & Prof. Walter Collischonn -75- 
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0 5 10 15 20 25 30 35 40
Tempo (minutos)
Va
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(m
3/
s)
Bacia alongada
Bacia radial
 
Figura 8. 3 – Influência da forma da bacia hidrográfica no hidrograma 
 
 Condições de superfície do solo e constituição geológica do sub-solo: 
Em geral a cobertura vegetal tende a retardar o escoamento e aumentar as perdas por 
evaporação. A substituição da cobertura vegetal por superfícies impermeáveis diminui 
consideravelmente a infiltração no solo, podendo agravar os problemas com cheias; assim um 
evento de chuva que antes da impermeabilizada não provocava inundações, pode vir a causar 
sérios problemas (Figura 8. 4). A redução da água infiltrada no solo também pode provocar uma 
mudança, em longo prazo, no regime de vazões, uma vez que a recarga sub-superficial e 
subterrânea pode ser consideravelmente reduzida. 
A constituição geológica da bacia hidrográfica influencia na quantidade de precipitação que é 
transformada em escoamento superficial direto e a quantidade de água que é infiltrada. Assim, 
em regiões em que o solo é pouco profundo, existe uma baixa capacidade de armazenamento de 
água no solo e os hidrogramas apresentam picos rápidos e vazões mais elevadas, que em regiões 
onde a constituição geológica permite armazenar grande quantidade de água no solo. 
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Tempo (minutos)
Permeável
Impermeável
 
Figura 8. 4 – Hidrograma em para bacia hidrográfica permeável e impermeável 
 
 Modificações artificiais no rio: 
Quando são realizadas obras de canalização, como por exemplo, para aproveitamento de 
água (irrigação, abastecimento), para retificação de um rio, ou mesmo para a drenagem de águas 
pluviais, geralmente o pico das vazões e a velocidade de escoamento é aumentada. 
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No caso da construção de reservatórios para a regularização de vazões, amortecimento de 
ondas de cheias, entre outros fins, o pico das vazões é amortecido, e a velocidade do escoamento 
é reduzida (Figura 8. 5). 
 
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Tempo (segundos)
Com reservatório
Sem reservatório
 
Figura 8. 5 – Impacto da implantação de um reservatório em uma bacia hidrográfica 
 
 Característica da precipitação 
Em geral, chuvas que deslocam-se de jusante para montante geram hidrogramas com 
picos menores, e em alguns casos com dois picos. 
As chuvas convectivas, de grande intensidade e distribuídas numa pequena área, podem 
provocar as grandes enchentes em pequenas bacias, não sendo tão importantes no caso de 
grandes bacias hidrográficas. No caso de grandes bacias, as chuvas frontais são as mais 
importantes. 
Quando a precipitação é constante, e a capacidade de armazenamento de água no solo, e 
o tempo de concentração da bacia são atingidos, há uma estabilização do valor da vazão de pico 
(Figura 8. 6). Quando cessa a precipitação, o hidrograma entra em período de recessão. 
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Figura 8. 6 – Efeito da precipitação no hidrograma 
 
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8.3 Analisando o hidrograma 
 
O comportamento do hidrograma típico de uma bacia hidrográfica, após a ocorrência de 
uma precipitação é apresentado na Figura 8. 7. Verifica se que após o início da chuva, existe um 
intervalo de tempo em que o nível começa a elevar se. Este tempo retardado de resposta deve se 
às perdas iniciais por interceptação vegetal e depressões do solo, além do próprio retardo de 
resposta da bacia devido ao tempo de deslocamento da água na mesma. 
O hidrograma atinge o máximo (pico), de acordo com a distribuição de precipitação, e 
apresenta a seguir a recessão onde se observa normalmente, um ponto de inflexão (I). A elevação 
da vazão até o pico ocorre normalmente em menor tempo que o tempo de recessão. O 
escoamento superficial é o processo predominante neste período. O ponto de inflexão caracteriza 
o fim do escoamento superficial e a predominância do escoamento subterrâneo. 
 
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2.5
1/1/1961 3/1/1961 5/1/1961 7/1/1961 9/1/1961 11/1/1961 13/1/1961 15/1/1961 17/1/1961 19/1/1961 21/1/1961 23/1/1961 25/1/1961 27/1/1961 29/1/1961 31/1/1961
CGH
CGP tc
tp
tm
tl
tb
Vazão (m3/s)
I
tr
 
Figura 8. 7 – Componentes do hidrograma 
O tempo transcorrido entre o final da precipitação e o momento que