A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
97 pág.
Texto A Economia brasileira nas últimas décadas: avanços e problemas

Pré-visualização | Página 3 de 4

parecia evoluir por patamares. 
• Ao redor de 50% a.a. entre 1975 e 1979. 
• Próxima de 100% a.a. entre 1980 e 1982. 
• Próxima de 200% a.a. entre 1983 e 1985. 
• Um choque (e.g., a desvalorização cambial de 
1983) que empurra os preços para cima, faria 
com que o nível maior de inflação se 
perpetuasse, por causa da inércia. 
57 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
O Plano Cruzado 
• Plano anti-inflacionário, posto em prática em 
fevereiro de 1986. 
• Considerava a inércia inflacionária a principal 
causa da inflação. 
• A solução para a inflação foi a do chamado 
“choque heterodoxo”. 
58 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
O Plano Cruzado 
• Os ingredientes do Plano eram: 
– 1)Fim da indexação formal. 
– 2)Nova unidade monetária, o “Cruzado”, que 
pretendia acabar com o efeito psicológico da 
inflação associada à moeda anterior. 
59 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
O Plano Cruzado 
– 3)Conversão dos salários em cruzados pela média 
real dos últimos 6 meses (para tornar 
desnecessária a indexação salarial). 
– 4)Congelamento de preços por certo período. 
 
• A inflação mensal manteve-se abaixo de 2% 
até outubro de 1986. 
• Depois de outubro a inflação retornou. 
 
60 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
O Plano Cruzado 
• A razão para a volta da inflação é que o plano 
provocou um choque de demanda. 
• Temendo protestos dos trabalhadores, o 
Governo determinou que o reajuste pela 
média dos 6 meses anteriores fosse acrescido 
de 8% em termos reais. 
• O salário mínimo foi reajustado em 16%. 
 
61 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
O Plano Cruzado 
• A redução súbita da inflação ocasionou uma 
redistribuição de renda para os mais pobres. 
• Com uma dada oferta, os preços foram 
pressionados. 
62 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
Outros Planos 
• Plano Bresser (1987) 
• Plano Verão (1989) 
• Plano Collor (1990) 
• Plano Collor II (1991) 
• Os efeitos desses planos foram cada vez menos 
duradouros. 
• Esses planos previam ações de contenção de 
demanda com desindexação da economia 
culminando com o bloqueio de ativos pelo Plano 
Collor. 
 
63 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
Outros Planos 
• Entre 1987 e 1994, o IPCA esteve entre 10% e 
30% por 59 meses, e acima de 30% em 23 
meses. 
• Em março de 1990 chegou a 82%. 
64 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
Fim da alta inflação – o Plano Real 
• Implantado em julho de 1994. 
• Buscava atacar os componentes inflacionários 
inerciais e de demanda. 
• Ao contrário dos anos 80, o Balanço de 
Pagamentos apresentava situação confortável. 
• A conta financeira viu o saldo crescer de 
US$1,8 bilhões em 89/91 para US$9,6 bilhões 
em 92/94. 
 
65 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
Fim da alta inflação – o Plano Real 
• Tal situação confortável do BP permitia a 
implantação da âncora cambial, com uma taxa 
de câmbio fixa e valorizada. 
• Isso facilitava importações e aumentava a 
oferta interna de bens. 
 
66 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
Fim da alta inflação – o Plano Real 
• Duas ações importantes foram tomadas antes 
da implementação do Plano Real. 
– A primeira foi a desvinculação de receitas 
governamentais (DRU) para melhorar a situação 
fiscal do Governo. 
– Logo em 1994, tal medida aumentou a receita, ao 
mesmo tempo em que se reduziam os gastos, 
reduzindo o déficit orçamentário. 
67 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
Fim da alta inflação – o Plano Real 
– A segunda ação buscava conquistar a confiança do 
público, dando garantia de que desta vez não 
haveria surpresas, choques, confiscos ou 
intervenções em contratos. 
– Essas medidas foram tomadas no âmbito do 
Programa de Ação Imediata (PAI). 
68 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
Fim da alta inflação – o Plano Real 
• Os principais elementos do Plano Real eram: 
1. Eliminação da indexação formal. 
2. Criação da URV (unidade real de valor), 
equivalente a 1US$, com valor em moeda 
nacional (Cruzeiro real) reajustada a cada dia. 
Era uma espécie de pré-moeda, transformada 
depois em real. 
3. Conversão dos salários em URV, pela média dos 
4 meses anteriores. 
4. Novos contratos estabelecidos em URV até esta 
se tornar o real. 
69 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
Fim da alta inflação – o Plano Real 
• As medidas 2 e 4 equivalem a um 
congelamento de preços, para eliminar a 
cultura inflacionária. 
• A negociação entre empresas e trabalhadores 
acerca do salário em URV era um elemento 
importante para evitar distorções como no 
Plano Cruzado. 
 
70 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
Fim da alta inflação – o Plano Real 
• A implantação do plano foi acompanhada de 
uma política monetária restritiva 
(aumentando a taxa de juros), buscando 
conter a esperada expansão de demanda 
associada à drástica redução do imposto 
inflacionário. 
 
71 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
Fim da alta inflação – o Plano Real 
• O Plano Real foi um êxito de política 
econômica. 
• A média mensal de inflação foi de 0,63%, com 
inflação anual de 7,8%. 
• A inflação crônica parece efetivamente 
debelada. 
72 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
Fim da alta inflação – o Plano Real 
• Conseguiu-se eliminar em grande parte a 
cultura inflacionária. 
• Foram fatores importantes para debelar a 
inflação: 
– A introdução da URV 
– A âncora cambial 
73 
4) Inflação e política anti-inflacionária: 
Fim da alta inflação – o Plano Real 
• A âncora cambial foi importante em um 
primeiro momento, mas não depois, pois após 
a flutuação do câmbio em 1999 a inflação não 
se acelerou. 
• Outro fator que contribuiu para controlar a 
inflação foi a capacidade dos consumidores de 
não sancionar aumentos de preços, coisa que 
não era possível em um cenário de alta 
inflação. 
 
74 
4) Inflação e política anti-inflacionária: Fim 
da alta inflação – Metas de inflação 
• A partir de 1999 implantou-se as metas de 
inflação. 
• O Conselho Monetário Nacional define um 
valor (atualmente 4,5%), com uma tolerância 
para mais e para menos de 2%, que deve ser 
perseguido com os instrumentos de política 
monetária, e.g. taxa SELIC definida pelo 
COPOM a cada 45 dias. 
75 
5) Décadas de 1990 e 2000: Mudanças 
no setor externo 
• Nesse período verificam-se importantes 
mudanças no saldo de Transações Correntes e 
na Conta Financeira do BP. 
• Nos anos 80, o saldo da balança de serviços 
era muito negativo, por conta da dívida 
externa elevada. 
76 
5) Décadas de 1990 e 2000: Mudanças 
no setor externo 
• Subsidiava-se extensivamente às exportações 
para contrabalancear esse resultado negativo. 
• Promoveu-se uma maxidesvalorização de 30% 
da moeda nacional, aumentando as pressões 
inflacionárias. 
• Na primeira metade dos anos 90, com o Plano 
Brady, houve uma redução parcial dos débitos 
e dos juros, e alongamento dos prazos de 
pagamento. 
77 
5) Décadas de 1990 e 2000: Mudanças 
no setor externo 
• Na década de 90 houve expressivo influxo de 
capitais estrangeiros privados para 
investimentos em carteira buscando explorar 
os juros altos de países emergentes (frente a 
uma queda nos juros das economias 
desenvolvidas). 
78 
5) Décadas de 1990 e 2000: Mudanças 
no setor externo 
• Entre 1990 e 1994 , investimentos em carteira 
aumentaram US$ 16 bilhões. 
• Isso favoreceu a utilização da âncora cambial. 
• Com dólar mais barato, as importações 
aumentaram e ajudaram a segurar os preços. 
79 
5) Décadas de 1990 e 2000: Mudanças 
no setor externo