A Linguagem Clássica da Arquitetura (completo)   John Summerson
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A Linguagem Clássica da Arquitetura (completo) John Summerson


DisciplinaHistória e Teoria da Arquitetura154 materiais3.892 seguidores
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coleção 
MUNDO DA ARTE 
Esta coleção se propõe oferecer a artistas, críticos, 
estudiosos e amantes da arte acesso às mais 
significativas obras da história da arte, reservando 
espaço privilegiado para aquelas dedicadas ao 
modernismo. As publicações abrangem não só 
clássicos que marcaram a história da arte, mas 
também estudos que facilitam a compreensão da 
gramática da comunicação visual. Manuais e obras 
sistematizadas completam o conjunto de 
informações que a coleção pretende oferecer. 
CAPA 
Projeto gráfico Katia Harumi Terasaka 
Foto Steven Rothfeld/Getty lmages 
La @EditoraWMF 
/editorawmfmartinsfontes 
A LINGUAGEM CLÁSSICA 
DA ARQUITETURA 
Título original: THE CLASSICAL LANGUAGE OF ARCHITECTURE. 
Primeira edição de: Thames and Hudson, Londres. 
Copyright ©1963 Sir John Summerson and The British Broadcasting. 
Corporation, dessa edição. © 1980 Thames and Hudson Ltd., Londres. 
Copyright 1982, Editora WMF Martins Fontes Ltda., 
Silo Paulo, para a presente edição. 
1' edição 1982 
5! edição 2009 
3! tiragem 2014 
Tradução 
SYLVL4 FICHER 
Revisão da tradução 
Monica Stahel 
Produção gráfica 
Geraldo Alves 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (aP) 
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 
Summerson, Sir John, 1909-1992. 
A linguagem clássica da arquitetura / John Summerson ; 
tradução Sylvia Ficher ; revisão da tradução Monica Stahel. 
- 5! ed. - São Paulo : Editora WMF Martins Fontes, 2009. -
(Coleção mundo da arte) e II 
Titulo original: The classical language of architecture. 
Bibliografia. 
ISBN 978-85-7827-179-4 
1. Arquitetura - História 2. Classicismo na arquitetura I. Ti-
tulo. II. Série. 
09-07839 	 CDD-722.6 
índices para catálogo sistemático: 
1. Arquitetura clássica 722.6 
2. Classicismo : Arquitetura 722.6 
Todos os direitos desta edição reservados à 
Editora WMF Martins Fontes Ltda. 
Rua Prof. Laerte Ramos de Carvalho, 133 01325.030 São Pattio SP Brasil 
Tel. (11) 3293.8150 Fax (11) 3101.1042 
e-mail: info@wmfmartinsfontes.com.br http:/lwww.wmfmartinsfontes.cont.br 
INDICE 
Prefácio 	 1 
1.A essência do classicismo 	 3 
2.A gramática da Antiguidade 	 17 
3.A lingüística do século XVI 	 39 
4. A retórica do barroco 	 63 
5. A luz da razão \u2014 e da arqueologia 	 89 
6.Do clássico ao moderno 	 109 
Glossário 	 127 
Notas sobre a literatura da arquitetura clássica 	 141 
Créditos das ilustrações 	 147 
PREFÁCIO 
Este livro originou-se dos roteiros quase inalterados de uma sé-
rie de seis palestras transmitidas pela BBC, em 1963. Isso não é uma 
justificativa, pois o prazer que tive ao preparar os roteiros me parece 
inseparável do prazer que espero transmitir aos leitores. Qualquer 
tentativa de tornar mais convencional a linguagem empregada nas 
transmissões implicaria uma perda. No entanto, fui obrigado a fazer 
uma alteração. Nas transmissões e, posteriormente, na primeira edi-
ção deste livro, a história da linguagem clássica se fundia \u2014 de for-
ma bastante ambígua \u2014 com a do Movimento Moderno. Ultima-
mente, as opiniões sobre esse movimento, sua natureza e seus 
princípios e sobre as tendências atuais do desenvolvimento arqui-
tetônico mudaram profundamente, e estas mudanças foram analisa-
das em alguns parágrafos acrescentados ao capítulo final. 
Acompanhando a série de transmissões, a BBC publicou um 
folheto ilustrado. Na presente edição, foram acrescentadas cerca de 
sessenta ilustrações ao conjunto original, para demonstrar a pro-
fundidade, variedade e riqueza do assunto. 
J.S. 
Sir John Soane's Museum, setembro de 1979 
-Proportione 
quadram 
-Proportiont 
diasonett 
-
Propoltiont 
èrqut 
altero 
Properhotte 
fuperbipartiens 
tabas, 
1 As ordens da arquitetura. Com 
 esta gravura em madeira, de 1540, 
Sebastiano Serlio começou seu tratado sobre "as cinco maneiras de 
construir". As ordens toscana, clórica, jônica e codilha haviam sido 
identificadas por Vitrúvio. Alberti havia identificado a compósita. Serlio 
foi o primeiro a mostrar as cinco ordens como uma série fechada, à qual 
nenhum acréscimo seria admissível. 
CAPÍTULO UM 
A ESSÊNCIA DO CLASSICISMO 
Devo começar presumindo que os leitores possuem alguns co-
nhecimentos gerais sobre o classicismo. Provavelmente saberão, 
por exemplo, que a catedral de S. Paulo, em Londres, é um edifício 
clássico e a Abadia de Westminster, não; que o Museu Britânico é 
um edifício clássico e o Museu de História Natural em South 
Kensington não é. Mais ainda, que todos os edifícios em torno de 
Trafalgar Square \u2014 National Gallery, St. Martins-in-the-Fields, 
Canada House e mesmo South Africa House \u2014 são clássicos, mas 
que o edifício do Parlamento não é. Essas diferenças elementares 
podem levá-los a pensar que irei tratar de superficialidades. Quan-
do um edifício clássico não é clássico? Isso tem algum interesse? 
As qualidades verdadeiramente importantes da arquitetura não se-
rão mais profundas do que uma nomenclatura estilística, e mesmo 
independentes dela? Claro que sim. No entanto, é impossível abor-
dar as questões que me proponho neste livro sem primeiro mostrar 
a distinção existente entre os edifícios que são prima facie clássi-
cos, e os que não são. Deverei falar de arquitetura como linguagem 
e, por enquanto, parto do pressuposto de que vocês conhecem o la-
tim da arquitetura quando o escutam \u2014 ou melhor, quando o vêem. 
Isso me faz supor, também, que seja do conhecimento geral o 
fato de que arquitetura clássica tem suas raízes na Antiguidade, no 
universo da Grécia e de Roma, na arquitetura de templos gregos e 
na arquitetura religiosa, militar e civil dos romanos. Porém, este li-
vro não tratará da arquitetura da Grécia e de Roma e nem do 
surgimento e desenvolvimento da linguagem clássica da arquitetu- 
4 A LINGUAGEM CLÁSSICA DA ARQUITETURA A ESSÊNCIA DO CLASSICISMO 5 
ra, mas sim de sua natureza e de seu uso \u2014 seu uso como lingua-
gem arquitetônica herdada de Roma e comum a quase todo o mun-
do civilizado durante os cinco séculos que transcorreram da Renas-
cença até a época atual. 
Daqui por diante podemos ser mais precisos. Vejamos inicial-
mente como a palavra "clássico" é aplicada à arquitetura. É um en-
gano tentarmos definir classicismo, pois esbarramos num grande 
número de significados cuja utilidade depende de diferentes con-
textos. Proponho que consideremos dois significados apenas. O 
primeiro é o mais óbvio: um edifício clássico é aquele cujos ele-
mentos decorativos derivam direta ou indiretamente do vocabulá-
rio arquitetônico do mundo antigo \u2014 o mundo "clássico", como 
muitas vezes é chamado. Esses elementos são facilmente reconhe-
cíveis, como, por exemplo, os cinco tipos padronizados de colunas 
que são empregados de modo padronizado, os tratamentos padro-
nizados de aberturas e frontões, ou, ainda, as séries padronizadas 
de ornamentos que são empregadas nos edifícios clássicos. 
Creio que esta é uma definição clara mas superficial do que 
seja a arquitetura clássica. Permite reconhecer o "uniforme" usado 
por uma determinada categoria de edifícios, a categoria a que cha-
mamos clássica; porém nada nos diz sobre a essência do classi-
cismo em arquitetura. Devemos ser extremamente cuidadosos 
neste ponto. "Essências" são muito difíceis de apreender, e fre-
qüentemente verificamos, ao procurá-las, que não existem. Não 
obstante, encontramos, ao longo da história da arquitetura clássica, 
uma série de afirmações sobre os aspectos essenciais da arquitetura 
que nos permitem dizer que o objetivo da arquitetura clássica sem-
pre foi alcançar uma harmonia inteligível entre as partes. Tal har-
monia foi vista como parte integrante dos edifícios da Antiguidade 
e como sendo inerente aos principais elementos antigos \u2014 em es-
pecial às cinco "ordens", às quais logo nos referiremos. Mas foi 
considerada