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O ESTADO E O DIREITO

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TEORIA GERAL DO ESTADO
Prof. Charles Daniel Duvoisin
Aula nº. 1
O ESTADO E O DIREITO
É inegável que a vida em sociedade torna-se cada vez mais complexa e em constante evolução. A globalização, o espantoso avanço dos meios de comunicação e da tecnologia cibernética, propiciaram uma maior intensidade no convívio social. Fatores que aproximaram nações e reduziram-se o distanciamento fronteiriço, cujas vidas muitas vezes transcorriam no mais completo isolamento, divorciados de qualquer compartilhamento cultural, evidenciado um quadro de uma verdadeira comunidade mundial. O desafio é instalar uma ordem neste novo panorama. É fundamental o aperfeiçoamento e o equilíbrio da sociedade, justamente para alcançar uma harmonia. 
O que é e qual a finalidade do “Estado” e do “direito”? Muitas pessoas se questionam sobre conceito e efetividade dos temas, e no que eles impactam em nossas vidas. Trata-se de assuntos da maior relevância. O convívio e a organização de uma sociedade próspera depende, e muito, de sua estrutura física, jurídica e funcional. O respeito e o cumprimento da lei ou do direito configura mais do que um dever, configura a garantia da perpetuação da espécie humana. A organização social e administração pública também é fator decisivo. 
Direito 
O Direito é a normal legal que disciplina a forma de conduta do homem em sociedade. Procura preservar a paz, a serena e frutífera convivência entre os humanos. A palavra “direito” tem sua origem no vocábulo latino: directum ou rectum, que significa “reto” ou “aquilo que é conforme uma régua”. Aos que vinculam a origem da palavra à expressão “jus”, sustentam que esta surge do termo “justum”, que significa “justo”. Por sinal, esse radical irá gerar outras palavras em português como "justiça", "jurídico" ou "juiz". E, segundo a mitologia romana, a deusa da Justiça chamava-se Justitia. 
O direito advém da análise da realidade, do comportamento do homem em conjunto com seus semelhantes, dos fatos e acontecimentos transcorridos ao longo da história. Considera-se o desenvolvimento das idéias no campo social, dos usos e costumes de um povo, sua economia e cultura. A preocupação com a segurança e justiça também foram fomentadores da confecção de regramentos para melhor administrar a sociedade. Esse conjunto de normas pode ao mesmo tempo restringir ou a garantir a liberdade. 
Porém, o Direito só se apresenta se inserido no contexto do brocardo latino “ubi societas ibi jus”�. Isto é, prescinde da vida em coletividade. A construção da sociedade moderna (e de antigamente) sempre foi dependente do direito e de sua vinculação com o Estado. São normas de conduta do cidadão, mas tendo por base os seus próprios anseios. 
São as regras de conduta, de cunho coercitivo. Por força da vida hodierna, o Estado vem sendo constantemente chamado a intervir. São evidências de que Direito e Estado devem e sempre andaram ao lado. A partir do momento em que o cidadão abriu mão de praticar justiça e sentiu a necessidade de melhor se organizar, o Estado foi conclamado a regular a sociedade. 
O direito busca regular a sociedade, mas partindo de critérios morais, analisando os usos e costumes bem como a vontade do cidadão, em sua dinâmica social. Hart�, que escreveu a obra “O Conceito de Direito”, até admite que a moralidade pode orientar decisões ou que direito e a moral andam juntos, mas é categórico em sustentar que as leis não devem prezar pela moral. Procurou explicar o direito enquanto sistema normativo, o qual não pode transformar em crime, situação que na ótica moral é considerado pecado ou injusto.� 
Não muito distante de Hart, Hans Kelsen e Norberto Bobbio e Herbert Hart sustentam o positivismo como fonte conceitual de direito. Procuram diferenciar direito e moral, os quais devem ser entendidos como fenômenos distintos. O Direito, para Bobbio�, é uma construção, um artefato humano fruto da política que produz o Direito Positivo. Requer a razão para pensar, projetar e ir transformando este artefato em função das necessidades da convivência coletiva. O brilhante doutrinador italiano, em sua obra “A era dos direitos” prossegue elencando que “sem direitos do homem reconhecidos e protegidos, não há democracia; sem democracia, não existem as condições mínimas para a solução pacífica dos conflitos.” Bobbio entende que hoje o problema fundamental não é como justificar os direitos do homem, mas sim protege-los ou zelar por sua efetividade. 
Já Kelsen tem seu conceito do direito vinculado à redação da norma jurídica. Vale o que está positivado, descrito nos códigos. A conduta humana encontra-se prescrita em lei e deve ser cumprida, sob pena da coerção e punição do Estado. Carnelutti também enaltece a participação do Estado, ligando-o ao conceito de direito. Ele� menciona que o direito é a armação do Estado. É o instrumento que o povo necessita para que possa alcançar a sua estabilidade. 
A idéia do direito é tornar a convivência em coletividade harmônica e producente, onde se possa ampliar uma melhoria nas condições de vida do ser humano, com seu aprimoramento cultural e profissional. 
Estado
Quanto ao Estado, dedica-se todos os demais tópicos para a devida compreensão. Por sinal, a preocupação com o Estado e política (administração da polis, aquilo que é publico, do povo) é antiga e pode ser visualizada em Platão, Aristóteles, Confúcio dentre outros tantos. Antes de iniciarmos o aprofundamento no tema, passa-se a analisar o tema objeto desta disciplina: Ciência Política e Teoria Geral do Estado. 
CIÊNCIA POLÍTICA E TEORIA GERAL DO ESTADO
A história da humanidade se confunde com a da política e suas relações interpessoais. Desde o momento que o homem passou a viver em grupo as implicações políticas passam a se fazer presente. A evolução do homem é um desabrochar da civilização, e caminham a passos dados. 
A evolução e o desenvolvimento da tecnologia, com as recentes intervenções das redes sociais nunca, ao longo dos séculos aproximou tanto as pessoas, e com isso as diferenças. As fronteiras ou as distâncias estão desaparecendo com a virtualização dos contatos. Um direito pode ser violado a milhares de quilômetros do Brasil. A economia se tornou algo globalizado. Uma crise nos Estados Unidos ou China afetam ao mundo inteiro. A vida em sociedade nunca dependeu tanto da intervenção do Estado, em todas as esferas do convívio humano. 
Desta reflexão percebemos a importância da política e suas ciências, para o progresso e a conquista da felicidade, grandes objetivos sempre visualizados por todos. 
Segundo salienta Bobbio�, os Estados tornaram-se cada vez maiores e sempre mais populosos, e neles nenhum cidadão está em condições de conhecer todos os demais, os costumes não se tornaram mais simples, tanto que os problemas se multiplicaram e as discussões são a cada dia mais espinhosas, as desigualdades de fortunas ao invés de diminuírem tornaram-se, nos Estados que se proclamam democráticos (embora não no sentido rousseaunianismo da palavra), cada vez maiores e continuam a ser insultantes. Invocando Rousseau complementa o doutrinador italiano que “o luxo corrompe ao mesmo tempo o rico e o pobre, o primeiro com a posse e o segundo com a cupidez.” 
O envolvimento com a política se transformou em algo obrigatório em todos os segmentos. Não podemos mais ficar divorciados desta interação. A expressão tantas vezes ouvida “odeio política”, tornou-se démodé. Os cidadãos estão sentindo na pele o quanto impacta as diretrizes (mal) traçadas de um governo. Sentem-se a cada dia mais responsáveis pela gestão pública, o que torna a convivência social harmônica um desafio constante e de intenso debate. 
O exercício das funções públicas e o compreender do Estado deixou o campo do formalismo e do subjetivismo, para embalar passeatas e inspirar lutas sociais. A defesa dos ditames constitucionais ganharam ênfase e notoriedade. E nesse espírito deve-se respeitar as regras, as leis. E regras são feitas de princípios, que

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