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O ESTADO E O DIREITO

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igualmente precisam ser valorizados. A observância e respeito da liberdade, da igualdade, da defesa de uma vida digna, busca pacífica da solução de conflitos ou a resolução das controvérsias mediante o diálogo, atinge a todos e são peças fundamentais de um país moderno. 
Essa busca de se entender o Estado e suas formas de interagir com a sociedade, acabou forjando o surgimento da Ciência Política e da Teoria Geral do Estado, como mecanismos de auxílio para tanto. 
A Ciência Política preocupada em estudar o comportamento humano em sociedade e a Teoria Geral do Estado voltada basicamente para investigar a específica realidade da vida estatal seus pontos positivos e negativos, aspirando compreender o Estado em sua estrutura atual, no passado e as tendências de sua evolução. 
Aliás, sociologia e ciência política abordam assuntos bem similares, mas com algumas diferenças. Apesar de ambos estarem inseparavelmente atrelados, de modo que a sociologia, ou seja, simplesmente o estudo da vida em sociedade, engloba a política, pois sua abrangência é limitada fundamentalmente no estudo das relações de poder dentro de uma sociedade�. 
Isso tudo visando traçar uma convivência futura cada vez mais harmônica e solidária entre os homens, garantindo assim o chamado “bem comum” da sociedade.
Desde os tempos da antiguidade clássica o homem vem procurando transmitir por escrito, doutrinas e conhecimentos que transcorriam à época. Esses estudos e considerações, com o tempo reunidos, passaram a ser entendidos como “ciência política”. Mas antes de se abordar o tema, importante esclarecer o que é ciência e o que é política. 
Ciência – a palavra de origem latina, “scientia”, significa “conhecimento”. Saber que se adquire pela leitura e meditação. Conjunto organizado de conhecimentos sobre determinado objeto, em especial os obtidos mediante a observação dos fatos e um método próprio�. Pressupõe pesquisa, investigação e análise de fatos e acontecimentos, através de um método próprio (práticas sistemáticas). 
Para Aristóteles a ciência tem por objeto os princípios e as causas. Os fatos do cotidiano tem explicação na análise e investigação das causas. O filósofo grego que também procurou analisar os trabalhos dos demais colegas, comentando suas obras, enaltece a investigação filosófica e científica. Seu trabalho lhe concedeu até mesmo o título de fundador da “ciência política”. Sua principal obra, “A Política”, cinge-se em analisar e descrever o convívio dos atenienses, em coletividade. 
Kant, por sua vez, foge desse entendimento onde acaba por reprovar essa distinção entre o conhecimento científico e filosófico. Para o doutrinador a ação intelectual dos positivistas e evolucionistas torna cada vez mais preciso o conceito de ciência, designando-o como o conhecimento das relações entre coisas, fatos ou fenômenos.
Enfim, “tudo o que possa ser objeto de certeza apodítica� é ciência” (Kant). 
Para Pedro Sabino de Farias Neto, ciência em geral significa o conjunto consubstanciado de conhecimento revelados pertinentes a fatos da realidade que sejam percebidos e observados. Nesses termos, os conhecimentos são verdades ora reveladas sobre os fatos da realidade. A ciência expressa distinta dimensão que fica manifesta, finita e temporária da realidade multiforme que é absoluta, infinita e eterna. Essa dimensão manifesta da realidade é objeto de enfoque da ciência então identificada.�
Definir ciência nunca foi tarefa fácil, visto que se leva muito em conta a realidade, a dimensão em que o homem se encontra. Como o mundo está em constante evolução e a tecnologia em ritmo acelerado na produção de inovações, a sociedade é prova viva de que o conceito de ciência além de sua amplitude, ainda é volátil . 
Ciência / Experiência
A caracterização da ciência implica, segundo inumeráveis autores, a tomada de determinada ordem de fenômenos, em cuja pluralidade se busca um princípio de unidade, investigando-se o processo evolutivo, as causas, as circunstâncias, as regularidades observadas no campo fenomenológico. 
Formas de conhecimento (segundo Herbert Spencer): 
conhecimento empírico ou vulgar;
conhecimento científico (aquilo que é comprovado, demonstrável);
conhecimento filosófico (parte de raciocínios lógicos, abstração). 
Conceituado “ciência” segue o raciocínio para o entendimento do que seja “política”, para então passarmos a discutir “ciência política”.
Política (polis – cidade).
Já o vocábulo política (feminino substantivo de político) possui, na atualidade contemporânea, as mais diversas acepções, que vão desde a designação ampla da ciência dos fenômenos referentes ao Estado (tradução de ciência política) até a correspondente habilidade no trato das relações humanas, com vista à obtenção dos resultados desejados, passando por acepções variadas como, por exemplo:
- o sistema de regras respeitantes à direção dos negócios públicos; 
- a arte de bem governar os povos; 
- o conjunto de objetivos que informam determinado programa de ação doutrinário que caracteriza a estrutura constitucional do Estado; 
- a posição ideológica a respeito dos fins do Estado; 
Podemos afirmar que a “política” configura uma verdadeira ciência do poder. Este conceito deve-se ao fato de estar analisando o exercício e os efeitos práticos do poder do Estado perante a sociedade. Esse trabalho é fator determinante para o progresso de uma nação. 
A Política, assim pois, refulge mais do que nunca no mundo conturbado em que vivemos, e por ela, podemos penetrar nas estruturas de sociedade contemporânea, melhor entendendo, para melhor criticar estas mesmas estruturas, assim como a ninguém seria dado compreender os fundamentos da sociedade feudal se se ignorasse os fatores de natureza religiosa, que, marcadamente, os influenciariam.�
A importância do tema foi muito bem destacada na obra “Por que as nações fracassam”, de autoria dos professores da Universidade de Havard, Daron Acemoglu e James Robinson. Destacam na obra que o grande diferencial para o sucesso ou fracasso de um país não está na sua situação geográfica, clima ou religião adotada, mas sim na “política”. Os governos que gerenciam os Estados são os grandes responsáveis pelo progresso de uma nação, como pode se observar do exemplo das duas Coréias (Sul e Norte). Uma, desenvolvida, com alto índice de renda per capita, em franco progresso (Coréia do Sul – influência do mundo ocidental capitalista) e outra com evidente estágio de estagnação econômica, desemprego e retrocesso, sofrendo sérios problemas sociais (Coréia do Norte – influência comunista). 
A política, a “administração da cidade ou Estado” é algo a ser compreendido e valorizado em uma sociedade. É tema a ser discutido, debatido, todos os dias. Jamais poderia ser sinônimo de ojeriza ou crítica, de onde provém o que muitos atestam com ênfase “ah, odeio política!”. Esse sentimento é equivocadamente internacionalizado, mas deveria ser devidamente equacionado. O que se deve tergiversar, odiar, não é a política e sim a forma malévola de conduzir de tal função. A famigerada corrupção, a degeneração das entidades públicas e a incompetência de se administrar recursos em prol da saúde, educação e demais estruturas básicas de um Estado, fomentam no povo brasileiro ânsia e revolta. Fatos que não outorgam à sociedade razão para se desviar do conceito de política, muito menos se opor ao tema. 
Para tanto, passa-se a discutir e conceituar melhor o tema. 
Ciência Política
A Ciência Política busca empregar esforços e recursos disponíveis para a concretização do bem comum em sociedade. Parte do estudo dos problemas vivenciados em sociedade e dos anseios da população para então converter em medidas públicas administrativas. É a ciência da observação dos trâmites públicos, do poder. Alguns avaliam a ciência política como uma maneira de se estudar as formas de governo, detentora de um vasto objeto de apreciação.
Pelos conceitos de ciência e política percebe-se

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