A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
16 pág.
O ESTADO E O DIREITO

Pré-visualização | Página 5 de 6

entre si e outras vezes disputam em terrenos radicalmente opostos.
Por definição, a política é uma ciência crítica da realidade, que mantém a utopia como referência. Tem por objeto o estudo dos acontecimentos, das instituições e das idéias políticas, tanto em sentido teórico (doutrina) como em sentido prático (arte), referido ao passado, ao presente e às possibilidades futuras.
Envolve o estudo da sociedade, chegando a constatações curiosas como o de que na Grécia Antiga para cada homem livre havia cinco escravos. E hoje, será que na sociedade contemporânea, capitalista, este número não dobrou?
Para uns ciência política é a “ciência do poder”, para outros é a “ciência do Estado”. Dentro da “política científica” discute-se, segundo Max Weber� “a racionalização do poder, a legitimação das bases sociais em que o poder repousa: inquire-se ali da influência e da natureza do aparelho burocrático; investiga-se o regime político, a essência dos partidos, sua organização, sua técnica de combate e proselitismo, sua liderança, seus programas; interrogam-se as formas legítimas de autoridade, como autoridade legal, tradicional e carismática; indaga-se da administração pública, como nela influem os atos legislativos, ou como a força dos parlamentos, sob a égide de grupos sócio-econômicos poderosíssimos, empresta à democracia algumas de suas peculiaridades mais flagrantes.”
É uma espécie de investigação no campo da vida. Tal investigação, por sinal, ganha campo todos os dias, em face do apoio irrestrito dos instrumentos de comunicação ou transmissão de dados. Daí porque se diz que o estudante ou o jovem de hoje está politicamente informado, orientado, mais consciente da importância do seu governo e do seu dever de cidadão, não só no sentido de votar mas de cobrar providências e promessas de campanha. Vivemos numa sociedade que evolui no aspecto crítico e fiscalizador. 
Muitos doutrinadores enxergam a ciência política com olhos sob o prisma sociológico. Seria uma teoria do Estado predominantemente social. Já Jellinek, outro clássico da Ciência Política, acrescenta uma visão dualística, envolvendo o binômio direito e sociedade (voltado para o direito). E há um terceiro aspecto dentro da ciência política, defendida por Duverger, Vedel, dentre outros, onde acrescenta-se a filosofia. 
No que tange aos seus objetivos, a ciência política abrange um campo muito vasto. Trabalha e se envolve com assuntos relacionados à origem e desenvolvimento do Estado, na descrição, análise e comparação de suas instituições atuais. Parte para a análise das estruturas governamentais, processos políticos e sistemas de direito, sem contar a preocupação e estudo das relações sociais e educação. Cumpre ressaltar, ainda, as relações mantidas nos campos da economia, cultura e ideologia. Enfim, é muito difícil, para não dizer impossível, delimitar o campo da ciência política. Não há como estudar a matéria sem relacionar-se com questões históricas, filosóficas, legais, econômicas. 
Dentro da evolução histórica pode-se afirmar que Platão foi o pai da “teoria” política e Aristóteles� o da “ciência” política, ao menos para a civilização ocidental. 
Por derradeiro, é bom lembrar que o homem é um ser complexo e obstinado, e que estamos ainda longe de explicar sequer as fases do seu comportamento político. Firmar entendimento sobre homo oeconômicus dos economistas clássicos, o “homem razoável e prudente” dos juristas ou ainda o homo politicus, para definir a natureza do ser humano é complicado. 
Os modernos pensadores políticos, com poucas exceções, reconhecem que cada método ou perspectiva tem seu uso e valor. A disposição da ciência política a aprender quanto possível dos outros ramos do conhecimento humano, sem pretender, como o fazem outras ciências afins, chegar a princípios definitivos, é a prova mais convincente da sua vitalidade e contínuo progresso. Nesse sentido, pode-se afirmar que a maior virtude da ciência política é a humildade. 
https://www.youtube.com/watch?v=GyCAq6pYpJ0 (mundo jurídico – musica U2)
� O direito é fenômeno social e é norma. Impossível é pretender separar um do outro. Não há relação social alguma que não apresente elementos de juridicidade, segundo o velho brocardo, ubi societas ibi jus, mas, por outro lado, não é menos verdade que não existem relações jurídicas sem substractum social e, então, se disse: ubi jus, ibi societas. REALI. Miguel. Teoria do Direito e do Estado. Editora Saraiva. 5ª. Edição. São Paulo, 2000.
� HART, Herbert L. A. O conceito de direito. Trad. Armindo Ribeiro Mendes, 3ª edição, Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa. 2001.
� Hart chegou a ser citado na famosa discussão sobre não criminalização do aborto ou interrupção da gravides de feto anencéfalo, proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 12 de abril de 2012, onde citou-se o doutrinador, visando diferenciar questões éticas ou religiosas, das questões legais: “Portanto, evidentemente as preocupações do Direito, como área do conhecimento humano aplicado, não se confundem com aquelas pertinentes às ciências, sejam elas sociais ou naturais. Os conceitos e a linguagem do Direito devem dar conta, de uma maneira coerente e inteligível, de fenômenos ligados à regulação do agir humano e, por isso, têm uma função própria e um uso próprio que determina, pragmaticamente, a sua semântica.”
Na sequência, percebe-se que o Relator do Acórdão, Ministro Marco Aurélio, ainda menciona que “o conceito de vida no Direito há de ser discutido de acordo com sua significação própria no âmbito da dogmática jurídica, da legislação e da jurisprudência. Entendimento diverso que vincule o saber jurídico ao saber médico ou a um conceito único de vida só faz confundir os campos do conhecimento empírico com o campo da ação humana. Além do mais, a negação dessas considerações só pode ser baseada em uma postura dogmática e autoritária injustificável, e não é outra a consequência da falácia naturalista.
Isso não quer dizer, é necessário ficar claro, que o Direito não deva ou não possa se valer de outros ramos do conhecimento ou da regulação da ação (da ciência e da ética de uma maneira geral). Significa, apenas, que nenhum deles determina o Direito ou o seu conteúdo como condição necessária, como algo que vincule as decisões jurídicas. E é também importante deixar muito claro que toda essa discussão não pretende colocar o Direito como alheio, intangível ou superior no que se refere aos outros saberes, mas apenas estabelecer os seus pressupostos e necessidades próprios.
� BOBBIO. Norberto. A era dos direitos. Tradução Carlos Nelson Coutinho. Apresentação Celso Lafer. Editora Campus. Rio de Janeiro. 2004. 
� CARNELUTTI. Franceso. A arte do direito. Editora Bookseller. 4ª edição. Campinas-SP. 2005. 
� BOBBIO. Norberto. O futuro da democracia. Trad. Marco Aurélio Nogueira. Editora Paz e Terra Ltda. São Paulo. 2000. Pág. 54. 
� DOEHRING, Karl. Teoria do Estado. Editora Del Rey. Belo Horizonte. 2008. Pág. 14 e 15. 
� Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Novo Dicionário da Língua Portuguesa, 2ª edição, Rio de Janeiro, Nova Fronteira. 1986
� Apodictico – diz-se do que é evidente, pode ser demonstrado.
� FARIAS NETO, Pedro Sabino de. Ciência Política: enfoque integral avançado. Editora Atlas. São Paulo. 2011. 
� SALVATTI NETTO. Curso de Ciência Política – Vol I. 2ª edição. Hameron Editora. São Paulo. 1977. Pág. 2. 
� BOBBIO. Norberto. O filósofo e o político - Antologia. Editora Contraponto. Rio de Janeiro. 2003. 
� DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de Teoria Geral do Estado. 31ª. Edição 2012 – Editora Saraiva, São Paulo
� FRIEDE, Reis. Curso de Ciência Política e Teoria Geral do Estado. Editora Forense Universitária. Rio de Janeiro. 2ª edição, 2002. 
� DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de Teoria Geral do Estado. Editora Saraiva. 18ª edição. São Paulo. 1994. 
� AZAMBUJA. Darcy. Teoria Geral do Estado. 46ª. Edição. Editora Globo. São Paulo. 2008.

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.