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ser 
professora de semântica tem o mesmo sentido, ou seja, é sinônima de a pessoa que ensina 
semântica e, necessariamente, a verdade de (25d) decorre da verdade de (25b). 
 Constatamos, com mais esses exemplos, que uma teoria exclusivamente da referência 
não é adequada para se explicar o significado das expressões. Também a noção de sentido 
faz-se necessária para a explicação do significado. Portanto, uma teoria semântica que lide 
com a noção de referência, deve incluir necessariamente o conceito de sentido ao tentar 
explicar o significado das expressões de uma língua. 
 Finalizando a parte II deste livro, sobre valores de verdade, referência e sentido, 
gostaria de fazer algumas observações. Lembremo-nos das três questões básicas que uma 
teoria semântica, a princípio, deve abordar: a expressividade e composicionalidade da língua, 
a referencialidade e representação da língua, e as relações semânticas das sentenças. Uma 
teoria que use a abordagem referencial, provavelmente, explicará, em parte, a questão da 
 
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expressividade e criatividade da língua: o Princípio da Composicionalidade de Frege trata da 
composicionalidade do significado de unidades simples em unidades mais complexas. Um 
segundo ponto é a capacidade dessas teorias em explicar a referencialidade da língua, pois 
trabalham com a noção da relação língua e mundo. Também algumas das propriedades 
semânticas entre sentenças são explicadas em termos de verdade, mais especificamente, a 
noção de acarretamento, de ambiguidades, de contradições etc. Vale realçar que ainda 
ficaram de fora, deste manual, importantes questões que sempre são abordadas dentro de uma 
perspectiva referencial, como por exemplo, uma iniciação à linguagem formal do cálculo de 
predicados e a utilização dessa linguagem para abordar: o cálculo de valores de verdade em 
sentenças extensionais proposto por Frege, a quantificação, o tempo e a modalidade nas 
línguas naturais. 
 Entretanto, existem ainda várias outras questões sobre o conhecimento semântico de 
um falante que a abordagem referencial não contempla: a representação mental, as metáforas, 
os papéis temáticos, o uso da língua, a intenção do falante etc. Serão, pois, algumas dessas 
noções que as próximas partes do livro irão apresentar, usando para isso abordagens 
mentalistas e abordagens pragmáticas. Não espero com isso esgotar as questões sobre 
significado, evidentemente, mas espero conseguir percorrer, de uma maneira não direcionada 
teoricamente, alguns dos temas mais estudados na literatura semântica. 
 
 
2.2 Exercícios 
 
I. Explique a diferença entre referência e sentido. 
 
II. Ilustre, com um exemplo linguístico, essa distinção. 
 
III. Explicite a necessidade de se fazer a distinção sentido e referência, usando o par de 
sentenças abaixo: 
 
a) O jogador de futebol Pelé é o jogador de futebol Pelé. 
b) O jogador de futebol Pelé é o rei do futebol. 
 
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IV. Exemplifique o Princípio de Composicionalidade de Frege. 
 
V. Explique porque a sentença (c) abaixo não pode ser considerada um acarretamento de (b), 
embora as expressões a dona do restaurante e a mãe do José tenham a mesma referência: 
 
 a) A dona do restaurante é a mãe do José. 
 b) O João acha que a dona do restaurante é muito competente. 
 b) O João acha que a mãe do José é muito competente. 
 
VI. Explique o que é referência indireta e como funciona a substituição nesse contexto. 
 
 
3. Indicações Bibliográficas 
 
Em português: 
Chierchia (2003, caps. 1 e 8), Pires de Oliveira (2001, cap. 3), Lyons (1977, cap. 7) e 
Kempson (1977, cap. 2). 
 
Em inglês: 
Saeed (1997, caps. 1 e 2), Chierchia & McConnell-Ginet (1990, cap. 2) e Hurford & Heasley 
(1983, caps. 1, 2 e 3).

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