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ATIVIDADE PRÁTICA SUPERVISIONADA \u2013 APS
2º SEMESTRE/2017
ATIVIDADE \u2013 9º/10º SEMESTRE
PARECER JURÍDICO
DE: LETÍCIA CAMARDELLA JACOB DE OLIVEIRA
R.A.: T184JC-1
TURMA: 10/DR0T40
PARA: FILHOS MAIORES DE SUARES ROCHA PORTO E SARINA ROCHA PORTO
EMENTA: DIREITO CIVIL. DIREITO DAS SUCESSÕES. TESTAMENTO. CÔNJUGE EM REGIME PARCIAL DE BENS. SUCESSÃO LEGÍTIMA. MEAÇÃO. HERDEIROS NECESSÁRIOS. BENS LIVRES.
RELATÓRIO
Trata-se de consulta formulada pelos filhos maiores de Suares Rocha Porto e Sarina Rocha Porto.
Suares Rocha Porto é casado e tem três filhos com sua esposa, Sarina Rocha Porto, todos maiores de idade. Recentemente, ele descobriu que tem um tumor cancerígeno em estado muito grave, deve sofrer uma cirurgia bastante séria e com grande risco de morte. Ele resolveu contar para a família que tem um outro filho, que mora em outra cidade, cuja mãe já é falecida e que no momento está com 14 anos. Também decidiu que seu patrimônio, uma casa, um carro e um apartamento pequeno, será dividido da seguinte forma: casa e carro em partes iguais para Sarina e os filhos maiores; e o apartamento pequeno ficará inteiramente para o filho menor, porque ele não conviveu com o pai e, por isso, deve ser compensado de alguma maneira. Suares pretende fazer um testamento deixando sua intenção formalizada, para não haver problema após a sua morte. 
\u201cÉ o relatório, passo a opinar.\u201d
FUNDAMENTAÇÃO
Inicialmente deveremos analisar o que diz respeito ao regime de casamento, como não há essa informação, logo, entendemos que o regime que comunica este caso seja o Regime de Comunhão Parcial de Bens, verificamos o que o Código Civil dispõe a respeito de tal regime: 
Art. 1.658. No regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal, na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes.
O artigo trata da transmissão de bens adquiridos na constância do casamento, no caso em análise se subentende que os bens apresentados são de propriedade do casal, sendo assim deverá ser respeitada a ordem de sucessão legítima e da meação. Vejamos: 
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III - ao cônjuge sobrevivente;
IV - aos colaterais.
Com relação à meação o artigo 1.846 do Código Civil vem garantindo que os herdeiros necessários possuem direito a metade dos bens da legítima. Verificando então, que o testador poderá dispor apenas de 50% (cinquenta por cento) de sua cota parte. Conforme se encontra citado abaixo: 
Art. 1.846. Pertence aos herdeiros necessários, de pleno direito, a metade dos bens da herança, constituindo a legítima.
O artigo 1.845 do Código Civil dispõe quem são os herdeiros necessários.
Art. 1.845. São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge.
No artigo 1.789 do CC, há a regulamentação do que o testador poderá dispor em seu testamento: 
Art. 1.789. Havendo herdeiros necessários, o testador só poderá dispor da metade da herança.
Dessa forma, o testador deverá respeitar a parte que corresponde à meação, que é de 50% (cinquenta por cento), e ele poderá dispor em testamento de 50% (cinquenta por cento) dos seus bens de forma livre, ou seja, apenas 25% (vinte e cinco por cento) da totalidade dos bens poderão ser doadas a quem ele quiser, inclusive ao filho concebido fora da constância do casamento.
E mesmo que este filho concebido fora da constância do casamento receba essa doação de 25% (vinte e cinco por cento), e houver o reconhecimento de paternidade, ele não perderá o direito a legítima, conforme disposto no artigo 1.849 do Código Civil. 
Art. 1.849. O herdeiro necessário, a quem o testador deixar a sua parte disponível, ou algum legado, não perderá o direito à legítima.
Com tudo, é importante verificar, pois é direito do cônjuge a quinhão igual dos que sucedem por cabeça.
Art. 1.832. Em concorrência com os descendentes (art. 1.829, inciso I) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça, não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança, se for ascendente dos herdeiros com que concorrer.
Portanto, é importante que o testador deixe 1/5 (um quinto) para cada de sua cota, fora os 50% que ele poderá dispor como quiser.
CONCLUSÃO
Antes o exposto, respondendo a cada um dos questionamentos formulados na consulta, opino no sentido que o Sr. Suares Rocha Porto, o testador no caso, não poderá deixar seu apartamento em testamento para seu filho concebido fora da constância do casamento, uma vez que não estão sendo respeitados os herdeiros necessários, devendo assim ser garantido a meação da Sra. Sarina Rocha Porto, sua esposa, na qual possuí legítima sucessão em 50% por bens. 
Sendo que, livremente ele poderá dispor de 50%, pois a outra metade será garantida para os herdeiros necessários, que são neste caso seus três filhos maiores e um menor concebido fora da constância do casamento, ou seja, 25% do total dos bens da legítima. 
Com tudo, testamentar 50% da sua cota parte mais 1/5 da sua herança e este valor não for em reais correspondente ao valor do imóvel, ele não poderá deixar o apartamento para seu filho menor. 
São Paulo, 23 de novembro de 2017.
LETÍCIA CAMARDELLA JACOB DE OLIVEIRA