RMN-Mariana
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A ressonância magnética nuclear para o Químico Orgânico 
 
por Mariana Helena Chaves 
mariana@ufpi.br 
 
 
 
A ressonância magnética nuclear (RMN) é muito utilizada na medicina pois, 
diferentemente de raios X, não usa radiação ionizante perigosa e não necessita de injeção de 
produtos químicos potencialmente perigosos para produzir contraste na imagem. A radiação 
utilizada na RMN é uma interação inofensiva de campos magnéticos e ondas de rádio com 
núcleos atômicos. 
A ressonância usada na medicina é a de núcleos de hidrogênio-prótio (1H), pois em todo 
o nosso organismo temos substâncias químicas que têm muito destes núcleos (p. ex.: água). A 
diminuição da fluidez de um meio por conta de uma doença, por exemplo, é detectada por esta 
técnica. 
A técnica de RMN de 1H é muito utilizada também na Química, porém a substância a ser 
analisada, dissolvida em um solvente apropriado, fica num tubo de vidro de 5 mm de diâmetro. 
Numa substância química, pequenas diferenças entre ambientes magnéticos de seus núcleos 
geram diferenças significativas no espectro de ressonância. 
Na Química Orgânica utiliza-se principalmente a RMN de 1H e de 13C para determinar a 
estrutura dos compostos. A análise por RMN 1H é mais facilmente obtida que a RMN 13C, pois 
os núcleos de hidrogênio-prótio são abundantes. 
Os núcleos de 13C estão presentes nas moléculas com apenas 1,11% da abundância 
natural do carbono contra 99, 98% do 12C. Sua sensibilidade total é apenas 1,6% da sensibilidade 
do 1H, daí a necessidade de maior quantidade de amostra ou tempo de análise para obtenção de 
um espectro de RMN 13C. O carbono-12, mais abundante, não apresenta o fenômeno da 
ressonância. 
As seguintes informações são obtidas num espectro de RMN 1H: 1) o número de sinais: 
indica o número de hidrogênios com ambientes químicos diferentes; 2) a área de cada sinal: é 
proporcional ao número de hidrogênios de cada tipo de ambiente; 3) A posição dos sinais 
(deslocamento químico): diz o ambiente químico de cada hidrogênio; 4) a forma do sinal 
(singleto, dubleto, tripleto, etc.): indica o número de hidrogênios vizinhos ao núcleo considerado; 
5) a distância entre as linhas do sinal (constante de acoplamento): informa a intensidade da 
interação do spin do núcleo considerado em relação aos seus vizinhos. 
 
GOVERNO DO ESTADO DO PIAUÍ
 
FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DO PIAUÍ 
 
 
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 Com estas informações, é possível saber se o hidrogênio está ligado a carbono do tipo 
sp3, sp2 ou sp, se existe proximidade com grupo hidroxila, carbonila, ligação dupla e etc. 
Também é possível definir a disposição de hidrogênios cis ou trans em sistemas olefínicos, 
axial-axilal, axial-equatorial, equatorial-equatorial em sistemas cíclicos, orto, meta e para em 
anéis aromáticos entre outros. Além disso, adquire-se muitas outras informações estruturais. 
A análise do espectro de RMN de 13C, associada com a análise de espectros de RMN 1H, 
permite que se determine a fórmula molecular da substância, a fórmula estrutural e até mesmo a 
espacial. Em se tratando de moléculas de estrutura complexa, os espectros de RMN 1H e 13C 
podem ser obtidos simultaneamente de modo correlacionado, dando origem a categoria da RMN 
em duas dimensões (2D 1H-1H e 1H-13C). 
Portanto, RMN é uma das técnicas mais utilizados pelos Químicos Orgânicos. A determinação 
estrutural de substâncias químicas consiste de verdadeiros quebra-cabeças tão apaixonantes 
como os de brinquedos de criança (ou um mistério policial) que o Químico, usando RMN, aliado 
a outras técnicas, consegue montar (ou desvendar). 
 
 
TERESINA-PI, MARÇO DE 2006\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd