Comportamento humano nas Organizações
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Comportamento humano nas Organizações


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Introdução ao estudo do comportamento organizacional 
Objetivo 
Este módulo tem como objetivo introduzir o conceito de comportamento humano nas organizações, 
bem como compreender a importância do mesmo para a realização dos objetivos organizacionais. 
Síntese 
Essa unidade trata do ser humano e sua complexidade. Apresenta o campo de estudo do 
comportamento dos indivíduos na organização, ou seja, o indivíduo que chega a uma organização 
com as suas diferenças, expectativas, percepções e motivações, passa a fazer parte de um grupo, 
influenciando esse grupo e sofrendo a influência do mesEsse mesmo homem é um ser genérico, pois 
pertence à espécie humana. 
Segundo o mesmo autor, o homem é um ser reflexivo e ativo. Reflexivo pela sua capacidade de pensar, 
e ativo em função de sua ação. A construção da realidade e as ações que pode empreender o ser 
humano não são concebidas sem se recorrer a uma forma qualquer de linguagem, portanto, o ser 
humano é um ser de palavra. Esse mesmo homem é também um ser de desejo, um ser simbólico, pois o 
universo humano é um mundo de signos, de imagens, de metáforas etc.; um ser espaço-temporal, na 
medida em que ele está inserido no tempo e em algum lugar \u2013 espaço. 
O homem não só muda o seu mundo externo como simultaneamente se transforma de maneira 
autoconsciente pelo 
seu trabalho. No nível individual, ao optar pela sobrevivência, opta pelo trabalho. No nível de espécie, o 
homem se fez homem ao transformar o mundo pelo seu trabalho. 
De acordo com Freitas (1999), o controle exterior passa para o próprio sujeito; ele é quem define suas 
metas e se compromete a atingi-las; o processo decisório se dá de maneira mais participativa. Essa é 
uma exigência da nova sociedade e das organizações em geral. Exigência de que o indivíduo tenha um 
papel participativo no caminho que pretende seguir, nas decisões que pretende assumir e nas 
consequências que estas acarretam, o que confirma a necessidade de uma identidade maleável mais 
estável. 
Freitas (1999) acrescenta que se antes era a figura do superego, como instância da crítica e do medo do 
castigo, que compelia o indivíduo a trabalhar mais, agora é o ideal de ego, daquele que almeja realizar 
um projeto e receber os aplausos e as gratificações indispensáveis aos seus anseios narcísicos. A 
obediência passiva dá lugar ao ativo investimento amoroso, o corpo dócil dá lugar ao coração ativo e 
cativo. O medo de fracassar se alia ao desejo de ser reconhecido, e quanto mais o indivíduo acredita que 
ele e a empresa são partes do mesmo projeto nobre, mais essa aliança tende a se fortalecer. 
O indivíduo inventa, cria e recria a sua própria realidade no momento em que se percebe um ser social 
com o poder de transformar. Chanlat (1992) diz que em todo sistema social o ser humano dispõe de 
uma autonomia relativa. Marcado pelos seus desejos, pelas suas aspirações e suas possibilidades, o 
indivíduo dispõe de um grau de liberdade, sabe o que pode atingir e que preço estará disposto a pagar 
para consegui-lo no plano social. 
Toledo (apud Jacques, 1988) nos diz que: 
(...) o trabalho não se converte em trabalho propriamente humano a não ser quando começa a servir 
para a satisfação não só das necessidades físicas, e fatalmente circunscritas à vida animal, como 
também do ser social, que tende a conquistar e realizar plenamente a sua liberdade (...). 
De acordo com Zavattaro (1999), o trabalho é essencialmente 
uma ação própria do homem mediante a qual ele transforma e melhora os bens da natureza, com a qual 
vive historicamente em insubstituível relação. O primeiro fundamento do valor do trabalho é o próprio 
homem, seu sujeito \u2013 o trabalho está em função do homem, e não o homem em função do trabalho. O 
valor do trabalho não reside no fato de que se façam coisas, mas em que coisas são feitas pelo homem 
e, portanto, as fontes de dignidade do trabalho devem buscar-se, principalmente, não em sua dimensão 
objetiva, mas em sua dimensão subjetiva. 
A nova relação entre o homem e o trabalho determina que este homem possui uma identidade e que 
responde por esta, a qual o leva a almejar e a responder às suas necessidades, principalmente em 
relação ao trabalho. O fato de o homem dedicar a maior parte do seu dia útil ao trabalho denota a força 
que essa relação apresenta. O trabalho chega a ser mais importante que a família, pois o fracasso no 
trabalho acarreta fracasso familiar. A identidade serve como um mediador que permite ao homem se 
ajustar a cada fase \u2013 trabalho, família \u2013 evidenciando as múltiplas identidades e a necessidade de saber 
usá-las, de saber renová-las e mantê-las. 
A empresa moderna (...) precisa mobilizar todas as energias do sujeito \u2013 intelectuais, físicas, espirituais, 
afetivas, morais (...) no interior desse tipo organizacional é um estranho casamento de várias 
contradições, levando o indivíduo a uma procura incessante de um parco (baixo) equilíbrio psicológico 
(Freitas,1999, p. 77). 
Observe a importância e a dimensão que o trabalho passa a exercer sobre o homem; é necessário que o 
indivíduo mobilize todas as suas energias para que possa manter o vínculo com o trabalho, alcançar o 
equilíbrio, a estabilidade, viver a sua identidade, para que possa se ver como ele verdadeiramente é. O 
trabalho é um ponto de conexão entre o homem e sua identidade, entre o homem e o eu. 
Segundo Sucesso (2002, p.12), a história de vida, as características pessoais, os valores, os anseios e as 
expectativas configuram, no nível individual, uma forma de viver e de sentir, definindo fatores básicos 
para a satisfação. Mais que o trabalho em si, as expectativas individuais e as situações de vida 
específicas determinam a percepção sobre o trabalho. 
Freitas (1999,p . 80) destaca, ainda, que a empregabilidade é a capacidade de se tornar necessário ou de 
possuir o conhecimento raro e reciclável de que as empresas hoje necessitam. Mais que 
a profissão, valoriza-se um elenco de repertórios variados que habilitem o indivíduo a lidar com esse 
mundo complexo e mutável. 
Essa é a relação entre a identidade e o homem no trabalho: a identidade dá ao indivíduo, ao homem, as 
armas para se impor, para se igualar, para se diferenciar e para assumir o seu papel no 
trabalho, na família, na sociedade, na vida. 
A identidade é o conjunto de predicados, de significados, que permite ao homem ver-se como homem e 
que permite que os outros também o vejam. A identidade é o diferencial que permite a ascensão ou a 
queda na vida do homem, seja no trabalho ou em qualquer outro aspecto. É o que permite ao homem 
mudar os compromissos, mudar suas características, renovar e buscar novas soluções, novas 
identidades para sobreviver a esta sociedade em constante evolução. 
Conceituando comportamento organizacional 
Quando falamos em comportamento organizacional, estamos nos referindo ao comportamento das 
pessoas no ambiente de trabalho. Segundo Robbins (2004), comportamento organizacional refere-se ao 
estudo sistemático das ações e às atitudes das pessoas dentro das organizações. 
Para a compreensão das ações e das atitudes das pessoas no ambiente organizacional, os estudiosos 
dessa área buscam conceitos e métodos das ciências comportamentais tais como psicologia, sociologia, 
ciência política, antropologia, dentre outras. O comportamento organizacional é estudado em três 
níveis. 
 
Todo indivíduo chega à organização com suas expectativas, necessidades, valores etc. (comportamento 
individual); esse mesmo indivíduo passa a pertencer a um grupo de trabalho (comportamento grupal); 
dentro da organização, esses grupos se interagem e formam o todo (comportamento de toda a 
organização). Abaixo, são apresentados os três níveis do comportamento organizacional: 
\u2022 Comportamento micro-organizacional: o foco é o indivíduo, e são estudadas as diferenças individuais, 
os processos de aprendizagem, a percepção e a motivação. Os processos de recursos