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Manual de moléstias vasculares

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substituir a arteriografia. 
Indicada somente em pacientes estáveis clinicamente.
Ressonância: tem pouca indicação na urgência atualmente devido à sua disponibilidade e demora do 
exame. Tem as mesmas indicações da tomografia.
Endoscopia, Broncoscopia, Laparoscopia: em casos de lesões concomitantes de órgãos viscerais.
Diagnóstico
O diagnóstico pode ser feito através dos seguintes dados:
• Basicamente com quadro clinico na maioria dos casos
• Alguns casos com a ultrassonografia dúplex
• Boa parte dos casos tem confirmação com arteriografia que também será útil para planejar a cirurgia.
Diagnóstico Diferencial
É importante diferenciar espasmo arterial (que não é de tratamento cirúrgico), oclusão arterial crônica 
em paciente com trauma associado, síndrome de compartimento sem lesão vascular (contusões importantes 
e esmagamentos), pois todos esses quadros podem mimetizar um trauma arterial com isquemia aguda.
Tratamento Clínico e Cirúrgico
O paciente deve ser abordado como um todo, seguindo os critérios do ATLS (Advanced Trauma Life 
Support), com prioridade para vias aéreas, ventilação e circulação. Na presença de lesão aguda causada por 
trauma, praticamente todos os tipos de ferimentos vasculares têm indicação de intervenção em caráter de 
urgência ou emergência, entretanto, lesões mínimas como flap intimal, irregularidades discretas da luz do 
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Traumas Vasculares Eduardo Faccini Rocha
vaso e psudoaneurimas periféricos contidos e pequenos podem aguardar observação e controle seriado com 
ultrassonografia dúplex.
As fístulas arteriovenosas devem, sempre que possível, ser tratadas na fase aguda, com completa ex-
clusão (sutura de todos os orifícios fistulosos), pois podem tornar-se crônicas, com difícil resolução tardia 
(geralmente endovascular nessa fase).
São comuns as cirurgias multidisciplinares para correção vascular, visceral, fraturas, lesões neurológi-
cas, urológicas, etc. 
Cirurgia
Indicada a cirurgia, faz-se como rotina o controle arterial ou venoso proximal e distal à zona de lesão, para 
posterior abordagem e reparo da mesma. Esse controle pode ser feito com compressão digital, pinçamento direto, 
uso de balões pelo orifício de lesão, uso de balões endovasculares (balão de angioplastia, balão intra-aórtico).
Após o controle do sangramento, é feito o reparo que pode ser alcançado através de diferentes técnicas: 
• Ligadura
• Sutura simples
• Remendo: safena, pericárdio bovino, prótese
• Anastomose término-terminal
• Ressecção e anastomose término-terminal
• Derivação com veia safena
• Derivação com prótese
• Derivação extra-anatômica
• Endovascular com embolizações, stents revestidos ou endopróteses
Lembrar que em casos de trauma dar sempre preferência ao uso de material autógeno sobre as próteses, 
pelo risco de infecção. 
Complicações do tratamento cirúrgico
Infecções da incisão, deiscências, tromboses, embolias, espasmos, lesões iatrogênicas de nervos, urete-
res, sangramentos. Vários desses fatores levam a reoperações, que não são incomuns em traumas vasculares.
Outro fator importante após uma revascularização de emergência bem sucedida é a evolução para sín-
drome de compartimento, necessitando fasciotomia de urgência para descompressão dos compartimentos 
envolvidos, sob risco de perda de membro. O quadro clínico é de dor reiniciada após a revascularização e o 
aumento de tensão no compartimento muscular (maior que 30-40 mmHg) faz o diagnóstico de síndrome 
compartimental.
 Tópicos de interesse
Os traumatismos vasculares nos diversos territórios têm sua peculiaridade e merecem uma breve abor-
dagem. A Tabela 3 resume os pontos mais importantes.
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Traumas Vasculares Eduardo Faccini Rocha
Prognóstico se tratado e não tratado
As lesões vasculares menores, com oclusão de pequenas artérias, dissec-
ção localizada e lesões venosas têm prognóstico bom, mesmo sem tratamento 
específico. 
Lesões mais extensas têm prognóstico variável, dependendo da extensão, 
tempo para restauração, lesões associadas. Quadros mais complexos geralmente 
têm alta mortalidade e altos índices de amputação.
Áreas de Pesquisa
Atualmente os maiores avanços em trauma vascular estão no campo da 
cirurgia endovascular, com o desenvolvimento de stents revestidos flexíveis de 
baixo perfil. Com essa técnica há menos sangramento, menor risco de lesão 
iatrogênica durante a abordagem em uma região com anatomia distorcida pelos 
hematomas e lesões concomitantes, além de um tempo cirúrgico menor. Porém 
ainda não fazem parte da rotina em trauma vascular.
Tabela 3: Características específicas de algumas lesões vasculares:
Mecanismo de lesão
Estiramento/ Trauma direto
Diversos 
Desaceleração
Diversos
Fratura de platô tibial/ 
luxação de joelho/ outros
Diversos
Diversos
Diversos
Iatrogênica (procedimento 
ortopédico/ endovascular)
Lacerações 
Local lesado
Dissecção de carótida
Lesão de artéria subclávia /axilar
Aorta torácica
Aorta toracoabdominal
Artéria poplítea e sua trifurcação
Veias 
Lesão de nervos
Fratura e lesão arterial
Artéria femoral/braquial/ veias
Ossos, músculos, vasos de mem-
bros com lesões extensas
Características
Cefaleia, dor facial isquemia cerebral: 
tratamento clínico.
Isquemia menos importante que membros 
inferiores (colaterais). Maior risco de lesão 
de nervos (plexo braquial).
Lesão do istmo aórtico (1cm distal à 
origem da artéria subclávia) 
Abordagem retroperitoneal (manobra de 
Mattox45).
Isquemia muito grave. Lesão de veia 
poplítea também tem que ser reparada 
(além da artéria).
A maioria sustenta ligadura, exceto veias 
poplítea, porta e cava superior.
Reparo imediato ou em poucas semanas.
Se tiver isquemia crítica (alteração de 
motricidade e sensibilidade), reparar pri-
meiro a artéria. Caso contrário, corrigir 
primeiro a fratura.
Trombose/pseudoaneurismas/fístulas ar-
teriovenosas.
Cogitar amputação primária
45Kenneth L. Mattox. Cirurgião 
americano da atualidade em 
Houston Texas.
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Pontos Essenciais no Diagnóstico
• Sintomas neurológicos do território carotídeo: hemiparesia/paralisia, 
hemi-hipoestesia/anestesia, amaurose fugaz, afasia.
• Sintomas neurológicos do território vertebral: tonturas, dificuldade em 
manter o equilíbrio, perda acuidade visual, ataxia da marcha e membros supe-
riores e incoordenação da orofaringe, geralmente acometendo os dois lados do 
corpo simultaneamente.
• Presença de sopro na bifurcação carotídea, base do pescoço ou região 
supraclavicular.
• Forte associação com aterosclerose em outros territórios, como coroná-
rias e membros inferiores.
Considerações gerais
O acidente vascular cerebral (AVC) pode ser hemorrágico ou isquêmico. Os 
AVC são ocasionados em torno de 70% dos casos por isquemia, 27% são hemorrá-
gicos e 3% de causa indeterminada. Entre os AVC isquêmicos, de 10% a 30% são 
causados por lesão das artérias carótidas extracranianas (Gráfico 1).
Doença Vascular 
Extracraniana
11
Capítulo
Fábio Hüsemann Menezes
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A doença aterosclerótica das carótidas está relacionada a diversos fatores 
de risco que devem ser pesquisados e tratados agressivamente. São eles: o taba-
gismo, a hipertensão arterial, o diabetes melito e o aumento dos lípides sanguí-
neos. Outros fatores podem estar associados, como a idade avançada, história 
familiar de AVC, obesidade, presença de distúrbios pró-cogulantes no sangue 
(eritrocitose, aumento do fibrinogênio, anticorpos anticardiolipinas, presença 
de fator V de Leiden46, etc.) e uso de anticoncepcionais orais.
Outro aspecto a ser levado em consideração na isquemia cerebral é o me-
canismo que produziu a isquemia. Basicamente,