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Manual de moléstias vasculares

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de baixo peso molecular (enoxaparina 40 mg/
dia), ou em casos selecionados, pelo uso de anticoagulante oral.
Uma vez ocorrida a trombose o paciente pode evoluir para morte por embolia pulmonar, cura comple-
ta nos casos de tromboses de pequenos segmentos venosos, ou para quadros de hipertensão venosa crônica. 
Por isto é tão importante frisar a necessidade de profilaxia tanto dos pacientes clínicos como cirúrgicos.
Novas pesquisas são realizadas continuamente para o melhor entendimento do processo de controle 
da coagulação e novos medicamentos, capazes de oferecer proteção com menores efeitos colaterais do que a 
heparina e a warfarina. Atualmente encontram-se disponíveis fora do Brasil, para uso clínico, os heparinó-
des, os pentassacárides e os inibidores diretos de trombina.
Tabela 4: Indicações da colocação de filtro de cava
Claramente indicado
TVP na vigência de contraindicação para anticoagulação (ex.: Hemorragia intracraniana, acidente vascular cerebral 
hemorrágico, neurocirurgia há menos de sete dias, sangramento digestivo ativo, hemoptise ativa)
TVP com complicação hemorrágica na vigência da anticoagulação
Embolia pulmonar de repetição com paciente corretamente anticoagulado
Possivelmente uma boa indicação
Falha da anticoagulação sistêmica
Potencialmente indicado, requer novos estudos para confirmação
Profilaxia em pacientes politraumatizados
Profilaxia em pacientes ortopédicos
Pré e pós-embolectomia pulmonar
Trombo flutuante em ilíaca ou cava
Tratamento trombolítico do segmento íleo-femoral
Não indicado atualmente
Tratamento de TVP em:
• Pacientes com câncer
• Pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica
• Pacientes com reserva cardíaca limitada
• Durante a gravidez
• Pacientes transplantados
• Pacientes com história de sangramento digestivo
Profilaxia de TVP em pacientes queimados
Doença Tromboembólica Venosa Ana Terezinha Guillaumon
Moléstias Vasculares 123
Embolia Pulmonar
A complicação mais complexa da trombose venosa profunda é a embolia pulmonar, sendo mais fre-
quente nas tromboses proximais dos membros inferiores.
O quadro clínico é amplo, e pode ser confundido com outras doenças pulmonares. Os sintomas po-
dem variar desde pequenos surtos de dispneia, com dor pleural, tosse com escarro hemoptoico, estertores de 
base e febre baixa, até evoluir para taquipneia e taquicardia, com derrame pleural, ritmo de galope, cianose 
e hipotensão arterial. Algumas vezes é achado em paciente com morte súbita.
Após a suspeita clínica, deve-se realizar radiografia de tórax para avaliar o parênquima pulmonar, 
o qual pode revelar uma área de enfarto em cunha. A cintilografia de perfusão (tecnécio ou iodo 131) 
ventilação (xenônio) pode revelar uma discrepância entre as áreas ventiladas e perfundidas, confirmando o 
diagnóstico. Atualmente a tomografia computadorizada multi-slice pode substituir a angiografia pulmonar, 
considerado exame padrão ouro para a confirmação diagnóstica.
O tratamento dos pacientes pouco sintomáticos é realizado com a anticoagulação sistêmica como nos casos de 
TVP. Os quadros com comprometimento hemodinâmico devem ser tratados com fibrinolíticos e mais recentemente 
pela trombectomia pulmonar através da fragmentação e aspiração dos coágulos com técnicas de cateterismo.
Doença Tromboembólica Venosa Ana Terezinha Guillaumon
Moléstias Vasculares 125
15 Hipertensão 
Venosa Crônica
Carla Aparecida Faccio Bosnardo
Capítulo
Pontos Essenciais no Diagnóstico
• Presença de edema, dermatite ocre, dermatolipoesclerose, eczema, an-
quilose articular
• Podem ocorrer úlceras recidivantes de difícil cicatrização
• Deficiência no retorno venoso com manutenção da pressão venosa em 
níveis elevados durante a marcha
Considerações Gerais
A hipertensão venosa crônica (HVC) é doença prevalente na população 
em geral e é uma das principais causas de afastamento do trabalho, o que leva a 
sérios problemas socioeconômicos e culturais, influindo negativamente na qua-
lidade de vida dos seus portadores.
Embora esteja presente em todas as idades, é mais prevalente em adultos 
após a quarta década e na população brasileira estima-se que cerca de 40% dos 
indivíduos sejam portadores dessa enfermidade, sendo que aproximadamente 
1,5% apresentam a resultante final dessa doença: a úlcera.
Pode-se defini-la como alteração do funcionamento do sistema venoso 
causada por incompetência valvular venosa congênita ou adquirida, que atin-
ge os sistemas venosos superficial (caso das varizes dos membros inferiores), 
profundo (Síndrome Pós-flebítica) e/ou ambos. Neste capítulo dar-se-á ênfase 
como fator desencadeante da HVC, a que é considerada uma das suas principais 
responsáveis, a Síndrome Pós-flebítica (sequela de trombose venosa profunda).
O sistema venoso é composto por uma parte superficial responsável pela 
drenagem de 10 a 20% do fluxo sanguíneo e uma outra profunda, responsável 
pela maior quantidade da drenagem do fluxo (entre 80 e 90 %).
O sangue venoso é trazido continuamente de volta ao coração pelo bom-
beamento cardíaco. No indivíduo deitado o fluxo venoso se dá do sistema veno-
so superficial para o profundo, através das veias perfurantes, sendo influenciado 
pela respiração, que altera as pressões torácica e abdominal. No indivíduo em 
Moléstias Vasculares126
pé, há a formação de uma coluna de sangue do átrio direito até a extremidade dos membros, cuja pressão 
interna corresponde à pressão hidrostática da coluna somada à pressão venosa normal pós-capilar. Para oti-
mizar o retorno venoso (e consequentemente o aporte arterial e as trocas a nível dos capilares) as veias dos 
membros são dotadas de válvulas que direcionam o sangue para o coração. A principal função das válvulas 
é, através do mecanismo de bomba muscular da panturrilha, esvaziar o sistema venoso durante o exercício, 
mesmo com o indivíduo em pé. As válvulas isoladamente não são capazes de exercer a função de retorno 
venoso, sendo assim, as estruturas ósteo-musculares também são necessárias para essa tarefa.
O mecanismo da bomba muscular da panturrilha funciona pela contração muscular que comprime as 
veias profundas; ao mesmo tempo, as válvulas distais se fecham impedindo o refluxo, e o sangue é ejetado 
em direção ao coração. Quando ocorre o relaxamento da musculatura, o sistema venoso profundo apresenta 
uma queda significativa da pressão, as válvulas distais se abrem e o sangue é praticamente aspirado das veias 
mais distais e das veias superficiais para dentro da musculatura. Simultaneamente as válvulas proximais se 
fecham impedindo o refluxo de sangue do sistema venoso proximal para o distal. Esse mecanismo de bomba 
resulta no abaixamento da pressão venosa nos membros inferiores durante a marcha. Para que o mecanismo 
de bomba funcione perfeitamente é necessário que o paciente apresente a musculatura em perfeito funcio-
namento, a articulação tíbio-társica móvel e o sistema venoso com as suas válvulas intactas (Figura 1).
Figura 1 - Sistema venoso normal. A1: setas 1, 2 e 3 indicam, respectivamente, veias profundas, super-
ficiais e perfurantes. Membro em repouso. Fluxo sanguíneo ascendene. A2: contração da musculatura 
da panturrilha. a ação da bomba muscular e o fechamento das válvulas impulsionam o sangue exclusiva-
mente em direção ascendente. A3: relaxamento muscular. O fechamento das válvulas impede o refluxo e 
existe aspiração do sangue do sistema venoso superficial para o profundo através das veias perfurantes.
X
X
X
X
X X
1
2
3
A1 A3A2
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FH
M
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As válvulas venosas, responsáveis por evitar o refluxo, são destruídas quando acontece a trombose venosa 
profunda. A reabsorção do coágulo formado dentro das veias leva à lesão das cúspides valvares. Alguns indiví-
duos apresentam defeitos