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Parte 16   Sinopses regionais

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Ocorre em nosso meio, predominantemente 
após os 50 anos, afetando, em mais de 95% das vezes, 
só o lábio inferior. A chamada queilite plasmocitária 
é, provável variante clínica em que ocorre infiltrado 
plasmocitário. 
Evoluindo o quadro, podem ser observadas, crostas 
e exulceração e leucoqueratose, sinais que não agra-
vam a prognose. Ao contrário, a infiltração, a atrofia 
e a perda de nitidez da linha de transição, entre o 
vermelhão do lábio e a pele, indicam maior risco de 
presença de carcinoma, devendo essas lesões ser sem-
pre biopsiadas (Figura 89.2) . Em aproximadamente 
F1G. 
0
89.2. Queilite actínica. Atrofia e áreas de queratose 
no lábio inferior. 
20% dos casos, evolui para carcinoma espinocelular. É 
comparável à queratose actinica da pele, que também 
pode evoluir para carcinoma espinocelular, só que no 
lábio isso ocorre com maior freqüência e o tumor tem 
maior chance de metastatização do que na pele. 
Nos casos iniciais sem atipia, o tratamento é feito 
com fotoprotetores labiais e, eventualmente, pomada 
de corcicóide. 
Quando, histologicamente, há atipia leve ou mode-
rada, pode ser feito tratamento com eletrocoagulação, 
nitrogênio líquido ou laser de C02. Quando houver 
atipia acentuada, principalmente em indivíduos de 
menos de 55 anos, deve ser feito o tratamento cirúr-
gico mais radical, que é a vermelhectomia. N ão se 
indica excisão em cunha, já que o carcinoma pode ser 
multifocal, o que gera a necessidade do tratamento de 
todo o lábio. 
QUEILITE ANGULAR 
A queilite angular, comissurite labial ou perleche, 
apresenta-se como interrrigo nos cantos dos lábios 
(Figura 89.3). É decorrente do acúmulo de saliva, 
principalmente em indivíduos idosos que usam próte-
ses antigas ou mal adaptadas, pela "queda" dos cantos 
da boca. Esta é devida à reabsorção óssea dos rebordos 
alveolares, o que leva à diminuição da distância en-
tre o maxilar superior e a mandíbula, (diminuição da 
dimensão vertical). A saliva depositada pode irritar a 
pele e, freqüentemente, sofrer contaminação por Can-
dida albicans. Existe tendência a relacionar a queilite 
angular à carência de vitaminas, principalmente do 
complexo B, diabetes e deficiência de ferro. São con-
dições excepcionais que somente devem ser cogitadas 
quando existem dados clínicos indicativos. 
F 1G. 89.3. Queilite angular. Eritema e maceração nas comissuras. 
A queilite angular é observada nos doentes HIV+ 
e na terapia por retinóides principalmente pela iso-
tretinoína. 
O tratamento da perleche é feito com pomadas ou 
cremes de antibióticos e imidazólicos, além da causa 
dentária ou óssea quando presente. 
QUEJLITE DE CONTATO 
Ocorrem: a forma aguda, com edema, eritema e 
vesículas, e a forma crônica, na qual existem desca-
mação e fissuras. Os agentes mais comuns são batons, 
medicações tópicas aplicadas nos lábios, dentifrícios, 
alguns alimentos, frutas cítricas e objetos ou instru-
mentos levados à boca. Ocorre também a dermatite 
de contato por irritaçã~ primária pela própria saliva, 
em doentes mentais, crianças que usam chupeta ou 
adultos com o hábito de molhar freqüentemente os 
lábios com a língua. 
QUEIL!TE ESFOLIATlVA- QUEILOFAGJA 
Caracteriza-se por descamação e formação de fis-
suras, hemorragias e escamo-crostas e pode persistir 
por meses ou anos. Difere da queilite de contato pela 
evolução e da queilite actínica, porque atinge lábios 
superior e inferior. É decorrente de distúrbios emo-
cionais (queilofagia) ou, eventualmente, à atopia. O 
tratamento é feito com corticóide tópico na forma de 
pomada, que protege melhor o lábio da saliva. Pelo 
ardor, o doente tende a piorar o quadro, molhando o 
lábio com a língua com freqüência. Imprescindível o 
tratamento da dermatocompulsão. 
A dermatite perioral dos neuropatas é quadro de ir-
ritação por saliva que se estende além do limite labial, 
ocorrendo em doentes mentais. 
Q UEIUTE GLANDULAR 
É afecção causada por hipertrofia e inRamação se-
cundária de glândulas salivares heterotópicas dos lá-
bios. Surge na infância e adolescência, podendo ser 
malformação congênita ou haver transmissão genética. 
Na forma não-inflamatória, há aumento do lábio, no-
tando-se orifícios puntiformes, onde, pela expressão, 
elimina-se saliva. Na forma com inRamação (queilite 
de Volkmann), a- tumefação do lábio é maior, a su-
perfície é recoberta por crostas e há surtos de agrava-
mento caracterizados por dor e edema inflamatório. 
O tratamento é cirúrgico. Nos surtos inflamatórios, 
antibiótico (Figura 89.4). 
AFECÇÕES DOS LÁB IOS E DA M UCOSA ORAL 
QUEILITE GRANULOMATOSA 
Caracteriza-se pela tumefação dos lábios. O qua-
dro se inicia com surtos recidivantes de edema labial 
tornando-se posteriormente crônico com macroquei-
lia. Pode haver comprometimento da face, mucosa 
oral e gengivas. A histopatologia mostra inicialmente 
edema e, em lesões bem estabelecidas, inflamação gra-
n ulomatosa. Pode ser isolada ou associada a outros 
achados clínicos ou doenças sistêmicas. A síndrome de 
Melkersson-Rosenthal é a associação de queilite granu-
lomatosa com língua fissurada/geográfica e paralisia 
facial. Pode também estar associada a sarcoidose e 
doença de Crohn, constituindo uma constelação de-
nominada granulomatose orofacial. O curso é crônico; 
o tratamento consiste na infiluação intralesional de 
corticóides associados ou não a drogas como antiin-
flamatórios, sulfona e clofazimina. 
QUElLITE MEDICAMENTOSA 
Várias drogas podem acometer o lábio ocorrendo 
quadros diversos como a erupção fixa medicamento-
sa (Figura 89.S), eritema polimorfo. Eletivamente, 
os retinóides orais, como isotretinóina e acitretina, 
causam ressecamento e descamação labial, que são 
os primeiros efeitos colaterais destes medicamentos. 
Eventualmente intensa, melhora com a diminuição da 
dose do retinóide. O quadro desaparece com a inter-
rupção do retinóide. O tratamento é com contínua 
lubrificação da mucosa labial e aplicação da pomada 
de dexpantenol. 
F 1G. 89.4. Queilite glandular. Macroqueilia e eliminação 
de saliva espessa. 
1341 
1342 
DE R MATOL OG IA 
F1G. 89.s. Erupção fixa medicamentosa. Mácula hípercrômíca no 
lábio. Uso de sulfa. 
F1G. 89.6. Mucocele. Tumoração translúcida na mucosa labial. 
F1G. 89.7. Granuloma piogênico. Pápula vínhosa brilhante no 
lábio inferior. 
QUEILITES EM DERMATOSES 
N umerosas dermatoses acometem o lábio, como 
parte de um quadro disseminado ou, eventualmente, 
como manifestação isolada. Possibilitam muitas vezes 
a diagnose. Exemplos são o lúpus eritematoso, pên-
figo vulgar, líquen plano, psoríase, prurigo actínico, 
eritema polimorfo. 
TUMORES BENIGNOS 
MUCOCELE OU CISTO MUCOSO 
É tumoração cística e translúcida, localizada na su-
perfície interna do lábio inferior. Resulta da obstrução 
de canais de glândulas mucosas. O tratamento simples 
e efetivo é a excisão seguida da espremedura, que eli-
mina substância viscosa mucóide (Figura 89.6). Em 
seguida, eletrocoagulação da cavidade. A cicatrização 
ocorre em uma ou duas semanas. 
ECTASIA VENOS A 
Também denominada lago venoso, é uma lesão de 
cor violácea, assintomática, devido a uma vênula dilata-
da. Não há proliferação vascular. Ocorre, em geral, no 
lábio inferior de idosos, sendo desencadeada por trau-
mas crônicos ou fotoexposição. O tratamento mais sim-
ples e efetivo é a eletrocoagulação. Pode ser usado laser 
ou nitrogênio líquido. Não há indicação para exérese. 
GRANULOMA PIOGÊNICO 
Tumoração angiomatosa vegetante e friável que, 
em geral, surge após traumas em qualquer área do 
tegumento. O lábio e a mucosa oral são localizações 
comuns (Figura 89.7). 
LENTIGOS, NEVUS MELANOCÍTICOS 
Podem localizar-se nos lábios e mucosa oral. A 
chamada mácula melanótica labial é lesão lentiginosa 
circunscrita bastante comum no lábio inferior. 
TUMORES