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Parte 16   Sinopses regionais

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mca-
pacicantes. 
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DERMA T O L OGIA 
PÊN FIGO, PENFIGÓIDE, 
LÍQUEN PLANO 
Podem se localizar exclusivamente nas gengivas, 
apresentando-se com eritema, erosão e descamação; 
é a chamada gengivite descamativa crônica (Figura 
89.13). Tais lesões têm aspecto semelhante e o escla-
recimento da diagnose necessita da histopatologia e 
imunofluorescência. 
OUTRAS DOENÇAS BOLHOSAS 
O comprometimento oral na dermacite herpetifor-
me, na dermatose bolhosa por IgA linear, na epider-
mólise bolhosa adquirida não ocorre na ausência de 
lesões cutâneas; sendo a diagnose em geral estabeleci-
da através do quadro cutâneo. 
ERITEMA F IXO POR DROGA 
Pode surgir acompanhado ou não de lesões cutâ-
neas. A localização mais comum é labial, mas pode 
ocorrer em qualquer localização, como mucosa ju-
gal e gengivas. Nesta 1Htima, deve ser distinguido da 
pigmentação racial ou consticucional. Tem coloração 
vermelho-arroxeada ou acastanhada, podendo haver 
formação de bolhas. 
ERITEMA POLIMORFO 
SÍNDROME D E STEVENS-JOHNSON 
NECRÓLISE E P IDÉRMICA T ÓXICA 
O comprometimento mucoso em geral acompa-
nha o quadro cutâneo. Pode haver eritema polimorfo 
mucoso exclusivo. As lesões orais apresentam-se con-
gestas, erosivas e com crostas hemorrágicas. 
REAÇÕES A QUIMIOTERÁPICOS 
As medicações antineoplásicas atuam no ciclo de 
divisão celular, assim sendo tecidos com grande ativi-
dade mitótica terão sua função alterada. Na mucosa 
oral podem ocorrer ulcerações extensas e intensamen-
te dolorosas. O utro mecanismo é a mielossupressão 
droga-induzida, favorecendo infecções orais como 
herpes simples e infecções piogênicas, além de he-
morragias. 
INFECÇÕES NA CAVIDADE ORAL 
CANDJDOSE ORAL 
É comum principalmente em lactentes, denomi-
nada sapinho, até o segundo mês de vida, por ima-
turidade imunológica. Ocorre também em idosos, 
usuários de prótese dentária e aidéticos. Outros fa-
tores predisponentes incluem corticoterapia e anti-
bioticoterapia de amplo espectro. O quadro clínico 
mais comum é a estomatite cremosa oral, onde se 
observam concreçóes esbranquiçadas destacáveis com 
a espátula (Figura 89.14). Outras manifestações in-
cluem a candidose ericematosa atrófica e a candido-
se hiperplásica. A condução dos casos de candidose 
oral exige a identificação e o afastamento do fator 
predisponente. 
HERPES S IMPLES 
A primo-infecção herpética manifesta-se por um 
quadro agudo e exuberante, em geral na infância. 
Aparecem ulcerações aftóides dolorosas múltiplas na 
mucosa queratinizada e gengivas, acompanhadas de 
febre, adenomegalia cervical, irritabilidade e mal-estar. 
O quadro dura de 1 O a 15 dias e tem involução es-
pontânea. As recidivas são precipitadas por diminuição 
temporária da imunidade e ocorrem, geralmente, na 
região labial, observando-se prurido ou dor local segui-
do do aparecimento de vesículas agrupadas sobre base 
eritêmato-edematosa; as lesões dessecam e cicatrizam 
após 7 a 1 O dias. Recidivas intra-orais são raras, ocor-
rendo, em geral, na mucosa aderida (Figura 89.15). 
F1G. 89. 1 3. Gengivite descamativa. Erosão e descamação gengival. 
Aspecto encontrado em várias doenças. 
FIG. 89. 14. Candidose oral. Placas esbranquiçadas 
desta caveis. 
INFECÇÃO FUSO-ESPIRILAR 
É infecção secundária por organismos fuso-espiri-
lares, saprófitas, da cavidade bucal. Ocorre como com-
plicação de doenças como eritema polimorfo, pênfigo 
vulgar, infecções viróticas, leucemias, agranulocitose 
ou outros quadros hematológicos. Caracteriza-se por 
placas eritêmato-acinzentadas, com forte odor. O tra-
tamento é feito com anti-sépticos ou antibióticos tó-
picos e penicilina ou cefalosporina, por via sistêmica. 
INFECÇÃO POR HIV 
Manifestações orais são bastante comuns podendo 
ocorrer em fases de dano imunológico ainda modera-
do, sendo, porém, mais comuns nas formas avança-
das. Compreendem: 
1. Candidose oral: Em fases avançadas da AIDS, pode 
progredir para o esôfago e vias respiratórias. 
2. Condíloma acuminado: Localização eventual, de 
difícil tratamento (Figura 89.16). 
3. Doença perídontal: Caracterizada por gengivites e 
periodontites. 
AFECÇÕES DOS LÁBIOS E DA MUCOSA ORAL 
F 1G. 89. 1 s. Herpes simples intra-oral. Quadro raro. 
Notar as vesículas na mucosa aderida (palato duro). 
4. Herpes simples: A infecção é crônica, extensa, com 
lesões ulcerosas, sem tendência a cicatrização es-
pontânea (Figura 89.17). 
5. Leucoplasia pílosa: Induzida pelo vírus de Eps-
tein-Baar, caracteriza-se por lesões brancas, dis-
postas verticalmente na lateral da língua (Figura 
89.18). É quadro assintomático, porém caracte-
rístico de imunossupressão grave. 
6. Sarcoma de Kaposí: Foi uma das manifestações ini-
cialmente descritas da AIDS. Ocorre em doentes 
gravemente comprometidos, único ou associado 
com outras lesões. São manchas eritêmato-vio-
láceas, que podem evoluir para lesões tumorais 
(Figura 89.19). 
LEISHMANIOSE TEGUMENTAR 
As lesões orais da forma cudneo-mucosa acometem 
principalmente o palato duro; são lesões úlcera-vege-
tantes grosseiramente granulosas e sulcadas; tais sulcos 
se entrecruzam na região mediana, formando a cha-
mada cruz de Escomel. Outras áreas acometidas são o 
lábio, pilar anterior e posterior, laringe, faringe e cordas 
vocais, com rouquidão característica. São lesões destru-
tivas que deixam seqüelas ulcerosas e cicatriciais. 
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DERMATOLOG IA 
F1G. 89. 1 s. Verrugas virais. Condilomatose oral em doente 
imunocomprometido (AIDS). 
F1G. 89. 17. Herpes do imunocomprometido (AIDS). 
Grande úlcera no dorso lingual. 
F1G. 89.18 . Leucoplasia pilosa. Estriações brancas longitudinais 
na borda lingual. 
F 1G. 89. 19. Sarcoma de Kaposi. Tumoração vinhasa no palato. 
Observar lesões semelhantes na pele. 
PARACOCCI D!OIDOM !COSE 
As lesões orais são comuns e muito características, 
manifestando-se como ulcerações mucosas que apre-
senram fundo com delicado ponteado hemorrágico, é 
a chamada estomatite morifonne. Tais lesões podem 
ocorrer na gengiva (podendo ocasionar perda dentá-
ria), mucosa oral, língua e orofaringe. Macroqueilia 
é comum. Com o tratamento, pode ocorrer fibrose 
cicatricial com microstomia (Figura 89.20). 
SÍFILIS 
O protossifiloma oral é mais raro que o genital; 
pode ser labial, lingual ·ou orofaríngeo, manifesta-se 
por erosão de base infiltrada, não dolorosa, acompa-
nhada sempre de adenomegalia (Figura 89.21). As le-
sões orais são bastante freqüentes na sífilis secundária; 
o quadro é variado: lesões pápulo-erosivas acinzenta-
das (placas mucosas), despapilações linguais circuns-
critas (Figura 89.22), .fissuras linguais, lesões pápulo-
hipertróficas vegetantes (condiloma plano); são todas 
lesões altamente contagiantes. Lesões discretas podem 
passar despercebidas e serem importante fonte de con-
tágio. As lesões de sífilis terciária são úlceras e gomas 
destrutivas. 
F1G. 89.21. Cancro duro. Erosão única de base infiltrada na 
língua. Adenomegalia é sempre presente. 
AFECÇÕES DOS LÁB I OS E DA M UCOSA ORAL 
F 1G. 89.20. Paracoccidioidomicose. 
Microstomia cicatricial pós-tratamento. 
F 1G. 89.22. Sífilis secundária. Múltiplas áreas de despapilação 
lingual. Aspecto "res~ingado". 
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DERMATOLOGIA 
DOENÇAS HEMATOLÓGICAS, 
IMUNOLÓGICAS, 
ENDOCRINOLÓGICAS E 
IDIOPÁTICAS 
DOENÇAS HEMATOLÓGJCAS 
Alterações na cavidade bucal ocorrem em doen-
ças hematológicas, podendo constituir manifestação 
inicial da anemia perniciosa, leucemias, policitemia, 
neutropenia cíclica e agranulocitose. 
Na anemia ferro priva, há queixa de secura na boca 
e, posteriormente, glossodínia. Uma forma mais grave 
de deficiência de ferro é a disfagia sideropênica ou 
síndrome de Plummer-Vinson, que se acompanha de 
alterações ungueais (coiloníquia), além da dificuldade 
de