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Parte 16   Sinopses regionais

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do carci-
noma da pele e vermelhão do lábio (actinicamence 
induzidos), tendo evolução mais agressiva, sendo as 
metástases mais freqüentes. 
CARCINOMA VERRUCOSO OU 
PAPILOMATOSE FLORIDA 
Variedade rórpida e bem diferenciada de carcino-
ma espinocelular. É caracterizado por lesões queratósi-
cas de progressão lenta, podendo atingir extensas áreas 
na mucosa (Figura 89.31). Ocorre destruição local, 
mas as metástases são raras. A diagnose histopatológi-
ca pode ser difícil. Por tratar-se de lesão muito bem 
F1G. 89.31. Carcinoma verrucoso. Grande placa queratósica 
e infiltrada na mucosa jugal. Papilomatose florida. 
diferenciada, vanas biopsias podem ser necessanas. 
O tratamento envolve o prévio uso de retinóide ou 
metotrexato visando a diminuição da massa tumoral 
e, posteriormente, a criocirurgia, eletrocoagulação ou 
exérese cirúrgica, sendo importante o seguimento para 
a detecção de recidivas. 
MELANOMA 
É raro mas tem prognose grave. 
GLOSSITES E 
AFECÇÕES DA LÍNGUA 
G LOSSITE INFLAMATÓR IA 
Processo inflamatório da língua, que pode ser a 
manifestação de numerosas doenças corno anemias, 
desnutrição, pelagra, reações medicamentosas, infec-
ções e irritações químicas ou físicas. A língua apresen-
ta-se vermelha e lisa, com perda parcial ou total das 
papilas filiforrnes. O tratamento é sintomático, deven-
do ser orientado para o esclarecimento da etiologia 
GLOSSITE L OSÂNGICA MEDIANA 
De causa não definida, está freqüentemente asso-
ciada à candidose hipertrófica. Existe a hipótese de 
defeito de embriogênese. Caracteriza-se por presença 
de placa papulosa, discretamente indurada, de forma-
to alongado ou losângico, na região central do dorso 
da língua (Figura 89.32). É assintomática e não re-
quer tratamento. 
LÍNGUA CAVIAR 
São ectasias venosas no ventre lingual de idosos, 
assintomáticas e não necessitam tratamento. 
LÍNGUA F!SSURADA 
Chamada também de língua plicara ou escrotal, 
constitui malformação congênita, em que a língua 
apresenta sulcos profundos e irregulares, que podem 
ter disposição variada, com eixo central e disposição 
corno nervuras de uma folha, ou padrão mais difuso, 
regular e orientados transversalmente ao comprimen-
to da língua. Nos sulcos, podem acumular-se detritos 
alimentares, ocasionando halirose, se não for feita es-
covação adequada da língua, com escova macia. Junto 
com paralisia facial, edema de lábio e, ocasionalmen-
te, edema de face, pode ser parte da síndrome de 
Melkersson-Rosenthal. 
LÍNGUA GEOGRÁFICA 
É afecção benigna, familiar, que se manifesta geral-
mente na infância, mas pode ter aparecimento tardio. 
Ao exame histopatológico, apresenta semelhança com 
psoríase. Caracteriza-se clinicamente pela evolução 
cíclica, que faz com que, em 3 a 4 dias, desapareça 
numa área da língua e apareça em outra. Por isso, 
é também chamada glossite migratória. A localiza-
ção mais comum é o dorso da língua, mas, nos casos 
mais graves, pode atingir a face ventral e até mesmo 
a mucosa labial e jugal. Por essa razão, foi proposto 
chamá-la também de estomatite migratória. São áreas 
irregulares de despapilação, geralmente limitadas por 
borda esbranquiçada festonada. Essa borda pode não 
estar presente, dificultando a diferenciação do líquen 
plano e da sífilis secundária. Pode ser feita a biopsia 
ou "mapear" a área, comparando com o observado 3 
a 4 dias depois. Quando mudar de lugar, ou aparecer 
alguma área com a borda branca, fecha-se a diagnose 
clinicamente. Em mais ou menos 60% das vezes, é 
F1G. 89.32. Glossite rombóidea mediana. Lesão elevada 
e poligonal na porção mediana dorsal da língua. 
AFECÇÕES DOS LÁBIOS E DA MUCOSA ORAL 
concomitante à língua fissurada (Figura 89.33). Nas 
fases mais intensas, que geralmente são desencadeadas 
por estresse emocional, a sintomatologia é importan-
te, com dor e queimação, dificultando a alimentação, 
principalmente com alimentos ácidos ou salgados. Há 
indicação, nesses períodos, do uso local de corticóide 
em base oclusiva se a área atingida não for muito ex-
tensa, ou de bochechos com corticóide. Geralmente, 
o tratamento não é necessário porque evolui em al-
guns dias numa mesma região da língua. 
LÍNGUA NEGRA PILOSA OU ViLOSA 
Caracteriza-se por um alongamento das papilas fi-
liformes da porção posterior e dorsal da língua, com 
ou sem pigmentação, que geralmente é acastanhada, 
mas pode ser azulada ou esverdeada, dependendo da 
bactéria que ali se assenta e do pigmento que ela pro-
duz (Figura 89.34) . Não se conhece a razão pela qual 
essas papilas crescem, mas admite-se que seja por uma 
deficiência no desgaste mecânico das papilas, quando 
não há ingestão suficiente de alimentos mais duros 
(em desdentados, é mais comum), ou por deficiência 
de produção da enzima que promove normalmente 
esse desgaste, o que pode ocorrer após o uso de anti-
bióticos. Quadro semelhante, chamado pseudo língua 
nigra, onde há pigmentação, geralmente castanho es-
cura ou amarelada, mas não há hipertrofia das papilas. 
Deve-se à má higiene bucal ou ao fumo excessivo. 
Tanto na língua negra pilosa quanto na pseudo língua 
nigra, pode ser indicado o uso de solução de uréia a 
20% ou ácido retinóico a 0,01-0,025%, como quera-
tolíticos, ames da escovação. 
F1G. 89.33. Língua geográfica associada a língua fissurada. 
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DERMATOLOG IA 
F1G. 89.34. Língua negra pilosa. Placa constituída por papilas 
alongadas e enegrecidas. 
HALi TOSE 
A halitose, ozostomia, mau hálito, surge quando 
diminui o fluxo de saliva na boca. As bactérias da 
boca são, na maioria, anaeróbias e, durante o dia, a 
saliva, rica em oxigênio, impede a proliferação. De 
noite, o fluxo de saliva diminui e as bactérias proli-
feram à custa de restos de proteínas e liberam gases 
fétidos, como o hidrogênio sulfídrico e metilmercap-
tan. Assim, de manhã, ocorre o mau hálito. Agravam 
a halitase, o álcool, por secar a boca, e condimentos 
como a cebola, alho e caril (curry). Dietas alimenta-
res podem provocar halitase. Em dieta de emagreci-
mento, há queima de gordura e liberação de acetona, 
causando mau háli to. Como corolário, é aconselhável 
a ingestão de bastante líquidos. Falar demasiado, na-
riz entupido e respiração pela boca, que produzem 
secura da boca, geram mau hálito. O fluxo de saliva 
diminui com a idade e daí a maior freqüência da ha-
litase nos idosos. Os lactantes, que produzem muita 
saliva e cuja cavidade bucal contém poucas bactérias, 
geralmente, têm o hálit0 fresco. Outra causa de hali-
tose é a língua saburrosa. As bactérias produtaras de 
nitrogênio ali ficam alojadas. Infecções nasais tam-
bém provocam halitose pela produção de gases nitro-
genados, além do fato de que a respiração pela boca 
provoca a diminuição da saliva e a proliferação de 
bactérias. As hérnias de hiat0 também podem pro-
vocar mau hálito característico pois secreções ácidas 
podem subir pelo esôfago e odores digestivos escapam 
pela boca. Todos os medicamemos que diminuem a 
salivação, com a conseqüente proliferação bacteriana, 
podem provocar halitase, como anti-histamínicos, 
descongestionantes nasais, antidepressivos, tranqüili-
zantes, diuréticos e anti-hipercensivos. Em mulheres, 
pode ocorrer halirose antes da mensuuação, prova-
velmente devida à alteração hormonal que possibilita 
aumento de bactérias na boca. Alimentos ricos em 
colina podem provocar halitase. Há uma deficiência 
metabólica, síndrome da trimetilanúria, na qual o há-
lito tem cheiro de peixe. A colina no intestino trans-
forma-se em trimetilamina que é metabolizada por 
uma enzima. Na falta dessa enzima, a trimetilamina 
permanece e ocasiona o cheiro de peixe característico 
(saliva, suor e urina). Q uando houver suspeita, fazer 
uma prova, administrar colina e dosar na saliva e uri-
na. H á distúrbios psíquicos em que o doente imagina 
que tem mau hálito.