Engenharia de produção   Tópicos e aplicações
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Engenharia de produção Tópicos e aplicações


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pelo volume de produção de determinado período.

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Isso não quer dizer que eles sejam imutáveis ou estáticos \u2013 muito

pelo contrário. Esse conceito é uma das fontes de maior geração de

dúvida entre os estudantes nessa área. Por isso, para facilitar a

compreensão do leitor, as definições sobre a variabilidade dos

custos serão apresentadas no formato de exemplos.

Os exemplos clássicos mais freqüentes em livros de

contabilidade de custos abordam a questão dos aluguéis prediais ou

a depreciação de instalações e equipamentos, pois não importa o

volume de produção ou se a produção em determinado período foi

suspensa, os custos vão incorrer de qualquer forma.

Entretanto, existem custos que embora devam ser vistos

como fixos, confundem um analista menos atento. É o caso das

faturas de telefones corporativos. Embora o valor da fatura possa se

alterar a cada mês, sem que haja reajustes na tarifa cobrada pelos

minutos. Porque então classificar este item como custo fixo?

Basicamente porque o valor da fatura não varia proporcionalmente

ao volume produzido em determinada fábrica e, da mesma forma

que o aluguel, caso a fábrica produza zero unidades em

determinado mês, o custo da conta telefônica continuará existindo.

O custo variável é intensamente influenciado pelo volume de

produção e geralmente estabelece uma relação de

proporcionalidade direta: quanto maiores os volumes produzidos

em determinado, maior será o montante desses custos. São

exemplos célebres dessa tipologia de custos: Materiais diretos,

materiais indiretos, parte da energia elétrica consumida.

Uma característica interessante da natureza desses tipos de

custo: unitariamente analisando, apesar de não aumentarem com a

elevação do volume de produção, são influenciados pela economia

de escala, ou seja, quanto maior o volume produzido menor a

parcela de custos fixos alocada por unidade produzida. Por exemplo,

para diluir R$100.000,00 de custos fixos mensais aos seus produtos,

uma empresa fabricante de móveis de cozinha modulares observou

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os meses de março, abril e maio. Analise o comportamento dos

custos fixos por unidade produzida, confrontados com o volume de

produção mensal.

Mês Quantidade Produzida Custos Fixos /unidade

Março 250 unidades R$ 400,00

Abril 300 unidades R$ 333,33

Maio 500 unidades R$ 200,00

Quadro 3 - Simulação de distribuição de custos fixos por unidade produzida

Quanto à análise dos custos variáveis, o inverso ocorrerá:

como em ambientes de manufatura ou em ambientes industriais o

grau de padronização é essencial para o sucesso de um sistema

produtivo, a maioria das empresas que adotam o sistema de custeio

variável deve possuir estabelecidas estimativas de tempo, materiais

e energia para produzir-se uma unidade de seus produtos. Por essa

razão os custos variáveis, quando analisados sob o aspecto do custo

unitário serão invariáveis por unidade, em um ambiente econômico

sem grandes flutuações.

Uma vez apresentado o glossário da área de custos

industriais, na próxima seção passa-se para a descrição dos métodos

de custeio mais utilizados na área industrial. Bornia (1995) define

que o primeiro objetivo básico dos sistemas de custos tradicionais é

encontrar os custos dos produtos para avaliação de estoques,

permitindo, deste modo, a determinação do resultado da empresa

pela contabilidade financeira.

3. Sistemas de Custeio

Um sistema de custeio representa um conjunto de

ferramentas matemáticas e contábeis que ao final de sua aplicação

devem gerar basicamente um resultado específico: o cálculo do

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custo dos produtos. Segundo Bornia (2002) o estudo dos sistemas

de custos pode ser realizado sob duas perspectivas diferenciadas.

A primeira delas reside no estudo dos objetivos do sistema de

custeio e os objetivos gerenciais da organização, pois somente após

conhecer esses objetivos pode-se eleger qual conjunto de

informações será relevante gerar para a empresa e seus clientes.

O segundo aspecto consiste nos métodos a serem

empregados para a obtenção dessas informações, ou seja, no

estudo dos sistemas de custeio, os procedimentos de tratamento e

classificação de dados possuem ampla relevância.

São conhecidos como os mais comuns objetivos de um

sistema de custeio, os seguintes itens:

\uf0b7 Avaliação de estoques

\uf0b7 Controle

\uf0b7 Tomada de decisão

Os objetivos dos sistemas de custeio podem ser melhor

compreendidos se tomarmos como exemplo algumas situações

práticas. Por exemplo, se uma determinada organização deseja

implementar um sistema de custos para avaliar seus estoques e

gerar relatórios aceitos pelo fisco, ou seja, para suprir demandas

externas de seu ambiente, seria mais adequada a escolha pelo

Método do custeio por Absorção, o qual é capaz de desempenhar

esse papel com eficiência. Para indústrias que desejam controlar os

custos gerados ao longo de seu processo produtivo, para obter uma

medida de eficiência ou de traçar um perfil de consumo dos

recursos empregados em sua planta, indica-se a

departamentalização ou o Custeio Baseado em Atividades.

Empresas que desejam suportar sua tomada de decisão de

curto prazo para terceirização de uma determinada operação,

retirada de um produto do mercado ou substituição de

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determinado equipamento; por exemplo, pode ser beneficiada se

adotar o custeio variável.

As próximas seções deste texto apresentarão um aparato

geral sobre os três sistemas mais utilizados na gestão de custos.

3.1 O Custeio por Absorção

O custeio por absorção é um dos métodos mais clássicos da
gestão de custos e também um dos mais amplamente utilizados na
indústria. Para Leone (2000), Custeio por absorção é aquele que faz
debitar aos produtos todos os custos de produção,
independentemente de serem, fixos ou variáveis, diretos ou
indiretos. O objetivo deste sistema é fazer com que cada produto
receba uma parcela dos custos indiretos de fabricação obedecendo-
se a um critério previamente definido.

O primeiro passo para a sua implantação é o conhecimento da
carteira de contas da empresa, da qual deve-se extrair informações
referentes à despesa bruta e despesa líquida, gastos com despesas
gerais, além recolhimento de impostos, folhas de pagamentos, etc.
depois deve-se realizar a classificação dessas e de outras contas
como receitas, custos, despesas. Os custos, de uma maneira geral
devem ser separados em diretos e indiretos. Os custos diretos (C.D.)
será então alocados diretamente aos produtos.

Os Custos indiretos de fabricação (CIF) deverão ser estudados
com cautela, pois para que sejam atribuídos aos produtos, será
necessária a definição de uma base criteriosa de proporcionalidade,
denominada base de rateio. Portanto, esse sistema de custeio segue
uma estrutura de etapas pré-estabelecidas a fim de apurarem-se os
custos totais de produção de um determinado período. A figura 1, a
seguir exibe a sistemática dada ao tratamento dos custos de
maneira resumida, desconsiderando-se as despesas.

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Fonte: Adaptado de Martins (2003)
Figura 1 - Estrutura de funcionamento do Custeio por Absorção

Para melhor ilustrar a metodologia de funcionamento do
custeio por absorção, apresenta-se a seguir um exemplo prático.

Uma empresa de brinquedos que utiliza madeira como
matéria-prima, que teve o custo de R$ 50.000,00, sendo R$
35.000,00 para fabricação de aviões de brinquedo e R$ 15.000,00