Engenharia de produção   Tópicos e aplicações
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Engenharia de produção Tópicos e aplicações


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Conceito de Ergonomia

Murrell (1965)

Estudo científico da relação entre o homem e seu
ambiente de trabalho. Neste sentido, o termo meio
ambiente abrange não só o ambiente de trabalho, mas
também suas ferramentas e materiais, seus métodos de
trabalho e organização do trabalho, seja individual ou em
grupo. Todos estes estão relacionados com a natureza do
próprio homem; de suas habilidades, capacidades e
limitações.

Meister (1989)

Estudo de como os seres humanos realiza as tarefas
relacionadas ao trabalho no contexto da operação do
sistema homem-máquina e como as variáveis
comportamentais afetam a realização do trabalho.

Montmollin (1990)

Considera a ergonomia sob duas correntes principais, que
se complementam. A primeira corrente, a mais antiga e
mais americana, considera a ergonomia como a utilização
das ciências para melhorar as condições do trabalho
humano. A segunda corrente, mais recente e mais
européia, considera a ergonomia como o estudo específico
do trabalho humano com a finalidade de melhorá-lo.

Sanders e McCormick
(1993)

Aplica-se as informações sobre o comportamento humano,
capacidades, limitações e características para a concepção
de ferramentas, máquinas, tarefas, trabalhos e ambientes
para a produção, utilização segura, confortável e eficaz.

Laville (1977)

Conjunto de conhecimentos científicos interdisciplinares
relativos ao homem e necessários à concepção de
instrumentos, máquinas e dispositivos que possam ser
utilizados com o máximo de conforto, segurança e
eficiência.

Dul e Weerdmeester
(1998)

Se aplica ao projeto de máquinas, equipamentos, sistemas
e tarefas, com o objetivo de melhorar a segurança, saúde,
conforto e eficiência no trabalho.

Grandjean (1998)

Conceituada como a ciência da configuração de trabalho
adaptada ao homem e seu objetivo é o desenvolvimento
de bases científicas para a adequação das condições de
trabalho às capacidades e à realidade das pessoas que
realizam o trabalho.

Moraes e Mont\u2019Alvão
(1998)

Tecnologia projetual das comunicações entre homens e
máquinas, trabalho e ambiente.

Quadro 1-Conceituações dos diferentes autores de livros de Ergonomia
utilizados para a definição da área.

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Para realizar o estudo ergonômico das condições de trabalho
têm-se os métodos e técnicas das duas abordagens conhecidas da
Ergonomia, sendo elas a franco-belga e a anglo-saxônica. Segundo
Montmollin (1990) a franco-belga observa o ser humano como \u201c*...+
singular, que só pode ser compreendido na inter-relação que se
estabelece no contexto do trabalho *...+\u201d e tem como método a
Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Segundo Guérin et al., (2001)
este método comporta cinco etapas de importância e de
dificuldades diferentes: 1) análise da demanda, 2) análise da tarefa,
3) análise da atividade, 4) diagnóstico e 5) recomendações
ergonômicas.

Na abordagem anglo-saxônica Montmollin (1990) esclarece
que o ser humano é observado de forma estática, generalizável e,
muitas vezes, abstraído do contexto do trabalho. Seus métodos e
técnicas privilegiam experimentos em laboratório, aplicação de
checklists, questionários, planilhas, softwares e prevalecem as
medidas quantitativas (GUIMARÃES, 2007).

Ferreira e Donatelli (2001) reuniram os livros associados à
Ergonomia que podem ser lidos na versão em português, entre os
anos de 1972-2001. Os autores mostraram que na língua são 18
livros que vem sendo atualizados nos últimos anos, dentre eles,
pode-se dizer que aos oito livros existentes em 1989 se
acrescentaram (até fevereiro de 2001, data do levantamento dos
autores), apenas mais oito, sendo três traduções e cinco obras de
brasileiras. Atualmente, pode ser observada uma maior tendência
de estudos associados ao tema, principalmente no que se refere a
artigos científicos.

A definição em si da Ergonomia é indicada como derivação
das palavras gregas ERGON (trabalho) e NOMOS (regras), ou seja, a
Ergonomia pode ser considerada como o estudo das leis do
trabalho. Nos Estados Unidos também se utiliza como sinônimo
human factor (fatores humanos) (DUL e WEERDMEESTER, 1998).

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No Brasil, a Associação Brasileira de Ergonomia \u2013 ABERGO
(www.abergo.org.br) adota a classificação do entendimento em
Ergonomia como o estudo das interações das pessoas com a
tecnologia, a organização e o ambiente, objetivando intervenções e
projetos que visem melhorar, de forma integrada e não-dissociativa,
a segurança, o conforto, o bem-estar e a eficácia das atividades
humanas (ABERGO, 2009). No âmbito internacional, a Associação
Internacional de Ergonomia (International Ergonomics Association)
(www.iea.org.br) conceitua a Ergonomia e suas especializações.
Para a Associação, a Ergonomia é a disciplina científica que estuda
as interações entre os seres humanos e outros elementos do
sistema, e a profissão que aplica teorias, princípios, dados e
métodos, a projetos que visem otimizar o bem-estar humano e o
desempenho global dos sistemas (IEA, 2009).

Assim, podem ser identificados três domínios de
especialização da área que abordam as características específicas

para cada sistema, assim como ilustra a Figura 1. Estes domínios se
relacionam à Ergonomia organizacional, cognitiva e física.

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Fonte: Adaptado da Associação Internacional de Ergonomia

Figura 1- Domínios especializados da ergonomia, segundo a Classificação
Internacional de Ergonomia.

Os tópicos relevantes das investigações organizacionais,
cognitivas e físicas indicadas pela Associação Internacional de
Ergonomia estão ilustrados na Figura 2 (IEA, 2009).

No que concerne os processos mentais, tais como

percepção, memória, raciocínio, e resposta motora,

conforme afetam interações entre seres humanos e

outros elementos de um sistema.

Ergonomia Cognitiva

No que concerne as características da anatomia

humana, antropometria, fisiologia e biomecânica

em sua relação à atividade física.

Ergonomia Física

No que concerne a otimização dos sistemas Sócio-

técnicos, incluindo suas estruturas organizacionais,

políticas e processos.

Ergonomia Organizacional

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Figura 2 - Tópicos relevantes das investigações organizacionais, cognitivas e

físicas.

Para cada especialização da Ergonomia, diversificados são os

instrumentos de avaliações. Assim, muitos meios científicos buscam
a compilação dos métodos de avaliação em Ergonomia facilitando a
busca destes instrumentos. Como exemplo, pode-se citar a
Universidade Politécnica de Valência (UPV) que possibilita aos
profissionais de Ergonomia a investigação de diferentes aspectos
ergonômicos dos postos de trabalho
(http://www.ergonautas.upv.es/). No Brasil, há uma tendência em
se realizar facilidades como estas, porém a utilização não é livre e
pode ser encontrada em softwares específicos, como o
Ergolândia(http://www.fbfsistemas.com/ergonomia.html), o ERA \u2013
Análise de Riscos Ergonômicos
(http://www.ergobrasil.com/loja/produto.cfm?cod=4) e o OCRA
(Occupational Repetitive Actions)
(http://www.escolaocra.com.br/software.asp).

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Mesmo com a existência de materiais informatizados para as
avaliações, é possível se utilizar de diferenciados instrumentos ou
de um único instrumento dependendo da situação de trabalho. O
LEST, por exemplo, criado pelo Laboratório de Economia e
Sociologia do Trabalho visa avaliar as condições de trabalho,
estabelecer um diagnóstico final e indicar se cada um dos cenários
considerados na posição é satisfatória, irritantes ou