Engenharia de produção   Tópicos e aplicações
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Engenharia de produção Tópicos e aplicações


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mais isoladas, às populações indígenas e às
comunidades de pequenos produtores familiares, muitas delas
agrupadas em sistemas de cooperativas/associações e consideradas
importantes atores dos novos circuitos da Amazônia. (BAHRI, 2000
apud MIGUEL 2007).

Quanto ao relacionamento das bioindústrias com as
comunidades, pesquisas realizadas pelo Centro de Gestão e Estudos
Estratégicos (CGEE) registram que há articulações de organizações

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não-governamentais com empresas as quais assumem a bandeira
da responsabilidade socioambiental e com os novos espaços de
articulação que surgem entre entidades tais como: Ministério do
Meio Ambiente (MMA), Ministério do Desenvolvimento Agrário
(MDA), Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
(MDS) e outras instituições (CGEE, 2007).

No que se refere às atividades básicas para geração de valor
aos insumos da Amazônia, utilizados no setor de higiene pessoal,
perfumaria e cosméticos, Costa (2007) enfatiza que centros de
pesquisa regionais e nacionais, organizados sob forma de redes de
laboratórios e de pesquisadores, têm-se demonstrado essenciais
para as atividades como o inventário biológico das espécies de valor
econômico, a realização de testes analíticos para identificação de
princípios ativos ou de substâncias para usos na produção e,
principalmente, o desenvolvimento final e ensaios industriais dos
produtos para sua posterior colocação no mercado.

Em torno dos centros de pesquisa supracitados, encontram-se
estruturados os Pólos de Incubação de Empresas de Bases
Tecnológicas, os quais estão voltados para induzir e oferecer
suporte técnico-científico para o desenvolvimento de pequenos e
médios empreendimentos (COSTA, 2007). Dessa forma, ao prover
micro e pequenas empresas com instalações físicas adequadas, com
serviços de apoio compartilhados, consultorias sobre o
funcionamento do mercado, seus aspectos legais e sobre viabilidade
de apoio financeiro junto a órgãos de fomento, as incubadoras de
empresas buscam explorar e potencializar os recursos existentes, de
modo a criar um ambiente favorável ao surgimento e
fortalecimento de novos empreendimentos, transformando suas
incubadas em empresas graduadas bem-sucedidas (VEDOVELLO et
al, 2001).

Na fase em que os produtos são disponibilizados ao mercado,
centros de pesquisa, instituições e empresas podem fazer o
requerimento de patentes do produto e das tecnologias
empregadas ao seu desenvolvimento, bem como a certificação das
etapas do processo de Pesquisa e Desenvolvimento. Para a

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comercialização, também são necessários os registros e os
licenciamentos nos órgãos reguladores (MIGUEL, 2007).
Autorizações para acesso ao Patrimônio Genético Nacional são de
responsabilidade de órgão reguladores como MMA, Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(IBAMA) e Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN). Por
sua vez, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) define,
regulamenta e fiscaliza diversas áreas produtivas, inclusive as
relacionadas a cosméticos (ARRUDA, 2008).

Os produtos do setor são distribuídos através de quatro
canais: distribuição tradicional por meio de atacado e as lojas de
varejo; vendas diretas com consultores; franquias; e e-commerce
(vendas pela internet). Assim, as maiores demandas advêm de lojas
especializadas em produtos naturais, de distribuidores das vendas
diretas, de mercado de terapias alternativas, de terceirização de
marcas, e de outras pequenas fábricas do ramo.

A Figura 3 representa o desenho esquemático da cadeia
produtiva da biodiversidade amazônica, relacionada ao setor de
higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Nesta figura são
registrados os principais estágios, elos componentes e suas
relações, desde a coleta de PFNM, passando pela fabricação dos
produtos do setor, até o atendimento à demanda do mercado
nacional e/ou internacional.

5.1 Transporte

Os maiores gargalos logísticos do setor estão relacionados à
obtenção de PFNM e, dessa forma, situam-se à montante nas
cadeias produtivas. As grandes distâncias dos pontos de coleta das
matérias-primas aos pontos de fabricação de bioprodutos têm como
agravante a carência de infraestrutura de transporte, marcante na
Amazônia. Os principais modais de transporte identificados no
suprimento de insumos da biodiversidade são o rodoviário e o
fluvial. O primeiro é altamente afetado pelas condições das vias, as
quais, em sua maioria, encontram-se em estado precário e bastante

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crítico nos períodos mais chuvosos do ano. Já o modal fluvial
encontra como restrições a reduzida freqüência, a baixa
confiabilidade e a escassez de terminais e armazéns, principalmente
nas comunidades mais longínquas, retratando o sub-
aproveitamento do potencial hidroviário da região.

Figura 3 - Principais Estágios e Elos das Cadeias Produtivas do setor de Higiene
Pessoal, Perfumaria e Cosméticos

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5.2 Informação: sistemas e tecnologias

Limitação também bastante influente no desempenho
logístico das cadeias produtivas da biodiversidade refere-se ao fluxo
de informação. As comunidades coletoras dos PFNM carecem de
maior grau de integração e comunicação com os outros elos da
cadeia, de modo que sejam desenvolvidas operações de maneira
mais eficiente e eficaz. Neste contexto, informações imprecisas ou
incorretas às bioindústrias resultam em perda de produtividade,
sistemas redundantes, lentidão e correções no recebimento de
matéria-prima. Usualmente, muitas comunidades fornecedoras
desenvolvem o extrativismo com técnicas ainda muito rudimentares
(primitivas). Por isso é incidente a falta de padronização dos PFNM.
Adite-se a esse fator a ausência de tecnologias adequadas e a falta
de acesso ao conhecimento científico por parte das comunidades.
Mais à jusante na cadeia, devido à crescente demanda por
\u201cprodutos da biodiversidade\u201d do mercado consumidor
internacional, as bioindústrias do ramo de higiene pessoal,
perfumaria e cosméticos passam por uma fase de
internacionalização de seus produtos, tendo que se adaptar e
direcionar ações para esse novo contexto, de modo a melhor
entender como lidar com aspectos relacionados à legislação voltada
a esses produtos nos principais países consumidores.

5.3 Instalações

Outro importante componente de desempenho logístico na
cadeia de produtiva estudada são as instalações, principalmente
relacionadas ao armazenamento de matérias-primas, haja vista que,
perecíveis, necessitam de condições de armazenamento próprias,
nem sempre seguidas. As instalações destinadas à fabricação dos
produtos finais localizam-se nos centros urbanos e são pertencentes
às bioindústrias atuantes no ramo, isto é, atualmente, as
comunidades extrativistas, salvo exceções, limitam-se à extração da
matéria-prima, o que restringe a agregação de valor aos referidos
produtos nesse elo da cadeia. Particularmente para micro e
pequenas bioindústrias, as instalações voltadas à pesquisa são

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representadas pelas universidades e pelos espaços físicos de
laboratórios de centros de pesquisas, aos quais as incubadoras de
empresas estão vinculadas. As instalações mais à jusante da cadeia
produtiva, e, conseqüentemente, mais próximas aos clientes finais,
são referentes ao atacado e varejo tradicionais, além de lojas
especializadas (franquias). Ressalte-se a redução de custos logísticos
referentes a instalações no caso das vendas domiciliares (diretas) ou
no contexto do e-commerce.

5.4 Estoques

A economia extrativista apresenta limitações