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Os 50 Erros que os terapeutas Mais Cometem

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recentes: TDAH em adultos, 
transtorno bipolar e “lembranças reprimidas” de abusos. 
 
2. Cuidado com a tendência que alguns pacientes têm de rotular os diagnósticos para isentar-se da 
responsabilidade por seu comportamento. Por exemplo, uma universitária foi fazer terapia após ter 
desenvolvido repentinamente uma “fobia social”, quando soube que teria que fazer um discurso na 
formatura da universidade. 
 
Erro nº 12 
1. 
 
Falhas ao avaliar as condições físicas ou clínicas 
 
18
 
Érica, 54 anos, em sua primeira consulta, disse estar prestes a desistir da terapia e da vida. Fora 
diagnosticada com a síndrome da fadiga crônica, mas o tratamento e as medicações anteriores não 
surtiram efeito. O clínico pesquisou a SFC e descobriu que até 60% de tais casos envolviam sérios 
problemas de sono. Após ter conversado sobre o assunto com Érica, ela concordou em fazer uma 
consulta com um especialista em sono, que, por sua vez, identificou e tratou seu problema, 
solucionando a questão. 
 
Embora quase todos os psicoterapeutas sejam treinados para se atentar às condições clínicas 
que poderiam mascarar ou contribuir para os problemas psicológicos dos pacientes, o falso diagnóstico 
de tais problemas é muito comum. Em seu livro Finding Care for Depression (2001), Robert Sealy 
entrevistou aproximadamente 150 ex-pacientes depressivos e descobriu que seus psiquiatras sequer 
consideravam a possibilidade de tais problemas serem resultantes de condições de saúde. 
Considerando que os psiquiatras são médicos, podemos imaginar a pouca frequência com que os 
profissionais não médicos pedem avaliações clínicas a seus clientes. 
 
A literatura científica identificou vários distúrbios nos quais os pacientes foram erroneamente 
diagnosticados como portadores de um problema mental, quando, na verdade, a causa era um 
distúrbio orgânico (um distúrbio orgânico mental ou uma doença física). De 100 pacientes depressivos, 
por exemplo, uma pesquisa concluiu que 18% eram diagnosticados como bipolares ao longo de dois 
anos a contar do diagnóstico inicial (Insel e Charney, 2003). 
 
Alguns desses distúrbios estão relacionados a seguir, juntamente com o problema médico ou 
orgânico possível. 
 
 
Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade 
 
 
Outros perfis de neurodesenvolvimento 
 
 
 
Transtorno de conduta 
 
 
Transtorno bipolar tipo 2 
 
 
 
Transtorno do estresse pós-traumático 
 
 
Trauma cerebral 
 
 
 
Síndrome do pânico 
 
 
Distúrbio da tireóide; acatisias psicofarmacologicamente induzidas por setralina ou outras drogas (inquietação 
interna e, em geral, motora) 
 
 
 
Depressão 
 
 
Síndrome da fadiga crônica; vírus Epstein-Barr; intoxicação medicamentosa (digitalis); Doença de Gaucher (um 
problema geneticamente transmitido no qual quantidades prejudiciais de substância gordurosa acumulam-se 
nos órgãos). 
 
 
 
Esquizofrenia 
 
 
Narcolepsia. 
 
 
 
Demência 
 
 
Surdez. 
 
 
 
Anorexia nervosa 
 
 
Acalásia (aumento do esôfago dificultando a deglutição). 
 
 
 
19
 
Como evitar o erro 
 
 
1. Siga todos os procedimentos-padrão de análise, entre eles a solicitação de um histórico 
médico/mental dos clientes e seus familiares. 
 
2. Pergunte se o paciente passou por uma consulta médica de rotina. Se ele responder que sim, há 
mais de um ano, recomende que faça outra. 
 
Erro nº 13 
1. 
 
Ignorando os recursos do paciente 
 
 
Milton Erickson era especialista em esclarecer e estruturar as capacidades do paciente. Em um de 
seus casos, foi chamado para ir à casa de uma senhora idosa suicida e depressiva, que perdera o 
marido recentemente. Notou que a casa estava cheia de violetas africanas e perguntou sobre elas. 
Ela disse que, há décadas, cuidava de plantas, mas que agora não estava mais interessada nelas. Ele 
também descobriu que em determinado período, ela era assídua frequentadora da igreja. Perguntou 
se ela gostaria de dar como presente de casamento uma de suas plantas cada vez que um casal 
celebrasse o matrimônio na igreja que ela freqüentava. Ela relutou, mas concordou (teria sido difícil 
dizer não a um pedido como esse). Durante muitos anos, ela se dedicou àquele fim, com muito 
orgulho de sua nova missão e no seu enterro, anos mais tarde, compareceram centenas de 
“presenteados com flores”, muito gratos. 
 
A preocupação com o foco nas forças do paciente e não apenas em seus problemas pode 
parecer sem importância num primeiro momento. Afinal de contas, os clientes comparecem às 
consultas terapêuticas com a intenção de focar seus objetivos no que estão fazendo de errado, e não 
no que estão fazendo corretamente. Pode ser, mas também querem sentir-se capazes e confiantes em 
sua capacidade de mudança. A pesquisa de Albert Bandura sobre a auto-eficiência mostrou com 
clareza que os pacientes que acreditam nos seus próprios recursos internos estão muito mais 
inclinados a alcançar resultados terapêuticos positivos. Assim, cria-se um dos grandes dilemas na 
terapia: como ela pode estar direcionada para os objetivos, centrada nos problemas, orientada para o 
déficit de habilidades e voltada para a correção da distorção cognitiva, enquanto constrói no paciente 
uma noção de auto-eficiência? 
 
Para evitar os erros comuns de direcionamento exclusivo sobre áreas problemáticas e pontos 
fracos, é essencial que sejamos tão metódicos na nossa busca pelos pontos fortes dos nossos clientes 
quanto somos na pesquisa do diagnóstico clínico correto. 
 
 
Como evitar o erro 
 
 
1. No inicio da terapia, identifique ocasiões especificas nas quais o cliente tenha obtido sucesso, 
cumprido tarefas similares às metas estabelecidas na terapia. Por exemplo, se o objetivo for o fim 
do consumo de bebidas alcoólicas, os clientes não deveriam lembrar-se somente da frequência 
com que bebem, mas também da quantidade de vezes em que o impulso de beber não resultou no 
consumo de fato (Horvath, 2003). Em outro caso, uma cliente que reclamava de que por mais que 
se esforçasse, não conseguia fazer tarefas difíceis, foi relembrada do seu sucesso nas aulas de 
defesa pessoal, que, no início, ela acreditava ser uma atividade “muito desafiadora”. 
 
2. Reconheça e comemore durante a consulta quaisquer conquistas direcionadas ao objetivo da 
terapia. Muitos clientes, por exemplo, apesar de não cumprirem o que se propõem a fazer fora das 
sessões, conseguem completar uma parte das atribuições ou, ainda, modificar a tarefa de forma a 
concretizá-la. 
 
Alice, que se comprometeu a romper um relacionamento muito antigo e abusivo, não conseguiu 
procurar outras possíveis moradias em sua região. Ela estava preparada para o desapontamento de 
seu terapeuta ao dizer: “não fiz nada do que combinamos ao longo da semana”. Ao invés de 
20
trabalhar com o erro, a conversa revelou que ela falara com seu pai pela primeira vez sobre sua 
situação. Enfrentar a reprovação do seu pai foi, na verdade, uma vitória muito maior que a tarefa 
original que precisava cumprir, e essa “vitória” tornou-se, então, seu ponto de referência para o 
reconhecimento de sua habilidade de enfrentar outros desafios. 
 
 
 
 
III 
 
 
 
Como ignorar 
 
 
a ciência 
 
 
Existe um consenso de que os aconselhadores e psicoterapeutas são muito indiferentes ou 
desconfiados das descobertas feitas por meio de pesquisas. 
 
D. Williams e J. Irving, 1999 
 
 
A ciência da pesquisa quantitativa é vista como antiética quanto aos valores de aconselhamento / 
intermediação voltados para o ser humano e, o que é pior, pode até estar cometendo um tipo de 
violência para com os valores sobre os quais está estruturada a filosofia da terapêutica humanística. 
 
R. House, 1997 
 
 
Em uma pesquisa recente sobre os clínicos da saúde mental,