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Resumo Clínica de Equinos

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Clínica Médica e Cirúrgica de Equinos II 
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Fernanda Ciconello e Carol Comanini 
Afecções de Sistema Digestivo 
 
A ordem de passagem do alimento inicia-se no estômago (baixa capacidade de 
armazenamento, apresentando aproximadamente 0,4 metros, com capacidade de 8 a 15 
litros), duodeno, jejuno, íleo (intestino delgado: até 22 metros com 50 litros), ceco 
(microorganismos, câmara fermentativa, degradação da celulose e produção de ácidos 
graxos voláteis, apresentando 1 metro e 30 litros), cólon ventral direito, flexura esternal, 
cólon ventral esquerdo, flexura pélvica, cólon dorsal esquerdo, flexura diafragmática, cólon 
dorsal direito, cólon transverso, cólon menor (3,5 metros e 20 litros), reto, ânus. 
A presença de alterações morfofuncionais ou do trânsito intestinal, como o aumento 
da secreção de líquidos e redução da absorção, gera uma inflamação dos vasos, que 
causam desidratação e dilatação intestinal. Esse líquido reflui para o estômago, causando 
uma dilatação gástrica. 
A dor é causada devido a modificações dos alimentos, que fermentam e produzem 
gases, dilatando as alças intestinais, o que gera um estímulo de neurônios. 
Existem alguns locais propícios de parada do alimento, os quais são o orifício íleo-
cecal, flexura pélvica (estreita a luz do cólon) e cólon transverso (transição do cólon dorsal 
direito para o cólon menor). 
 
Abdômen Agudo Equino ou Síndrome Cólica 
 
Se a cólica clínica for mal atendida pode se tornar cirúrgica. O tempo que o intestino 
está distorcido é crucial para o sucesso na cirurgia, quanto mais cedo o veterinário tomar 
as medidas preventiva, melhor será o prognóstico. 
O objetivo do exame clínico é identificar rapidamente a necessidade da cirurgia e dar 
um diagnóstico específico. A taxa de sobrevivência está relacionada com a decisão do 
veterinário quanto ao tratamento clínico ou cirúrgico. Entretanto, em casos de dúvida, 
encaminhar para um hospital que tenha condições de realizar cirurgia. 
A cólica pode estar localizada em várias regiões seja no estômago, seja no intestino. 
E a etiologia podem ser por distensão gasosa, por mudança da ração, por mudança de 
ambiente, por compactação etc. O fator idade estará relacionado com alguns tipos mais 
frequentes em potro, cuja causa pode ser por retenção de mecônio ou no cavalo árabe e 
na mula que manifestam sinais clínicos diferentes, um é mais sensível que o outro, 
respectivamente. 
Os fatores predisponentes são a presença de um estômago relativamente pequeno; 
o cavalo não regurgita nem vomita, o que impede o esvaziamento gástrico, logo, ocorre a 
distensão do estômago e se romper e causar peritonite deve-se eutanaziar o animal; a 
posição anatômica do esfíncter cárdia que é muito musculoso; o intestino delgado longo e 
livre na cavidade abdominal, preso apenas na raíz do mesentério; a fermentação no ceco 
e cólon; acúmulo de gases principalmente no intestino delgado que tem baixa capacidade 
de distensão; locais predispostos ao estrangulamento; compactação; baixo limiar à dor; 
animal adaptado à alimentação volumosa e pastejo constante. Sendo assim, alguns fatores 
como parição, água gelada, compactação nos pontos de parada, torção, obstrução e 
hipermotilidade são situações de risco para a cólica equina. 
O intestino delgado é preso apenas na região dorsal da cavidade abdominal, o 
aumento de gases nas alças intestinais e o ato de rolar pode complicar a situação, pois o 
animal termina com as alças todas enoveladas. 
O ceco quando distendido de gás pode empurrar o diafragma e causar uma dispneia 
no cavalo, para aliviar essa situação pode-se realizar uma tiflocentese e a seguir induzir o 
paciente na anestesia para tentar reverter o quadro de cólica. 
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Fernanda Ciconello e Carol Comanini 
A fermentação gasosa é muito mais dolorida e rápida que a cólica por compactação. 
 
Graus de cólica: 
 
A gravidade do processo de cólica depende muito do local de acometimento das 
alças e do tempo. É muito mais grave a cólica que ocorre nos intestinos delgados 
comparado ao cólon ou ao ceco (intestino grosso). Isso se explica pelo fato que o ID tem 
baixa capacidade de distensão e chega a necrosar se ficar distendido com gás, além disso, 
nessa região o cavalo tem maior chance chegar ao quadro de SIRS (síndrome da resposta 
inflamatória crônica). Pode-se realizar como medida de salvamento a enterectomia com 
ressecção e anastomose de até 70% do ID, mas também é comprometido a sobrevivência 
do animal (longevidade do animal). 
“A maior causa de cólica nos equinos é o homem”. Essa frase significa que quando 
o Homem alimenta uma vez ao dia o animal pode causar fermentação em grandes 
quantidades devido à alta quantidade de alimento oferecida de uma só vez. 
Toda vez que se tem uma cirurgia de cólica, tem-se aliado uma peritonite junto que 
deve ser acompanhada durante e no pós-operatório. 
A anatomia do intestino do equino tem algumas particularidades como o cólon ventral 
direito que é bastante saculado, já o mesocólon e cólon menor são mais gordurosos O cólon 
transverso é preso no teto da cavidade e é um local suscetível para compactação de 
alimento e formações de enterólitos gerando dor e cólica. 
A presença de dor por distensão devido a uma compactação na válvula ileocecal 
causa distensão da alça intestinal e inflamação dos vasos intestinais, essa inflamação 
causa edema no intestino delgado onde o cavalo perde líquido do organismo para a luz 
intestinal, consequentemente, desidratando-se. A evolução desse quadro é empurrar o 
conteúdo alimentar para o estômago causando a distensão desse órgão e o animal 
apresentando dor, entrando em hipovolemia, hipotensão, consequentemente, choque, além 
disso, a vasodilatação dos vasos intestinais permite a entrada de bactérias intestinais para 
o sistema levando ao quadro de septicemia, por isso que se demorar muito, ou aplicar 
analgésico prévio, o animal pode vir a óbito, pois ocorre mascaramento dos sinais e a 
situação do quadro se agrava muito levando a um prognóstico ruim. 
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➢ Diagnóstico 
O diagnóstico é realizado com base no exame clínico completo do equino com cólica. 
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• Anamnese 
A anamnese deve ser realizada de maneira objetiva e rápida, durante a realização 
do exame clínico. 
 
• Parâmetros Vitais 
Realiza-se a avaliação dos parâmetros vitais, como frequência cardíaca, frequência 
respiratória, temperatura retal e de extremidades, pulso, coloração das mucosas, TPC, 
turgor cutâneo e movimentação intestinal. 
Assim, alterações como, aumento da frequência cardíaca (normal: 20 a 40 bpm; 
levemente elevada: 40 a 70 bpm; elevada: >70 bpm ) e da frequência respiratória (normal: 
8 a 16 mrpm; Elevada: > 30 mrpm) 
As mucosas congestas ou endotoxêmicas (mucosa pálida, vermelha ou cianótica), o 
TPC aumentado (apresentando de 3 a 4 segundos ou de 5 a 6 segundos no início da cólica). 
O aumento de temperatura (pequeno aumento: 38,9ºC, hipertermia grande aumento: 
> 39,1º C--> animal que fica no sol e está agitado deitando e rolando ou hipotermia --> 
animal toxêmico). 
A desidratação pela alteração no turgor cutâneo, avaliação do hematócrito, da 
proteína total e coloração das mucosas (mucosa branca ainda indica prognóstico bom, a 
mucosa vaginal é um ótimo parâmetro de avaliação do estado do animal, avermelhada a 
roxa, cianótica mais grave o quadro do animal com inflamação sistêmica e tempo de 
reperfusão capilar. 
A auscultação do TGI com ausência de borborígmas intestinais (- :atonia intestinal, 
indicativo de íleo paralítico ou íleus; +: hipomotilidade; ++: normal; +++: hipermotilidade). O 
pulso digital deve estar fraco a ausente. A motilidade depende da causa pode estar em hipo 
ou atonia mau prognóstico e bom prognóstico está relacionado