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Apostila aspecto júridico

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Olá, desejamos as boas-vindas ao curso “Aspectos Jurídicos da Atuação Policial”! 
O curso é composto por três módulos. A divisão dos assuntos foi elaborada para facilitar o aprendizado 
e os conhecimentos serão apresentados gradativamente, mantendo correlação lógica entre as aulas e os 
módulos. A todo o instante, a proposta é buscar ligação entre os aspectos jurídicos e as experiências vivenciadas 
pelo aluno no cotidiano policial, possibilitando o desenvolvimento dos objetivos gerais e específicos traçados. 
Para que você tenha uma ideia do caminho a ser percorrido, observe os objetivos estabelecidos para o 
curso, traçados de acordo com a percepção de que sua aprendizagem deve servir de base para sua atuação 
profissional. 
 
 
Objetivo do curso 
 
Ao final do curso, você será capaz de: 
 
• Apontar os requisitos legais indispensáveis à realização da abordagem pessoal, domiciliar e 
veicular; 
• Reconhecer o valor e respeitar os direitos e garantias fundamentais da pessoa humana, na 
atividade da Segurança Pública; 
• Identificar os principais ilícitos penais correlacionados ao tema, eventualmente praticados por 
pessoas abordadas pela polícia; 
• Identificar os principais ilícitos penais correlacionados ao tema, eventualmente cometidos por 
policiais; 
• Identificar as implicações de ordem civil e administrativa durante uma abordagem mal sucedida; 
• Conhecer quais são as tendências das principais decisões do Poder Judiciário sobre a atuação 
policial; 
• Identificar os critérios e fundamentos para realização da abordagem policial; 
• Entender quais as motivações que levam ao policial a realizar uma abordagem (prevenção, 
orientação geral ao público, fundada suspeita, momento de atuação). 
 
 
 
 
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Estrutura do curso 
 
Este curso abrange os seguintes módulos: 
 
• Módulo 1 – Aspectos constitucionais e normas internacionais aplicados à atuação policial; 
• Módulo 2 – Atuação policial: da prevenção às ações de resgate da paz social e instrução criminal; 
• Módulo 3 – Implicações penais, civis e administrativas sobre a abordagem policial: responsabilidade 
do cidadão e do agente policial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Apresentação do módulo 
 
Na Constituição de 1988 se encontram os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, 
dentre eles o de construir uma sociedade livre, justa e solidária, bem como o de promover o bem de todos. 
Essa norma fundamental traça a estrutura essencial desse Estado, em especial no âmbito da segurança 
pública, conferindo-lhe atribuições (ex.: preservar a ordem pública, que consiste em manutenção e 
reestabelecimento; proteger pessoas e bens), assim como metas e limites para o cumprimento de suas tarefas 
e o exercício do poder. 
Dentro desse contexto, destaca-se a dignidade da pessoa humana, além de um catálogo de 
direitos e garantias fundamentais. 
Ao lado disso, é importante lembrar que o Brasil, nas suas relações internacionais, segue alguns 
princípios, dentre os quais destacam-se: a prevalência dos direitos humanos, a defesa da paz e a solução 
pacífica dos conflitos e a cooperação entre os povos para o progresso da humanidade. 
Normalmente essas relações são firmadas por meio de acordos, tratados, convenções, dentre outros 
atos, regulados pelo Direito Internacional. 
Assim, considerando a atuação no âmbito da segurança pública, é importante destacar que você 
estudará algumas normas internacionais que possuem reflexo na atuação policial, bem como garantias não 
expressas na Constituição Brasileira, e que vinculam sua atividade ou recomendam a observação de algumas 
medidas, podendo ser ou não adotados pelo Brasil, por seu estado ou município. 
 
Neste módulo, você estudará as principais normas constitucionais e os atos normativos internacionais 
que cuidam das atividades de preservação da ordem pública e da proteção de pessoas e bens. 
 
 
Objetivo do módulo 
 
Ao final do módulo, você será capaz de: 
 
• Descrever o que é dever da sua instituição: identificar as normas constitucionais que tratam das 
ações de segurança pública, seus órgãos e atribuições; 
MÓDULO 
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ASPECTOS CONSTITUCIONAIS E NORMAS 
INTERNACIONAIS APLICADAS À SEGURANÇA 
PÚBLICA 
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• Identificar quais normas amparam suas atribuições: identificar as normas constitucionais, bem 
como os princípios relacionados aos direitos e garantias fundamentais que delimitam a atuação dos 
profissionais de segurança pública; 
• Compreender a necessidade de sua atuação (estatal) como instrumento de promoção da 
harmonia no seio da comunidade; 
• Nomear as restrições legais aos direitos humanos fundamentais; 
• Reconhecer as limitações constitucionais da sua atuação policial e as consequências dos desvios 
desses limites na extensão da responsabilidade; 
• Reconhecer o poder que o Estado dá a seus agentes para realizar abordagem; e, 
• Conhecer as normas internacionais que cuidam das ações policiais, com seus efeitos e alcance. 
 
Estrutura do Módulo 
 
Este módulo abrange as seguintes aulas: 
 
• Aula 1 – Visão constitucional sobre o papel dos órgãos policiais; 
• Aula 2 – Restrições constitucionais sobre a atuação policial; 
• Aula 3 – Reflexos das normas internacionais na atividade policial. 
 
 
Aula 1 – Visão constitucional sobre o papel dos órgãos policiais 
 
Como profissional, você sabe que a atividade policial integra as ações de segurança pública, e de acordo 
com os ensinamentos do professor Lazzarini (1999, p. 52), constitui-se como um aspecto da ordem pública, ao 
lado da tranquilidade e da salubridade pública. Tudo isso é concebido dentro de uma estrutura estatal para 
garantir uma convivência harmoniosa entre as pessoas. 
Quem de nós, profissionais de segurança pública, nunca disse “Estou aqui para garantir a ordem 
pública!”, quando na verdade nos referimos à segurança pública. 
 
Mas, no que a ordem pública difere de segurança pública? Não seriam a mesma coisa? 
 
1.1 Segurança pública e ordem pública 
Uma explicação usual diz que, em linhas gerais, a segurança pública é causa da ordem pública, que se 
traduz em um estado antidelitual, livre, portanto, da violação dos bens e valores mais importantes para a 
coletividade (vida, integridade física, liberdade, patrimônio, etc.) e, por isso, tutelados pelas leis, que regulam o 
comportamento de todos. 
Nesse sentido, existe ordem pública, e, consequentemente, segurança pública, quando, por exemplo, 
no dia-a-dia o cidadão tem a liberdade para ocupar espaços públicos, transitar nas ruas a qualquer hora, sem 
sofrer qualquer tipo de prejuízo, violação ou dano (ex.: furto, roubo, sequestro, lesão corporal, homicídio etc.). 
 
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Para enriquecer essa noção, de acordo com Meirelles (Apud LAZZARINI, 1999, 93), ordem pública é: 
 
[…] a situação de tranquilidade e normalidade que o Estado assegura – ou deve 
assegurar – às instituições e a todos os membros da sociedade, consoante às normas 
jurídicas legalmente estabelecidas [...] abrange e protege também os direitos 
individuais e a conduta lícita de todo o cidadão, para coexistência pacífica de toda a 
comunidade. Tanto ofende a violência contra a coletividade ou contra as instituições 
em geral, como os atentados aos padrões éticos e legais de respeito à pessoa 
humana [...] é situação fática de respeito ao interesse da coletividade e aos direitos 
individuais que o Estado assegura, pela Constituição e pelas leis, a todos os membros 
da comunidade.