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Aula13 Apostila1 2E265AOINW

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TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO 
 
Direito Administrativo 
 
Improbidade Administrativa 
Lei nº 8.429/92 
 
Professor Edson Marques 
 
 
 
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Direito Administrativo 
Tribunal Regional Federal da 1ª Região 
Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92) 
Prof. Edson Marques 
 
 
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SUMÁRIO 
 
1.1 Improbidade Administrativa .................................................................. 3 
1.2 Sujeitos da Improbidade ....................................................................... 6 
1.3 Agentes políticos ................................................................................. 7 
1.4 Agentes administrativos ..................................................................... 11 
1.5 Servidores públicos ............................................................................ 12 
1.6 Empregados públicos ......................................................................... 12 
1.7 Servidores temporários ...................................................................... 13 
1.8 Agentes delegados ............................................................................. 13 
1.9 Agentes honoríficos ............................................................................ 13 
1.10 Agentes credenciados......................................................................... 13 
1.11 Outros .............................................................................................. 14 
1.12 Terceiro ............................................................................................ 14 
1.13 Espécies ou modalidades .................................................................... 15 
1.14 Ato de improbidade que importe em enriquecimento ilícito ..................... 15 
1.15 Ato de improbidade que causa lesão ao erário ....................................... 17 
1.16 Ato de improbidade decorrente da concessão ou aplicação indevida de 
benefício financeiro ou tributário.......................................................... 19 
1.17 Ato de improbidade que atenta contra os princípios da administração ...... 20 
1.18 Do Processo Administrativo ................................................................. 21 
1.19 Do Processo Judicial ........................................................................... 22 
1.20 Da Prescrição .................................................................................... 26 
1.21 Das Disposições Penais....................................................................... 26 
1.22 Questões Comentadas ........................................................................ 28 
1.23 Questões Selecionadas ..................................................................... 126 
1.24 Gabarito ......................................................................................... 150 
 
 
 
 
Direito Administrativo 
Tribunal Regional Federal da 1ª Região 
Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92) 
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Improbidade Administrativa 
 
Prevê a Constituição Federal em seu art. 37, §4º, o princípio da probidade 
administrativa ao estabelecer que “os atos de improbidade administrativa 
importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função 
pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na 
forma e gradação prevista em lei, sem prejuízos da ação penal cabível”. 
 
Com efeito, o princípio da probidade administrativa é uma qualificação do 
princípio da moralidade administrativa, ou seja, entendeu o legislador 
constituinte de conferir tratamento de destaque à probidade administrativa. 
 
Nesse sentido, o renomado Professor José Afonso da Silva destaca que “o 
princípio da probidade administrativa é uma forma de moralidade 
administrativa que mereceu consideração especial pela Constituição, 
que pune o ímprobo com a suspensão dos direitos políticos (art. 37, 
§4º)”. 
 
Define o mestre que “a probidade administrativa consiste no dever do 
funcionário de servir à Administração com honestidade, procedendo no 
exercício das suas funções sem aproveitar os poderes ou facilidades 
delas decorrentes em proveito pessoal ou de outrem a quem queira 
favorecer. Cuida-se de uma imoralidade administrativa qualificada”. 
 
É importante dizer que o referido dispositivo constitucional é norma que exige 
complemento, ou seja, trata-se de norma de eficácia limitada. 
 
Por isso, a fim de regulamentar o preceito constitucional, foi editada a Lei nº 
8.429/92, denominada de Lei de Improbidade Administrativa (LIA), que 
dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de 
enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou 
função na administração pública direta, indireta ou fundacional. 
 
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Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92) 
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Deve-se observar que a sanção por improbidade administrativa não tem 
natureza penal, na medida em que a Constituição dispôs que a sanção de 
improbidade não traz prejuízo à ação penal cabível. 
 
Significa dizer, portanto, que a ação judicial por ato de improbidade 
administrativa tem natureza de ação civil, ou seja, não tem natureza de ação 
criminal. 
 
Portanto, a Lei de Improbidade não trata de ilícitos penais, não aplica ou 
impõe penalidades criminais por violação ao princípio da probidade, ou seja, é 
uma lei que impõe sanções de natureza civil, política e administrativa, 
mas não penal, muito embora haja previsão de ilícito criminal àquele que 
represente por ato de improbidade sabendo-o ser falso, conforme o seguinte: 
 
Art. 19. Constitui crime a representação por ato de improbidade 
contra agente público ou terceiro beneficiário, quando o autor da 
denúncia o sabe inocente. 
Pena: detenção de seis a dez meses e multa. 
Parágrafo único. Além da sanção penal, o denunciante está sujeito 
a indenizar o denunciado pelos danos materiais, morais ou à 
imagem que houver provocado. 
 
Nesse sentido, Supremo Tribunal Federal já se manifestou em diversas 
assentadas que a Lei nº 8.429/902 não tem natureza penal, conforme 
assim consignado: 
 
“O Tribunal concluiu julgamento de duas ações diretas ajuizadas 
pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público - 
CONAMP e pela Associação dos Magistrados Brasileiros - AMB para 
declarar, por maioria, a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do art. 
84 do Código de Processo Penal, inseridos pelo art. 1º da Lei 
10.628/2002 — v. Informativo 362. Entendeu-se que o § 1º do art. 
84 do CPP, além de ter feito interpretação autêntica da Carta 
Magna, o que seria reservado à norma de hierarquia constitucional, 
usurpou a competência do STF como guardião da Constituição 
Federal ao inverter a leitura por ele já feita de norma 
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constitucional, o que, se admitido, implicaria submeter a 
interpretação constitucional do Supremo ao referendo do legislador 
ordinário. Considerando, ademais, que o § 2º do art. 84 do CPP 
veiculou duas regras — a que estende, à ação de improbidade 
administrativa, a competência especial por prerrogativa de função 
para inquérito e ação penais e a que manda aplicar, em relação à 
mesma ação de improbidade, a previsão do § 1º do citado