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Aula13 Apostila1 2E265AOINW

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de suas funções decisórias. 
 
(...) É o que elucida o saudoso HELY LOPES MEIRELLES, em sua 
obra "Direito Administrativo Brasileiro" (18ª ed., pág. 72): "Os 
agentes políticos exercem funções governamentais, judiciais e 
quase-judiciais, elaborando normas legais, conduzindo os negócios 
públicos, decidindo e atuando com independência nos assuntos de 
sua competência. São as autoridades públicas supremas do 
Governo e da Administração na área de sua atuação, pois não estão 
hierarquizadas, sujeitando-se apenas aos graus e limites 
constitucionais e legais de jurisdição. Em doutrina, os agentes 
políticos têm plena liberdade funcional, equiparável à 
independência dos juizes nos seus julgamentos, e, para tanto, 
ficam a salvo de responsabilidade civil por seus eventuais erros de 
atuação, a menos que tenham agido com culpa grosseira, má-fé 
ou abuso de poder. Nesta categoria encontram-se os Chefes 
de Executivo (Presidente da República, Governadores e 
Prefeitos) e seus auxiliares imediatos (Ministros e 
Secretários de Estado e de Município); os membros das 
Corporações Legislativas (Senadores, Deputados e 
Vereadores); os membros do Poder Judiciário (Magistrados 
em geral); os membros do Ministério Público (Procuradores 
da República e da Justiça, Promotores e Curadores 
Públicos)..." 
 
Aqui, porém, fica uma ressalva. É que o STF, no julgamento da Reclamação nº 
2.138/RJ, asseverou que "A Constituição não admite a concorrência entre dois 
regimes de responsabilidade político-administrativa para os agentes políticos: o 
previsto no art. 37, §4º (regulado pela Lei n° 8.429/1992) e o regime fixado no 
art. 102, I, "c", (disciplinado pela Lei n° 1.079/1950)". 
 
Com isso, o STF firmou orientação no sentido de que agentes políticos 
submetidos ao regime especial de responsabilização da Lei 1.079/50 
não podem ser processados por crimes de responsabilidade e pelo 
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Tribunal Regional Federal da 1ª Região 
Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92) 
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regime da Lei de Improbidade Administrativa, sob pena da usurpação de 
sua competência e principalmente pelo fato de que referidos diplomas (LIA e Lei 
1.079/1950) preveem sanções de ordem política, como, v. g., infere-se do art. 
2º da Lei n. 1.079/50 e do art. 12 da Lei n. 8.429/92. 
 
É que, nesse caso, haveria possibilidade de bis in idem, com dupla punição 
política por um ato tipificado nas duas leis. Vejamos: 
 
INFORMATIVO Nº 471 
TÍTULO: Improbidade Administrativa e Competência - 7 
PROCESSO: Rcl - 2138 
ARTIGO 
Quanto ao mérito, o Tribunal, por maioria, julgou procedente a 
reclamação para assentar a competência do STF para julgar o feito 
e declarar extinto o processo em curso no juízo reclamado. Após 
fazer distinção entre os regimes de responsabilidade 
político-administrativa previstos na CF, quais sejam, o do 
art. 37, § 4º, regulado pela Lei 8.429/92, e o regime de 
crime de responsabilidade fixado no art. 102, I, c, da CF e 
disciplinado pela Lei 1.079/50, entendeu-se que os agentes 
políticos, por estarem regidos por normas especiais de 
responsabilidade, não respondem por improbidade 
administrativa com base na Lei 8.429/92, mas apenas por 
crime de responsabilidade em ação que somente pode ser 
proposta perante o STF nos termos do art. 102, I, c, da CF. 
Vencidos, quanto ao mérito, por julgarem improcedente a 
reclamação, os Ministros Carlos Velloso, Marco Aurélio, Celso de 
Mello, estes acompanhando o primeiro, Sepúlveda Pertence, que 
se reportava ao voto que proferira na ADI 2797/DF (DJU de 
19.12.2006), e Joaquim Barbosa. O Min. Carlos Velloso, tecendo 
considerações sobre a necessidade de preservar-se a observância 
do princípio da moralidade, e afirmando que os agentes políticos 
respondem pelos crimes de responsabilidade tipificados nas 
respectivas leis especiais (CF, art. 85, parágrafo único), mas, em 
relação ao que não estivesse tipificado como crime de 
responsabilidade, e estivesse definido como ato de improbidade, 
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Tribunal Regional Federal da 1ª Região 
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deveriam responder na forma da lei própria, isto é, a Lei 8.429/92, 
aplicável a qualquer agente público, concluía que, na hipótese dos 
autos, as tipificações da Lei 8.429/92, invocadas na ação civil 
pública, não se enquadravam como crime de responsabilidade 
definido na Lei 1.079/50 e que a competência para julgar a ação 
seria do juízo federal de 1º grau. Rcl 2138/DF, rel. orig. Min. Nelson 
Jobim, rel. p/ o acórdão Min. Gilmar Mendes, 13.6.2007. (Rcl-
2138) 
 
Contudo, o próprio STF vem mitigando a aplicação dessa decisão, em razão de 
ter sido proferida em sede de controle concreto de constitucionalidade, 
produzindo efeitos apenas inter partes. Vejamos: 
 
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NA RECLAMAÇÃO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA 
POR ATO DE IMPROBIDADE COM TRÂNSITO EM JULGADO. EX PREFEITO. 
ALEGAÇÃO DE AFRONTA AO QUE DECIDIDO NA RECLAMAÇÃO 2.138 E 
NO AGRAVO REGIMENTAL NA RECLAMAÇÃO 6.034. AGRAVO 
REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. As decisões 
proferidas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal nas 
Reclamações 2.138/DF e 6.034/SP têm efeitos apenas inter 
partes, não beneficiando, assim, o ora Agravante. 2. Inviável o 
agravo regimental no qual não são impugnados todos os fundamentos da 
decisão agravada. 3. Não cabe Reclamação contra decisão com trânsito 
em julgado. Súmula STF n. 734. 4. Agravo regimental ao qual se nega 
provimento. (Rcl 8221 AgR, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal 
Pleno, julgado em 25/02/2010) 
 
Agentes administrativos 
 
Agentes administrativos são todos aqueles agentes que estão submetidos à 
hierarquia funcional, não sendo membro de poder, não exercendo funções 
políticas ou governamentais, estando sujeitos ao regime jurídico da entidade a 
que servem. 
 
Nesse conceito estão todos os que têm com os entes Políticos (Administração 
Direta) e entidades administrativas (Administração Indireta) vínculo funcional 
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Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92) 
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ou relação laboral, de natureza profissional e caráter não eventual, sob vínculo 
de dependência. 
 
Por isso, dividem-se em servidores públicos, empregados públicos e funcionários 
temporários. 
 
Servidores públicos 
 
Servidores públicos são todas as pessoas físicas que ocupam um cargo público 
mantendo vínculo de subordinação com o Estado ou com suas entidades 
mediante retribuição pecuniária. 
 
Vale lembrar que cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades 
previstas em uma estrutura organizacional, que devem ser cometidas a um 
servidor (art. 3º, Lei nº 8.112/90), que são criados por lei e com denominação 
própria e vencimento pago pelos cofres públicos, cujo provimento poderá ser em 
caráter efetivo ou em comissão. 
 
Assim, teremos servidores públicos de cargos efetivos (concursados) e 
servidores públicos de cargos comissionados (cargos de Direção e 
Assessoramento Superior). 
 
Empregados públicos 
 
Empregados públicos são pessoas físicas que ocupam emprego público, ou 
seja, são os contratados sob o regime da legislação trabalhista (celetistas) por 
prazo indeterminado. 
 
Via de regra, os empregados públicos são contratados, por meio de seleção ou 
concurso público, e ocupam postos nas empresas

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