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PALESTRA 1

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30 ANOS DE CONSTITUIÇÃO FEDERAL
RESUMO DAS PALESTRAS
Discente: Mateus José Resende
2º Período- Direito
2018.1
Primeira Palestra
Tema: Judicialização da Saúde
Palestrante: Renato Luiz Dresch.
Mestre em Direito. Desembargador do TJMG, Professor da Faculdade Arnaldo (BH), Coordenador do Comitê Executivo Estadual da Saúde e Membro do Comitê Executivo Nacional da Saúde do Concelho Nacional de Justiça.
	Notamos que, a sociedade Contemporânea é encarretada de fenômenos que influenciam a vida do cidadão. No qual, nessa palestra destaca-se um desses fenômenos: a Judicialização da Saúde.
	Primeiramente, o significado de “judicialização” trata-se de um fenômeno mundial por meio do quais importantes questões políticas, sociais e morais são resolvidas pelo Poder Judiciário ao invés de ser solucionados pelo poder competente, seja este o Executivo ou o Legislativo. Ou seja, é quando o fenômeno da judicialização leva ao conhecimento do Judiciária a matéria que não foi resolvida, como deveria, pelo Poder Executivo ou pelo Poder Legislativo. 
	Esse fenômeno foi originado após a Segunda Guerra Mundial, em razão que algumas nações notaram que um Judiciário forte e independente traz, naturalmente, um favorecimento à democracia. Atualmente, há um desencanto generalizado do cidadão com a política. Em consequência que, os representantes políticos, na maioria dos países, estão deixando a desejar através de suas gestões permeadas pela corrupção. Exigindo assim, um controle e uma fiscalização reforçada. 
	Levando em destaque o foco principal, a Constituição Federal Brasileira, é extremamente abrangente a esse assunto, porque trata de temas não só organizacionais do Estado, mas também do meio ambiente, saúde, trabalho, assistência ao idoso e outros. Assim, abrindo um espaço para que o Poder Judiciário interfira nessas questões relevantes social e politicamente.
	Valem ilustrar esse assunto, alguns casos reais de judicialização ocorridos recentemente em nosso país: 
Casos de judicialização da política:
Rito do processamento do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff analisado pelo STF (Superior Tribunal Federal);
Definição do afastamento do presidente da Câmara dos Deputados, também realizado pelo STF.
Casos de judicialização da vida:
Reconhecimento da possibilidade de união estável entre pessoas do mesmo sexo, assim decidida pelo STF, no ano de 2011, em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade 4277 e Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental 132.
STJ, após a decisão do STF acima, entendeu pela possibilidade de conversão da união estável homoafetiva em casamento.
Definição, tratamento e facilitação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, sob determinação do Concelho Nacional de Justiça em Resolução editada em 2013, com o fim proporcionar efetivação ao entendimento do STF e do STJ supramencionados.
Para a maior reflexão, vale mencionar também dois fatos conhecidos casos de judicialização ocorridos nos Estados Unidos:
Caso de judicialização da política:
No ano de 2000, a Suprema Corte Norte-americana realizou a definição das eleições presidenciais,
Casos de judicialização da vida:
A Suprema Corte dos EUA, em 2015, assegurou o casamento entre pessoas do mesmo sexo tudo o país. 
Pesamos bem! É importante citarmos algumas das críticas feitas pela Doutrina acerca da Judicialização: A principal delas é a sobrecarga do Poder Judiciário, que fica inflado com causas que, em tese, não precisariam ser definidas por ele. Outrossim, tal fenômeno pode ser ensejo à violação à separação dos poderes, em razão do intenso poder colocado nas mãos do Judiciário para resolução de causas e conflitos que poderiam se resolvidos pelos demais poderes.
Entretanto, nesse diapasão, pode-se dizer que a utilização desse fenômeno da judicialização é de suma importância para a aplicação do Sistema de Freios e Contrapeso entre os Poderes, consagrado pelo pensador francês Montesquieu. Contudo, deve ser utilizado com moderação, com uma espécie de última alternativa, de forma a evitar a sobrecarga do Poder Judiciário, bem como uma possível violação ao Princípio da Separação dos Poderes.
Agora caminhando para o tema a judicialização da Saúde, analisamos dentre os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988, no título destinado à ordem social, que tem como objetivo o bem-estar e a justiça social, no seu Art. 6º, estabelece como direitos sociais fundamentais a educação, a saúde, o trabalho, o direito à saúde figura entre os mais debatidos nos âmbitos acadêmicos, doutrinário e judicial. É relevante o debate sobre o conceito da saúde e a abrangência desse direito, e deve ser realizado não apenas pelos juristas, mas por toda a sociedade. Em norma, a Constituição Federal de 1988 constitui-se marco histórico da proteção constitucional à saúde, de modo que, antes da sua promulgação, os serviços e ações de saúde eram destinados apenas a determinados grupos, os que poderiam de alguma forma, contribuir, ficando de fora as pessoas que não possuíam condições financeiras para custear o seu tratamento de forma particular e os que não contribuíam para a Previdência Social. 
Assim, a judicialização da saúde refere-se à busca do Judiciário como a última alternativa para obtenção do medicamento ou tratamento ora negociado pelo SUS, seja por falta de previsão na RENAME (Relação Nacional de Medicamentos), seja por questões orçamentárias. É o reflexo de um sistema de saúde deficitário, que não consegue concretizar a contento a proteção desse Direito Fundamental. O palestrante Dr. Renato Luis Dresch, questiona “o que podemos fazer para essa temática?” Com a expansão da judicialização tem preocupado gestores e juristas, no qual, pode conduzir a um desequilíbrio do orçamento, prejudicando políticas públicas já avençadas.
Como a Revolta da Vacina, em que durante o mês de novembro de 1904, no Rio de Janeiro durante a governança do presidente Rodrigues Alves ao convocar o médico sanitarista Oswaldo Cruz que, de imediato pôs em marcha um ambicioso plano de saneamento e higienização da cidade. E podemos aproveitar esse momento, comparar com os fatos atuais como a crise na saúde e as ameaças que rodeia a vida do cidadão.
O mundo jurídico vem à busca da efetivação de prerrogativas presente na Constituição de cada Estado de Direito: a judicialização. É fato que o sistema de saúde no país não tem sido capaz de efetivar a contento o Direito à Saúde a todas as pessoas, conforme previsão da Constituição Federal. Nessa esteira, muitas vezes o Judiciário acaba sendo a última alternativa de muitos pacientes para obtenção de um medicamento ou tratamento. Mas o que deveria ser uma exceção tem se tornado cada vez mais frequente, de modo que, em 2010, os gastos com demandas judiciais individuais somaram o equivalente a quase 2% do orçamento total da saúde. Causando um caos ao orçamento, desiquilibrando a consecução de políticas públicas. Contudo, não se pode olvidar o paciente que buscou a Justiça, pois receber atendimento é um direito. Caracterizado do artigo 196 aos 200 da CF.
Esses artigos deixa claro o direito da saúde ao cidadão e os deveres do Estado com o povo. Porém, nos surge uma nova problemática como a pílula do câncer (a fosfoetanolamina)- substância que tem sido utilizada como tratamento por pacientes oncológicos graças a estudos do professor Gilberto Orivaldo Chierice, da USP. O Texto foi encaminhado para votação no senado, sendo determinado, por decisão do ministro Edson Fachin, do STF, que a USP fornecesse o produto a um paciente do Rio de Janeiro, que se encontrava em estado terminal de câncer, levando esse fenômeno de “judicialização da Saúde”. No qual vem uma enxurrada de ações que solicita medicamentos e outros produtos a municípios, estados e União. E por meio disso, gerando inúmeros questionamentos e críticas.
Por isso, é necessário que a interpretação do STF em relação da judicialização, seja embasada por análises técnicas cientificas, no qual garantem a eficácia e a segurança

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