Artigo Infraestrutura verde
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Artigo Infraestrutura verde


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da rua Siskiyou em 
Portland, Oregon, com 
seus jardins de chuva
Crédito: Nathaniel S. 
Cormier
Figura 3: 
Jardim de chuva da 
Biblioteca Maple 
Valley, Maple Valley, 
Washington
Crédito: Nathaniel S. 
Cormier
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nathaniel s . Cormier ; Paulo renato mesquita Pellegrino
carrega os poluentes do leito carroçável, e, o mesmo tempo, ao ser estreitado, diminuiu a 
velocidade de veículos, criando um ambiente mais atraente e seguro para os pedestres. Esses 
jardins de chuva são identificados por meio de placas interpretativas e são mantidos pelos 
moradores próximos. 
Já o jardim de chuva da biblioteca do Maple Valley recebe a água pluvial que vem de sua 
cobertura. O prédio tem a forma de \u201cU\u201d ao redor de uma bacia central. 
Nesse caso aqui, a poluição não é um problema, então o jardim de chuva é simplesmente 
uma grande bacia de infiltração composta de cascalho. 
No jardim de chuva pode ser incorporado, igualmente, um padrão de plantio mais formal, 
como nos apartamentos de Buckman Heights, onde a água pluvial dos telhados e dos pisos 
externos é direcionada para um jardim central de infiltração. Não é, portanto, uma questão de 
estilo mais ou menos naturalístico de projeto que deve influir em sua adoção. Todos os gostos 
podem participar. 
TiPoloGiA: CANTEiro PluViAl
Canteiros pluviais são basicamente jardins de chuva que foram compactados em pequenos 
espaços urbanos. Um canteiro pode contar, além de sua capacidade de infiltração, com um 
extravasador, ou, em exemplos sem infiltração, contar só com a evaporação, evapotranspiração 
e transbordamento. 
Como a garagem do Liberty Center demonstra, os canteiros pluviais podem compor com 
quase qualquer edificação ou área, até mesmo em um meio urbano densamente construído. 
Nesse caso, um buzinote verte a água escoada do telhado até os canteiros no mesmo nível 
da calçada. 
Já no Mercado New Seasons, em Portland, os canteiros pluviais recebem o escoamento 
superficial entre a calçada e a rua. 
Figura 4: Jardim de chuva do conjunto de apartamentos Buckman Heights em Portland, Oregon
Crédito: Nathaniel S. Cormier
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infra- estrutura Verde : uma Estratégia Paisagística para a Água urbana
Figura 5: 
Esquema de um canteiro pluvial
Crédito: Nathaniel S. Cormier
Figura 6: 
Canteiro pluvial ao lado da 
garagem do Liberty Center em 
Portland, Oregon 
Crédito: Nathaniel S. Cormier
Figura 7: 
Os canteiros pluviais junto 
do New Seasons Market, em 
Portland, Oregon 
Crédito: Nathaniel S. Cormier
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TiPoloGiA: BioVAlETA
As biovaletas, ou valetas de biorretenção vegetadas, são semelhantes aos jardins de chuva, 
mas geralmente se referem a depressões lineares preenchidas com vegetação, solo e demais 
elementos filtrantes, que processam uma limpeza da água da chuva, ao mesmo tempo em 
que aumentam seu tempo de escoamento, dirigindo este para os jardins de chuva ou sistemas 
convencionais de retenção e detenção das águas. 
Desse modo, cabe aos jardins de chuva fazerem a maior parte do trabalho de infiltração 
no solo, mas a biovaleta também contribui, filtrando os poluentes trazidos pelo escoamento 
superficial ao longo de seu substrato e da vegetação implantada. A luz do sol, o ar e os mi-
crorganismos decompõem os poluentes que ficam retidos na vegetação. Eles são, geralmente, 
usados para tratar os escoamentos de ruas e de estacionamentos.
Um dos primeiros projetos de biovaletas em Seattle foi chamado Street Edge Alternatives ou 
Sea Street. Nesta rua, um trecho reto foi substituído por um traçado curvilíneo, o que forneceu 
condições para criação de uma série de biovaletas de um dos lados da rua para receber o 
escoamento das chuvas. Além dos benefícios hidrológicos e ecológicos para o curso d\u2019água em 
cuja bacia hidrográfica essa área se situa, também contribuiu para a diminuição da velocidade 
do trânsito e a valorização das propriedades lindeiras.
As biovaletas são compostas de células ligadas em série, de modo a seu extravasamento 
dar-se em seqüência, seguindo a declividade do terreno. Contribuindo para a sedimentação 
dos poluentes, cada trecho é iniciado por uma bacia de sedimentação. Nesse caso, cada uma 
das células é cuidada pelo morador defronte, como parte de sua paisagem residencial.
Figura 9: 
Esquema de uma quadra da 
Street Edge Alternatives em 
Seattle, Washington 
Crédito: Seattle Public Utilities
Figura 8: 
Esquema de uma biovaleta
Crédito: Nathaniel S. Cormier
superfície plantada
guia com
entrada de água
solo com
composto orgânico
brita
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No parque de East Esplanade, beirando o rio Willamette, em Portland, as biovaletas 
captam e tratam os escoamentos dos estacionamentos e das áreas de circulação de veículos, 
impedindo que os poluentes difusos, os quais se depositam nessas superfícies, atinjam dire-
tamente o rio. 
Até mesmo espaços estreitos são muito úteis. No Museu de Ciências e Indústria de Oregon 
(OMSI), também ao lado do rio Willamette, as biovaletas são colocadas entre as fileiras de 
vagas de seu estacionamento para desacelerar e limpar seu escoamento superficial antes de 
este chegar ao rio.
Figura 10: 
Uma das células da Street Edge 
Alternatives em Seattle, Washington
Crédito: Nathaniel S. Cormier
Figura 11: 
A biovaleta do parque East 
Esplanade em Portland, Oregon
Crédito: Nathaniel S. Cormier
Figura 12: 
A biovaleta do estacionamento do 
New Seasons Market em Portland, 
Oregon
Crédito: Nathaniel S. Cormier
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TiPoloGiA: lAGoA PluViAl
As lagoas pluviais funcionam como bacias de retenção e recebem o escoamento superficial 
por drenagens naturais ou tradicionais. Uma característica dessas estruturas é que uma parte 
da água pluvial captada permanece retida entre os eventos de precipitação das chuvas. Dessa 
forma, essas tipologias paisagísticas acabam se caracterizando como um alagado construído, 
mas que não está destinado a receber efluentes de esgotos domésticos ou industriais. Sua 
capacidade de armazenamento acaba sendo o volume entre o nível permanente da água que 
contém e o nível de transbordamento aos eventos para os quais foi dimensionada. 
A lagoa pluvial é uma estrutura a exigir mais espaço que as tipologias anteriores, mas de-
sempenha um papel importante por sua possibilidade de armazenar grandes volumes de água, 
e, por suas dimensões e volume de carga, pode ser comparável aos chamados piscinões, como 
são conhecidas as bacias de detenção em São Paulo. Mas, ao invés dessas, podem receber 
projetos que criam banhados, valiosos como hábitat, recuperam a qualidade da água e podem 
até se tornarem lugares de recreação e lazer, valorizando seu entorno.
A lagoa Meadowbrook, em Seattle, foi construída como uma bacia de retenção off-line junto 
de um córrego urbano, visando coletar o excesso de escoamento que este pode suportar para 
determinados eventos. Quando o nível da água do córrego aumenta, parte dela transborda 
para dentro do lago para ser liberada lentamente depois da chuva.
Uma entrada recebe a água que extravasa do córrego, e como a Figura 14 mostra, um 
passadiço cancela a visão do extravasador da bacia. 
Essa lagoa pluvial se tornou um importante hábitat na área urbana para os pássaros e 
outras espécies da vida silvestre.
Figura 14: 
Uma visão da lagoa Meadowbrook, 
Seattle, Washington
Crédito: Nathaniel