Livro - Gestão Tributária
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A tributação
é a forma de arrecadação de recursos do Estado e da con-
seqüente manutenção de sua estrutura.

É com a arrecadação tributária que o Estado aufere
recursos para a consecução de seus fins. Os tributos apre-
sentam, ao longo da história, um caráter de imposição ao
indivíduo. Nos regimes absolutistas, era uma imposição
da vontade do próprio detentor do poder. Portanto, não
havia para o contribuinte uma forma de se abster de seu
pagamento. Ele poderia, contudo, por meio de insurreição
armada, pelo processo revolucionário, abster-se da exigên-
cia do tributo.

A primeira exigência legal de que se tem notícia, por
parte dos contribuintes, de uma organização legal do sis-
tema tributário remonta da Carta Inglesa de 1215 (Magna
Carta), quando os lordes limitaram o poder da Coroa
Inglesa, fazendo com que surgisse, nesse momento histó-
rico, a primeira noção de legalidade.

O desenvolvimento do sistema tributário como conhe-
cemos atualmente remonta ao século XIX, na Itália; já no
século XX, mais especificamente durante a década de 1920,

houve o surgimento de uma doutrina jurídico-tributária.
No Brasil, os primeiros ensaios de uma legislação tri-

butária aconteceram na década de 1950, quando Osvaldo
Aranha era ministro da Fazenda. Como em 1954 houve o
suicídio de Getúlio Vargas, o projeto de lei não prosperou.
Foi somente na década de 1960 que começou a surgir uma

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nova doutrina, com características brasileiras, com o direito
tributário, ganhando, portanto, autonomia como ramo do
direito. Somente em 1965, com a Emenda Constitucional
n° 18 (à Constituição de 1946) é que o Sistema Tributário
Nacional ganhou forma, passando a vigorar até os dias de
hoje. Somente algumas modificações pontuais foram rea-
lizadas no atual sistema. O Código Tributário Nacional
(CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966) é conseqüên-
cia da transformação ocorrida na década de 1960, vindo a
ser recepcionado pela Constituição Federal (CF) de 1988.

(1.2)

conceito de tributo

Consta no CTN:

Art. 3º Tributo é toda a prestação pecuniária compulsória, em

moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não consti-

tua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante

atividade administrativa plenamente vinculada.

A definição de tributo pode ser extraída do art. 3° do
CTN, como sendo toda a prestação pecuniária compulsória

\u201cem moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não
constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada
mediante atividade administrativa plenamente vinculada.\u201d
Desse conceito legal podem-se extrair aspectos relevantes:

Compulsoriedadea. \u2013 não pode ser denominado tributo
toda e qualquer obrigação, mas somente aquela que
tenha o caráter de compulsoriedade, de obrigatorie-
dade. O texto constitucional refere-se especificamente

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aos empréstimos compulsórios e às contribuições
especiais ou parafiscais. Contudo, não se pode per-
der a noção de que tributos são, também, e em sen-
tido estrito, os impostos, as taxas e as contribuições de
melhoria.
Prestação expressa em moedab. \u2013 a obrigação tributária
deve ser expressa em moeda (dinheiro) ou em outro
valor nela baseado.
Não se constitua em ato ilícitoc. \u2013 nenhum tributo tem
como fato gerador um ato ilícito; ou seja, o tributo não
tem caráter punitivo. O tributo, portanto, se diferen-
cia substancialmente da multa.
Instituído por leid. \u2013 todo e qualquer tributo tem como
fonte um ato normativo em sentido estrito: a lei.
Atividade administrativa vinculadae. \u2013 ao sujeito pas-
sivo da obrigação tributária, o contribuinte, é exigido
recolher aos cofres públicos uma importância determi-
nada, constituída pelo crédito tributário. Sua cobrança
é efetivada pela administração pública sem qualquer
margem de discricionariedade. A administração tribu-
tária deve obediência aos preceitos legais informado-
res do processo de recolhimento dos tributos.

Resumindo o que vimos até agora, conforme o art. 3o
do CTN, imposto é:

Prestação pecuniária \u2013 paga em moeda; \u25aa
Compulsório \u2013 coação/obrigação; \u25aa
Não é sanção \u25aa \u2013 não é uma pena; existe para que o
Estado se desenvolva, invista;
Instituído em lei \u25aa (princípio da legalidade, CF, art. 150, I) \u2013
para que sejam instituídos, os tributos devem ser objeto
de lei.

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Espécies de receitas

O direito tributário é responsável pela arrecadação dos
fundos necessários ao Estado para que seus objetivos
sejam viabilizados. No entanto, a arrecadação tributária
representa apenas uma parcela da atividade arrecadadora
do Estado. O orçamento público é formado por dois tipos
de receitas: as originárias e as derivadas.

As receitas originárias são aquelas que derivam
das atividades de exploração pelo Estado do patrimônio
público, como as locações, a compra e a venda de bens imó-
veis, a exploração de atividade econômicas, entre outras.

As receitas derivadas são aquelas decorrentes da arre-
cadação dos tributos: impostos, taxas, contribuições de
melhoria, empréstimos compulsórios e outros que vere-
mos no presente trabalho.

(1.3)

classificação dos tributos

Tributo é o gênero do qual são espécies os impostos, as
taxas e as contribuições. Como diz o CTN: \u201cArt. 5o Os tri-
butos são impostos, taxas e contribuições de melhoria\u201d.

Os impostos são tributos de caráter pessoal e não vincu-
lados a uma prestação estatal específica. Exemplos: Imposto

de Renda (IR), Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF),
Imposto de Exportação (IE). Como consta na CF:

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Art. 145 A União, os Estados, o Distrito Federal e os

Municípios poderão instituir os seguintes tributos:

I \u2013 impostos;

II \u2013 taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela

utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos especí-

ficos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua

disposição;

III \u2013 contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.

§1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e

serão graduados segundo a capacidade econômica do contri-

buinte, facultado à administração tributária, especialmente

para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respei-

tados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio,

os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.

[...]

As taxas (CTN, art. 5°), são obrigatórias, compulsórias,
vinculadas a uma prestação, instituídas em lei (CF, art. 150, I)
e obedecem ao princípio da anterioridade (CF, art. 150, III):

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao

contribuinte, é vedado à União, aos estados, ao Distrito

Federal e aos municípios:

I \u2013 exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;

[...]
III \u2013 cobrar tributos:

a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da

vigência da lei que os houver instituído ou aumentado;

[...]

As contribuições de melhoria são cobradas sempre
que há uma valorização do bem imóvel. É obrigatória a sua
cobrança quando há uma melhoria.

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(1.4)

classificação dos impostos

O conceito de imposto é dado pelo CTN: \u201cArt. 16. Imposto
é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situa-
ção independente de qualquer atividade estatal específica,

relativa ao contribuinte\u201d.
Portanto, o imposto é não-vinculado e incide sobre a

pessoa física ou jurídica. Os impostos são classificados em

pessoais e reais:

Impostos pessoais \u2013 ex.: