A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
7 pág.
Trabalho1

Pré-visualização | Página 2 de 5

integrando ações de promoção à 
saúde, atenção primária, assistência de média e alta 
complexidade, epidemiologia e controle de doenças, 
vigilância sanitária e ambiental; a reafirmação da 
importância das instâncias deliberativas CIB e CIT, e 
o fortalecimento do controle social(1).
As ações consideradas prioritárias para os 
secretários foram: compromisso com o SUS e seus 
princípios; fortalecimento da Atenção Primária; a 
valorização da saúde; a articulação intersetorial; o 
fortalecimento do papel dos Estados; a luta pela 
regulamentação da Emenda Constitucional 29 (que 
regulamenta os recursos mínimos para o 
financiamento das ações e serviços públicos de 
saúde) e por mais recursos financeiros para a área da 
saúde(3).
Assim sendo, em agosto de 2004, o Ministério da 
Saúde organizou uma oficina denominada Agenda do 
Pacto de Gestão que teve como objetivo iniciar a 
discussão para a “revisão do processo normativo do 
SUS; e estabelecer as diretrizes, conteúdos e 
metodologia de trabalho para a elaboração de 
propostas para pactuação de questões fundamentais 
para o processo de Gestão do SUS”(1).
Desta oficina participaram representantes do 
CONASS, CONASEMS e do MS. Depois de mais de 
dois anos de discussão, em 22 de fevereiro de 2006 o 
Ministério da Saúde publica a Portaria GM/MS 399 
que divulga o Pacto pela Saúde 2006 – Consolidação 
do SUS e aprova as diretrizes operacionais do 
referido pacto. Neste contexto, o pacto será revisado 
a cada ano, visando adaptar-se a realidade 
enfrentada pelos gestores da saúde, com ênfase nas 
necessidades de saúde da população(4).
As prioridades estão expressas em objetivos e 
metas no Termo de Compromisso de Gestão, que é 
um instrumento público de formalização dos pactos 
realizados e estão detalhadas no documento 
denominado Diretrizes Operacionais do Pacto pela 
Saúde 2006(1).
Em abril de 2006, com a publicação da Portaria 
GM/MS nº. 699 acontece a regulamentação das 
Diretrizes Operacionais dos Pactos pela Vida e de 
Gestão e a instituição de uma nova forma de 
transferência de recursos federais destinados ao 
custeio de ações e serviços de saúde em blocos de 
financiamento, com a publicação, também, da 
portaria GM/MS nº. 698(5-6).
Estas diretrizes vêm salientar a importância da 
regionalização e de instrumentos de gestão como o 
Plano Diretor de Regionalização (PDR), Plano Diretor 
de Investimento (PDI) e a Programação Pactuada e 
Integrada (PPI). São todos instrumentos que 
possibilitam a reorganização dos processos de gestão 
e de regulação do sistema de saúde, buscando a 
melhoria e qualificação do acesso do usuário do 
SUS(1).
AS DIMENSÕES DO PACTO PELA SAÚDE 
O pacto pela saúde tem como pressupostos 
teóricos alguns conceitos relacionados à construção 
de rede de assistência por linha de cuidado, baseada 
na economia de escala e escopo(7) e redes e Pacto 
Federativo(8). Estas autoras referem esta ser uma 
[183] 
Machado RR, Costa E, Erdmann AL, Alburquerque GL, Ortiga AMB. Entendendo o pacto pela saúde na 
gestão do SUS e refletindo sua implementação. 
Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(1):181-7. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n1/v11n1a23.htm.
estratégia para influir nas arenas decisórias de forma 
organizada em busca da solução de problemas sociais 
complexos. Compreendem que por meio de redes os 
atores reconhecem a importância do intercâmbio de 
recursos técnicos, políticos, informacionais e outros e 
de negociações em busca de objetivos comuns. Na 
construção de redes busca-se a difusão do poder e 
aumento da capacidade estatal na condução de 
decisões compartilhadas com atores que detêm 
poderes parciais. No caso do pacto, aponta-se como 
um espaço de construção de governança os 
colegiados de gestão regional. 
Mendes(7) quando fala em redes refere que as 
redes de atenção têm três funções: “a função de 
resolução, a função de coordenação e a função de 
responsabilização. A função de resolução, intrínseca à 
sua instrumentalidade como ponto de atenção à 
saúde, consiste em solucionar a grande e maioria dos 
problemas de saúde; a função de coordenação, 
relacionada ao desempenho do papel de centro de 
comunicação, consiste em organizar os fluxos e 
contra-fluxos das pessoas e coisas pelos diversos 
pontos de atenção à saúde da rede; e a função de 
responsabilização consiste em co-responsabilizar-se 
pela saúde dos usuários em quaisquer pontos de 
atenção em que estejam sendo atendidos”. 
Mendes(8) ainda ressalta que sistemas de 
informação deficientes; a atenção primária à saúde 
de baixa qualidade; o protagonismo da atenção 
especializada; a cultura organizacional com base na 
autonomia dos serviços; os incentivos econômicos 
em sentido contrário ao da conformação das redes de 
atenção à saúde; a debilidade na gestão integrada 
dos sistemas de saúde; a valorização relativa, pelos 
usuários, das ações de atenção secundária e 
terciária; a pouca tradição no uso da gestão da 
clínica; e a fragilidade dos sistemas logísticos na 
saúde são barreiras que se apresentam à 
implantação das redes de atenção à saúde. Todos 
esses aspectos influenciarão sobremaneira a 
implantação e implementação dos pactos. 
O Pacto pela saúde está organizado em três 
dimensões. A primeira dimensão é a do Pacto pela 
vida que estabelece metas sanitárias mobilizadoras, 
partindo de compromissos sanitários e de gestão que 
deverão ser atingidos pelo SUS. Está estruturada em 
uma política de resultados, quando trabalha com a 
proposição de metas que mostrem a realidade de 
cada estado ou município, respeitando compromissos 
orçamentários e financeiros para o alcance desses 
resultados(1,4-6).
O Pacto pela saúde muda radicalmente a forma 
de pactuação do SUS, pois rompe com os pactos 
realizados por meio de normas operacionais (Normas 
Operacionais Básicas – NOB e Norma de Assistência à 
Saúde – NOAS), que visavam à operacionalização do 
sistema, distanciando-se, muitas vezes, de 
compromissos com resultados efetivos. Obriga a 
repactuação anual e a gestão por resultados 
sanitários. 
Desta forma, as Comissões Intergestores 
Bipartite – CIB desempenharão um papel 
preponderante, pois deverão revisar as necessidades 
e as condições de saúde da população, propondo 
metas que retratem a realidade de cada Estado. 
O Pacto pela Vida destacou como prioridades: a 
saúde do idoso; o controle do câncer de colo de útero 
e de mama; o fortalecimento da Atenção 
Básica/Primária; redução da mortalidade infantil e 
materna; fortalecimento da capacidade de respostas 
às doenças emergentes e endemias, com ênfase na 
dengue, hanseníase, tuberculose, malária e influenza 
e promoção da saúde(1).
A segunda dimensão é o Pacto em Defesa do 
SUS. Esta dimensão objetiva discutir a questão da 
saúde pública e da repolitização do SUS, relembrando 
os princípios doutrinários da Reforma Sanitária e 
salientando os direitos garantidos na Constituição 
(integralidade, eqüidade e universalidade no SUS). 
Busca consolidar “a política pública de saúde 
brasileira como uma política de Estado, mais do que 
uma política de governos”(1). As prioridades são: 
implementar um projeto permanente de mobilização 
social com a finalidade, entre outras, de mostrar a 
saúde como direito de cidadania e o SUS como 
sistema público universal e elaborar e divulgar a 
Carta dos direitos dos usuários do SUS(9), pois a 
informação é um direito do cidadão e um meio que o 
indivíduo dispõe para tomar conhecimento e ter 
poder de determinação a cerca da situação que está 
vivendo(10).
Neste aspecto, o financiamento da Saúde passa 
a ser o tema central da discussão. A prioridade do 
Pacto em Defesa do SUS é a implementação de um 
projeto de mobilização social com a finalidade de: a) 
mostrar a saúde como direito de cidadania e o SUS 
como sistema público universal garantidor desses 
direitos;

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.