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CENTRO UNIVERSIÁRIO ESTÁCIO DE BRASÍLIA Campus Estácio - Taguatinga - Brasília.
Plano de Aula: Direito Internacional Público
DIREITO INTERNACIONAL - CCJ0056
Título
Direito Internacional Público
Número de Aulas por Semana
1 
SubTema
O Direito Internacional Contemporâneo
1. O Direito Internacional Contemporâneo: o direito em um mundo globalização
1.1. A globalização econômica e a cooperação
1.2.  Vertentes do Direito Internacional: o Direito Internacional Público e o Privado
1.2.1. Objeto do Direito Internacional Público
1.2.2. Objeto do Direito Internacional Privado
1.2.3. Relação entre os objetos
1.3.  O Direito Internacional Público
1.3.1. Fundamentos e noções preliminares:
1.3.2. A sociedade internacional
1.3.2.1. Forças atuantes;
1.3.2.2. Descrição: a globalização econômica e a complexidade da noção de sociedade internacional contemporânea
1.3.2.3. Características
1. O DIREITO INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEO: O DIREITO EM UM MUNDO GLOBALIZAÇÃO.
 A intensificação do capitalismo, aliado a outros fatores, como o desenvolvimento tecnológico e científico gerou na contemporaneidade o processo chamado de globalização. O surgimento de uma economia de mercado global, resultado da internacionalização das economias nacionais e da expansão global dos investimentos estrangeiros é responsável pela intensificação das desigualdades que agora alcançam nível global; nas palavras de Celso Mello: As pessoas estão mais ricas que Estados?
Esta nova realidade marca-se pela predominância da força econômica, que impulsiona as relações entre os Estados na contemporaneidade. De um direito internacional clássico, que se assentava na primazia da força política, um direito nitidamente de coexistência, um instrumento de manutenção do equilíbrio de poder, para um direito de cooperação, indispensável à inexorável interdependência entre eles. Esta necessária cooperação não afeta apenas as relações entre sujeitos de direito internacional público, mas força que as instituições de âmbito interno sejam também acomodadas a esta nova realidade, já que o horizonte globalizado expande também o universo das relações de direito interno, aquelas entre pessoas físicas e jurídicas das mais diversas nações. Neste cenário, as duas vertentes do Direito Internacional, o público e o privado, assumem nova dimensão. 
A nova perspectiva do Direito Internacional encontrou reforço na busca por sua efetividade, ou seja, no maior grau de influência nas relações de fato estabelecidas pelas pessoas de Direito Internacional. Cada dia novas pesquisas sobre o DI buscam a sua transformação em um Direito internacional voltado para o desenvolvimento. Deste esforço participam as nações menos favorecidas que lutam por uma igualdade vantajosa que os coloque, em certa medida, em pé de igualdade de condições com os mais favorecidos. A norma internacional justa não deve ser inspirada no interesse de poucos, mas deve surgir da convivência social internacional levando em consideração o maior número de Estados e de indivíduos aí existentes. (Pierre Hassner)
Segundo Monique Chemillier-Gendreau (advogada francesa nascida em 15 de abril de 1935, professora de Direito Internacional, Universidade de Paris) o Direito Internacional para garantir sua coerência precisa se fundamentar em uma racionalidade que se impõe como universal, e isto é indemonstrável. 
Segundo a jurista francesa, o DI hoje é voltado ainda para a soberania, que foi flexibilizada pelos atuais processos de transformação e assim, para transformá-lo, tornando-o mais efetivo, devemos buscar a democratização, com a participação do maior número de Estados, baseando-se no princípio da igualdade entre eles prevista na Carta das Nações Unidas.
Face ao sistema adotado pela grande maioria dos Estados, o DI hoje não está apto a garantir os direitos dos indivíduos e das minorias nacionais, já que depende da boa-vontade dos Estados para sua implementação internamente. Este é o que se denomina de direito internacional fragmentado.
Historicamente o século vinte principalmente após a 2.ª Guerra poderia ser chamado do século das luzes no Direito Internacional. Nestes anos, a guerra e o uso da força foram expurgados pelos princípios do DI consagrados, floresceram as Organizações Internacionais, os direitos humanos, a diplomacia tomou impulso e os tratados internacionais tenderam majoritariamente a multilateralidade.
O impulso tomado pelo DI no século XX estabeleceu a idéia de que novos princípios, regras e mecanismos deveriam ser incorporados pelo Direito, para que este pudesse adaptar-se aos novos valores e às necessidades dos novos e numerosos sujeitos. Vários princípios foram consagrados pelo esforço dos menos fortes, em especial o do direito ao desenvolvimento, previsto pelo Pacto Internacional dos direitos sociais, políticos e econômicos.
Sobre o Sistema Internacional Contemporâneo, aponta Marcel Merle (1923-2003- Sociólogo das Relações Internacionais) e Pensador Frances), algumas características: 
- Incremento das relações econômicas no sentido do estabelecimento de um mercado mundial. 
\u200b- Informações transmitidas instantaneamente.
\u200b- Volume das informações e o deslocamento das pessoas têm aumentados.
\u200b- Há um campo estratégico unificado, devido às armas de destruição em massa.
\u200b- Os Estados participam de um grande número de organismos internacionais.
Segundo Charles Chaumonte (1473-1511, militar francês), a comunidade internacional se caracteriza pela existência de antinomias; são elas:
Ordem pública x Revolução;
Cooperação x Soberania;
Direito à autodeterminação dos povos x Divisão do mundo em zonas de influência.
Por fim, para Celso Mello a sociedade internacional contemporânea, que surge após a queda do murro de Berlim é uni-multipolar (EUA é a única superpotência, mas existem outras potências importantes, como a Rússia, o Japão, a Alemanha, a França, a Grã-Bretanha e a China, que está crescendo vertiginosamente e está sendo apontada como uma potência regional). Para Mello, não há a ?estabilidade e previsibilidade? típica da Guerra Fria.
Ao lado destas mudanças na relação entre os sujeitos de direito internacional público, o objeto específico do estudo do direito internacional privado são as relações jurídicas com conexão internacional e
 os conflitos de leis no espaço também tem se tornado mais complexo. A facilidade no estabelecimento de relações de direito privado conectadas a mais de uma ordem jurídica estatal tem colocado à prova os meios de solução de conflitos tradicionalmente utilizados e tem feito com que a uniformização e harmonização tenham se tornado um objetivo para aqueles que se dedicam à área. A cooperação judiciária tem também se tornado uma prática quase que universal. É neste ambiente que se deve pensar o direito internacional na contemporaneidade.
1.1. A GLOBALIZAÇÃO ECONÔMICA E A COOPERAÇÃO
O Direito Internacional ao desenvolvimento rompe a postura de neutralidade axiológica assumida pelo Direito Internacional em favor de uma concepção de nítido conteúdo político e moral, cuja meta é a emancipação dos países subdesenvolvidos. 
Os países viram-se do fenômeno da Globalização, diante de uma ordem mundial interconectada, onde as decisões de um país afetavam os outros, e assim por diante. Notou-se a necessidade da cooperação internacional. A cooperação passou a ser vista como um direito essencial que buscava realizar o desenvolvimento econômico, social, finalista, teleológico e político, de todos os povos, inclusive nos países subdesenvolvidos.
A partir da globalização, pode-se pensar como atingir o desenvolvimento. Assim, utilizando a cooperação de todos os países e organizações, percebe-se que a mudança deve iniciar com relação a: (1) o direito a saúde e ao meio ambiente saudável devem ultrapassar os limites estabelecidos pelo mercado e pelo direito privado, pois são direitos do homem e dever da comunidade internacional; (2) buscar os produtos