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A Crença no Hábito DAVID HUME

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A Crença no Hábito 
Anderson Manuel de Araújo1 
Para o filósofo David Hume, o nosso conhecimento do mundo se dá por meio de percepções. Ele as subdivide 
em impressões e ideias. As primeiras, as impressões, são as percepções atuais que temos das coisas e do mundo, são 
portanto, fortes e mais vivas. Enquanto as ideias são fracas e menos vivas porque geralmente são cópias das 
impressões. 
Segundo o filósofo esta diferenciação é fácil para nós, pois facilmente distinguimos entre sentir e pensar. O 
modo como a impressão ocorre na mente é forte, e tem também um efeito peculiar. Uma impressão não é meramente 
pensada, mas acreditada. A força e a vivacidade significam o modo como aparece a percepção na mente e o efeito que 
causa à mente. 
Exemplificando, posso ir ao museu e ver uma pintura de Picasso. Neste caso, enquanto vejo a pintura, tenho a 
impressão da pintura; trata-se de uma percepção forte e viva. Mas numa conversa com um amigo, na qual me lembro 
da minha visita ao museu e lhe descrevo a minha percepção da pintura, trata-se de uma ideia, uma percepção fraca e 
menos viva. 
De acordo com Hume, todo o nosso conhecimento é baseado em nossas experiências. Por isso, ele vai dizer 
que determinadas conclusões que chegamos sobre o mundo e as coisas não são fundamentadas na razão, mas no 
hábito. O fato de vermos todos os dias uma relação entre A e B, por exemplo, faz com que toda vez que vemos A, 
lembremo-nos de B. Além disso, o nosso conhecimento é fundamentado em relações causais, ou melhor, na 
causalidade; que é a ideia segundo a qual todo efeito deve ter uma causa. 
Nossas certezas sobre o futuro devem-se à nossa crença no hábito. Acostumamo-nos a ver que o Sol nasce 
todos os dias. Logo, concluímos que ele nascerá também amanhã e no futuro. Ou seja, este conhecimento é 
fundamentado numa crença que obtemos pela regularidade com que as nossas experiências se repetem, produzindo o 
hábito ou o costume. Desse modo, podemos concluir em breves palavras que para Hume a nossa mente é um feixe de 
percepções, pois todas as nossas ideias têm origem na impressão sensível; e que não estamos diante de uma conexão 
necessária na relação entre causa e efeito, mas diante de uma associação baseada na regularidade de eventos que 
ocorrem na experiência. 
Estamos diante de uma explicação bastante plausível do funcionamento da mente humana que nos faz pensar 
sobre os motivos ou razões pelas quais adotamos determinadas crenças ou opiniões sobre nós mesmos e sobre o 
mundo. Fundamentamos nosso conhecimento somente na razão ou na experiência? O nosso conhecimento é racional 
ou é apenas uma crença em regularidades? Descobrir esta explicação da mente humana muda ou compromete o nosso 
modo de ver o mundo? 
 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
HUME, David. Tratado da Natureza Humana. São Paulo: Ed. Unesp, 2001. 
 
 
 
 
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 Mestre em Filosofia pela UFMG. andersonfilosofia@yahoo.com.br 
 
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