ESTEVES, Joao Pissara - Comunicacao e Sociedade
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ESTEVES, Joao Pissara - Comunicacao e Sociedade


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entre instrução e conhecim ento ou crença em rela­
ção a cada assunto e ano são apresentados na Tabela 1, sendo o padrão bastan­
te consistente com a hipótese de um crescente diferencial de conhecim ento. 
Os dois inquéritos sobre satélites terrestres são ilustrativos, visto que a corre­
lação cresce à m edida que o conhecim ento aum enta, desde 1955 (três anos 
antes do Sputnik) a 1961 (depois da prim eira viagem espacial norte-am ericana 
com um ser hum ano).
M ais m arcantes são ainda os resultados dos quatro inquéritos em que se 
perguntava aos inquiridos se acreditavam que o Hom em iria chegar à Lua num 
futuro próxim o2. Novam ente, à m edida que a aceitação geral desta convicção 
aum entava, a correlação com a instrução m ostrava um crescim ento estatisti­
cam ente significativo, ao longo de um período de cinco ou seis anos. O distan­
ciam ento crescente entre níveis de instrução é directam ente visível na Figura 
l 3. Entre as pessoas com form ação universitária, a convicção de que o Homem 
iria chegar à Lua subiu de m enos de 20% , em 1949, para m ais de 80% , 16 anos 
m ais tarde; entre as pessoas com a instrução prim ária, essa convicção cresceu 
apenas para 38% durante o m esm o período.
84 C om u n icação e S o c ied ad e
Tabela 1
Correlação entre instrução e conhecimento, relativamente a três temas que mereceram publicitação cres­
cente ao longo do tempo
Tema 1949 1954 1955 1957 1959 1961 1965 1969 Diferenço entre coef.s 
corre.
Identificação correcta
de satélites terrestres .158 .265 p <.050
Crença de que o Homem vai
chegar à Lua .042 .132 .259 .334 1949-1954, p <.020
1954-1959, p <.001
1959 -1965, p <.010
Crença de que os cigarros causam .050 .116 .127 n.s.
cancro do pulmão .79
Fonte dos dados: AIPO AIPO AIPO AIPO AIPO AIPO AIPO AIPO
450 541, 544 585, 621 652 705 Set.
525 592 1969
Percentag
\u2014\u2666\u2014 Escola prim. 
\u2014\u2022\u2014 Secundário 
\u2014j \u2014 Universidade
Figura 1. Percentagem de respostas em inquéritos nacionais que afirmam acreditar 
que o Homem vai chegar à Lua, por Nível de Instrução e Ano
N enhum destes estudos aferiu directam ente a cobertura ou exposição dos 
m eios de com u nicação de m assa, e o im pacto da sua inform ação nestes pa­
drões tem assim de ser inferido. Parece bastante claro, porém , que a p u blicita­
ção realizada por estes m eios de com unicação é aqui um factor fundam ental, 
mas tam bém é possível que existam outros factores envolvidos. Estes dezasseis 
anos cobrem um período de m udanças no sistem a educacional. A população 
tam bém m udou, passando a incluir, em 1965, no nível edu cacional m ais ele­
vado, um a m aior proporção de jovens do que em 1949. No entanto, a questão 
im portante é que o diferencial de conhecim ento não deixou de existir no período 
estudado.
C om u n icação e S o c ied a d e 85
A crença na relação tabagism o-cancro tam bém obedece ao padrão previsto, 
apesar de a correlação no últim o ano perm anecer baixa. No período de 1954- 
-1957 , contudo, a relação entre fum ar e ter cancro levantava m uito m ais dúvi­
das do que actualm ente. Apesar de terem sido realizados estudos m ais recentes 
sobre este assunto, com o envolveram diferentes am ostras e técn icas de m edi­
ção, não podem assim ser com parados directam ente com os dados da AIPO.
ESTUDO DE UMA GREVE NUM JORNAL
Outro modo possível de testar a hipótese do d iferencial de conhecim ento é 
através da observação da exclusão da publicitação realizada pelos m eios de 
com u nicação de m assa. De acordo com a referida hipótese, seria de esperar 
que a au sência da cobertura de um dado tem a pelos m eios de com u nicação de 
m assa reduzisse a diferença de conhecim ento entre grupos com diferentes n í­
veis de instrução. Em bora tal experiência seja de difícil concretização, ela pode 
ser aproxim ada num a situação de greve dos jornais. Sam uelson estudou, em 
1959, o conhecim ento de acontecim entos públicos correntes num a com u ni­
dade onde os jornais se encontravam em greve, e num a outra com unidade 
próxim a onde o jornal diário continuava a ser publicado com o habitualm en­
te4. O estudo foi realizado após a prim eira sem ana de greve, antes que os cid a­
dãos da com unidade afectada pudessem estabelecer algum m eio de substituição 
dos m eios de com unicação. Um a vez que a ausência de jornais im plica um a 
m enor atenção às notícias do dia difundidas pelos m eios de com u nicação por 
parte das pessoas com m aiores níveis de instrução, pode adm itir-se, com o h i­
pótese, que essas pessoas «perdem» proporcionalm ente m ais em resultado da 
greve dos jornais. Sendo assim , deveria existir um a m enor diferença de con h e­
cim ento entre as pessoas m ais e m enos instruídas na com unidade em situação 
de greve do que na outra com unidade.
C onsid erand o que a am ostra da com u nid ad e em que não havia greve só 
in c lu ía nove p essoas com um n ív el de in stru ção in ferio r ao secu n d ário , a 
an á lise p resen te co n sid erou apenas os grupos com os n íveis secu n d ário e 
u n iv ersitário em cada com u nid ad e. De acordo com a h ip ótese , a d iferen ça 
de co n h e cim en to entre n íveis de in stru ção é efectiv am en te m aior na com u ­
nidade onde não se registou greve do que na com u nid ad e onde o jorn al 
tinha estado em greve na sem ana anterior (Tabela 2, d iferença de 1.08 vs .44). 
E sta in teracção , ou con traste , é sig n ifican te em term os esta tísticos a um 
nível de sign ificação .0 0 1 5. M ais um a vez, estes dados não exclu em e x p lic a ­
ções a ltern ativ as, tais com o a p ossib ilid ad e de a com u nid ad e em situ ação 
de greve ser caracterizad a por um a correlação b a ixa entre in stru ção e co ­
n h ecim e n to dos assu ntos p ú b lico s antes da greve. A pesar de as duas com u ­
n id ad es serem próxim as g eograficam ente, a com u n id ad e sem greve era 
m ais p equena, m enos in d u stria lizad a e caracterizad a por um n ív el so c io ­
eco n óm ico geral m ais elevado. Na au sên cia de dados antes e depois da 
greve, a in terp retação dos dados reco lh id os não deve pois ser tom ada com o 
d efin itiva .
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Tabela 2
Níveis de conhecimento de assuntos públicos para pessoas com diferentes níveis de instrução, numa 
comunidade em que o seu jornal esteve em greve e numa outra comunidade sem greve, 1959*
Com unidade Ensino Secundário Ensino Superior Diferença
Greve do jornal 4.07 (N = 153) 4.51 (N = 142) .44
Ausência de greve do jornal 4.38 (N = 40) 5.46 (N = 56) 1.08
* Número de tópicos correctos num teste de 11 tópicos sobre acontecimentos correntes
A EXPERIÊNCIA DE MINEAPOLIS-ST. PAUL
Apesar de a m aior parte dos dados acim a apresentados serem consistentes 
com a hipótese do d iferencial de conhecim ento, os factores su bjacentes são 
inferidos e não directam ente observados. Se a hipótese geral estiver correcta, a 
instru ção deverá estar m ais fortem ente correlacionada com o conhecim ento 
adquirido a partir de um artigo esp ecífico relativo a um tem a que anteriorm en­
te tivesse sido objecto de grande publicitação, em contraste com artigos sobre 
tem as m enos publicitados. Pessoas com elevado n ível de instrução têm um a 
m aior probabilidade de terem estado expostas a um tem a m uito publicitado; 
encontram -se já «activas» em relação a esse tem a e evoluem nele m ais fa c il­
m ente do que as pessoas com m enor instrução (Robinson, 1967).
Um a exp eriência de cam po recente realizada na área m etropolitana de 
M ineapolis-St. Paul tornou possível um teste m ais directo deste aspecto da 
hipótese. A com preensão da leitura foi aferida através de 22 artigos relacion a­
dos com pesquisa m édica e b iológica e de 21 artigos sobre ciências sociais, 
todos eles retirados de jornais m etropolitanos de referência
Cristina
Cristina fez um comentário
Obrigada Monique! Ajudou muito o meu trabalho
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