ESTEVES, Joao Pissara - Comunicacao e Sociedade
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ESTEVES, Joao Pissara - Comunicacao e Sociedade


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quotidiana que ressoa em m anifestações de contestação e 
revolta, e que por vezes se fazem tam bém ouvir através dos novos dispositivos 
tecnológicos de m ediação sim bólica.
A par destas am plas possibilidades de renovação que se oferecem à socio ­
logia da com u nicação a partir do seu próprio objecto de estudo, tem os ainda a 
considerar todo um vasto trabalho que está por realizar nos planos teórico e 
m etodológico: a possibilidade (e a necessidade) de encontrar enquadram entos 
m ais abrangentes e consistentes (para todas as novas problem áticas que aca­
baram de ser referidas) - que equacionem as questões do poder, da econom ia 
política, das ideologias, do sistem a e da sociedade de consum o, da cultura em 
geral (m esm o nas form as autônom as que persistem em afirm ar-se à margem 
dos p rocessos de m assificação) - e novos m étodos de p esqu isa (com o a 
etnografia, o in teraccionism o sim bólico, a sociofenom enologia, a observação 
participante ou as histórias de vida) que possam vir a superar o em pirism o 
reinante.
O vasto cam po de possibilidades que, com o se vê, está ao a lcance da socio ­
logia da com u nicação perm ite fundadam ente continuar a alim entar expectati­
vas quanto a um conhecim ento crítico m ais agudo do Espaço Público e da 
O pinião P ú blica - não apenas nas suas dim ensões m ais form ais e in stitu cion a­
lizadas, m as tam bém nas form as espontâneas e autônom as que nos nossos 
dias continuam a emergir a partir da vida quotidiana (Habermas, 1998: 439-468).
N o t a s
1 Esta delimitação tão restritiva da problemática dos efeitos deixou de fora vários aspectos relevantes 
do fenômeno comunicacional, os quais só puderam encontrar resposta em áreas um tanto marginais da 
sociologia da comunicação; o caso lalvez mais representativo é o do sociólogo canadiano Erving Goffman, 
com uma obra monumental dedicada ao estudo da comunicação interpessoal - da sua vasta obra sobres­
saem como estudos mais específicos sobre a comunicação (Goffman, 1980; 1987).
Nos últimos anos tem crescido a consciência (mesmo entre os investigadores que têm nos meios de 
comunicação de massa o seu principal motivo de interesse) de que o conhecimento neste domínio de 
estudo só poderá verdadeiramente sustentar-se a partir de uma perspectiva mais global e integrada do 
fenômeno da comunicação (o que implica uma outra forma de equacionar a problemática dos efeitos).
2 Esta fragilidade está bem patente, por exemplo, nas valorizações completamente antagônicas da 
própria teoria que se encontram entre os seus diversos autores. De um lado, os que viam nos meios de 
comunicação (e no seu extraordinário poder) uma «nova aurora da democracia» - como Park ou Cooley; 
de outro, aqueles que os consideravam autênticos agentes diabólicos e instrumentos demoníacos, capa­
zes de conduzir «à total destruição da sociedade democrática» - por exemplo, Adorno, Horkheimer ou 
Mills (Katz e Lazarsfeld, 1979: 17 e 18).
28 C om u n icação e S o c ied ad e
3 A presença destas duas teorias na hipótese dos efeitos totais perpassa na concepção de «uma massa 
atomizada, composta por milhões de leitores, ouvintes, etc. dispostos a receber a mensagem, sendo cada 
mensagem um estímulo directo e poderoso que conduz à acção, que obtém uma resposta directa e espon­
tânea; em suma, os meios de comunicação considerados como um novo tipo de força unitária - um 
sistema nervoso simples - que alcança os olhos e os ouvidos de todos, numa sociedade caracterizada por 
uma organização social amorfa e pela escassez de relações interpessoais» - (Katz e Lazarsfeld, 1979:18).
4 A designação «teoria hipodérmica» aplicada a esta concepção dos efeitos é extremamente evocativa 
e encontra-se com regularidade na literatura especializada (Wolf, 1987: 22 e sg.s).
5 Daí, também, a designação «bullet theory» para esta concepção dos efeitos totais ou do poder 
ilimitado dos meios de comunicação (Schramm, 1971: 3-53).
G Elementos identificados a partir da resposta a cinco perguntas fundamentais que podem ser dirigidas 
a qualquer processo de comunicação concreto: Quem? Diz o quê? A quem? Por que meios? Com que 
conseqüências? (Lasswell, 1971: 84).
7 Segundo a terminologia do próprio autor, essas áreas são as seguintes: análise de controlo («factores 
que iniciam e guiam o processo comunicativo»), análise de conteúdo, análise dos meios de comunicação 
social, análise das audiências e análise dos efeitos (Lasswell, 1971: 84 e 85). Dadas as suas preocupações 
prioritárias, Lasswell veio a explorar mais sistematicamente apenas os estudos dos efeitos e dos conteú­
dos - domínios nucleares da propaganda (a sua produção e a avaliação das suas conseqüências).
8 Contra a ideia de um receptor passivo, que se limitava a reagir deterministicamente a estímulos que 
lhe eram incutidos, «a audiência revelava-se intratável; as pessoas decidiam por si se escutavam ou não, e 
mesmo quando escutavam, a comunicação podia não provocar qualquer efeito ou provocar efeitos opostos 
aos previstos. Os investigadores eram então obrigados a desviar progressivamente a sua atenção da audiên­
cia para compreenderem os indivíduos e o contexto social que a constituíam» (Bauer, 1964:127).
9 São três as linhas de investigação que se desenvolveram a partir do modelo de Lasswell: a pesquisa 
empírica da psicologia experimental (onde se destacam como nomes mais relevantes, Kurt Lewin e Carl 
Hovland), a sociologia estrutural-funcionalista (com uma abordagem funcional dos meios de comunica­
ção no conjunto da sociedade) e a sociologia empírica (que deu lugar à chamada M ass Communication 
R esearch ) (Schramm, 1964: 11 e 12); Wolf, 1987: 27 e 28). A primeira destas linhas de pesquisa desen­
volve-se um tanto à margem dos estudos sociológicos da comunicação e só a última viria a ter um 
impacto decisivo na consolidação da problemática dos efeitos.
10 O primeiro destes trabalhos corresponde a uma pesquisa de campo realizada em 1940, em Erie 
County, por altura da campanha presidencial que viria a conferir a Roosevelt o seu terceiro mandato 
como Presidente dos Estados Unidos; o outro trabalho apresenta os resultados de uma grande pesquisa 
realizada cinco anos mais tarde (em Decatur - Illinois), onde foram seguidos os processos de influência 
dos meios de comunicação social em diferentes áreas temáticas (bens domésticos, moda, frequência de 
salas de cinema e assuntos políticos) e no qual os autores procuraram testar e aperfeiçoar os instrumen­
tos de análise ensaiados na anterior investigação (respectivamente, Lazarsfeld, Berelson e Gaudet, 1962; 
Katz e Lazarsfeld, 1979).
" Esta relação privilegiada que certos indivíduos mantêm com os meios de comunicação é apenas 
um aspecto da função social mais ampla de «liderança dos grupos informais», a qual é definida por uma 
espécie de critério moral reconhecido pela generalidade dos membros do grupo a certos indivíduos: os 
que aceitam mais entusiasticamente as normas do grupo, os mais conhecedores dos assuntos importan­
tes para o grupo e os mais estimados em geral pelo grupo (Katz e Lazarsfeld, 1979:108).
12 Acresce ao número diminuto de situações de conversão, a caracterização sociológica profunda­
mente atípica da maioria dos indivíduos nelas envolvidos: em geral, com níveis de interesse muito 
baixos pelos assuntos em causa e sujeitos a pressões (sociais) contraditórias (Lazarsfeld, Berelson e Gaudet, 
1962:114-116). Do ponto de vista dos efeitos limitados, estes factores constituem um elemento de desva­
lorização suplementar do poder dos meios de comunicação social.
13 Este «poder» superior da comunicação pessoal pode também ser explicado pelas características 
próprias deste tipo de comunicação (em contraste com a dos meios de massa): mais extensa, mais casual 
(e, aparentemente, menos intencional), mais flexível, portadora de uma confiança intrínseca, com um 
carácter profundamente
Cristina
Cristina fez um comentário
Obrigada Monique! Ajudou muito o meu trabalho
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