Aparelho Locomotor
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póstero-superior dos ossos ilíacos (Figuras 13 e 14). Estas espinhas ilíacas 
identifi cam-se, respetivamente, acompanhando o contorno das cristas ilíacas anterior 
e posteriormente. A espinha ilíaca póstero-superior, em alguns sujeitos, é difícil de 
identifi car na posição de pé. Nestas situações, poderemos palpar na posição de de-
cúbito lateral ou sentado, com a coxa em fl exão, com os dedos na porção posterior da 
crista ilíaca e deslizando posteriormente até esta acabar numa eminência óssea.
 Com o sujeito em pé e de costas para o observador, e localizando o ponto 
médio de uma linha imaginária entre as espinhas posteriores, identifi ca-se o limite 
superior da crista sagrada. A partir deste local, seguindo um trajeto distal, é possível 
palpar as proeminências da crista do sacro (Figura 14). Estes acidentes ósseos da 
região sagrada são parte do local de inserção do músculo grande glúteo (Figura 14). 
Considerando que a sua origem e inserção são de difícil palpação, os seus contornos 
podem ser delimitados usando referências ósseas, tais como: a linha imaginária que 
une o cóccix e a tuberosidade isquiática, a qual defi ne o limite inferior, e a espinha ilí-
aca póstero-superior que permite identifi car o bordo superior. Para evidenciar o ventre 
Figura 13. A \u2013 Umbigo; B \u2013 Crista ilíaca; C \u2013 Espinha ilíaca ântero-superior; D \u2013 Grande trocânter.
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FACULDADE DE MOTRICIDADE HUMANA
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na face externa do pé. Acompanhando o seu bordo externo no sentido próximo-distal, 
encontra-se a saliência correspondente à cabeça do 5.º metatársico, e logo a seguir 
a 5.ª articulação metatarso-falângica. Numa porção mais distal do pé, encontramos 
as articulações interfalângicas proximais e distais. Fixando com uma das mãos 
Figura 20. A \u2013 Ventre muscular do tibial anterior; B \u2013 Bordo anterior da tíbia; C \u2013 Músculos longo 
e curto peroniais laterais (na face externa da perna); D \u2013 Maléolo interno ou tibial; E \u2013 Maléolo 
externo ou peronial; F \u2013 Tendão distal do peronial anterior; G \u2013 Tendão distal do tibial anterior; 
H \u2013 Ponto ântero-externo do contacto do pé com o solo; I \u2013 Diáfi se do 5.º metatársico.
Figura 21. A \u2013 Maléolo interno ou tibial; B \u2013 Maléolo externo ou peronial; C \u2013 Tendão distal do 
peronial anterior; D \u2013 Tendão distal do tibial anterior; E \u2013 Tendão distal do longo extensor do dedo 
grande do pé; F \u2013 Ponto ântero-externo do contacto do pé com o solo; G \u2013 Tendões distais do 
extensor comum dos dedos; H \u2013 Articulação metacárpico-falângica do primeiro dedo.
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ANATOMIA DE SUPERFÍCIE
Aparelho Locomotor: Função Neuromuscular e Adaptações à Atividade Física 111
a 1.ª falange e com a outra mão mobilizando a 2.ª falange, distingue-se a articulação 
interfalângica proximal, e fi xando a 2.ª falange e mobilizando a 3.ª, evidencia-se a 
articulação interfalângica distal.
 Na região plantar do pé, com o sujeito na mesma posição, destacam-se três im-
portantes locais de apoio que estabelecem o contacto direto do pé com o solo (Figura 
22): o ponto posterior, que se localiza na extremidade posterior, junto à face inferior 
do calcâneo; o ponto ântero-interno, correspondente à cabeça do 1.º metatársico; e 
o ponto ântero-externo na cabeça do 5.º metatársico. Estes pontos tendem a produ-
zir entre si três arcos plantares que podem ser palpados (Figura 22): o anterior, per-
correndo a linha que une as cabeças do 1.º ao 5.º metatársico; o interno, percorrendo 
a linha que une a extremidade posterior do calcâneo e a cabeça do 1.º metatársico (o 
ponto mais elevado do arco corresponde à articulação entre o 1.º cuneiforme e o 1.º 
metatársico); e o externo, que une a extremidade posterior do calcâneo e a cabeça 
do 5.º metatársico. Este arco é menos pronunciado do que o arco plantar interno.
Bibliografi a Complementar Recomendada
Pezarat-Correia, P., & Espanha, M. (2010). Aparelho locomotor \u2013 Volume 1: Anatomofi siologia dos 
sistemas nervoso, osteoarticular e muscular. Lisboa: Edições FMH.
Valerius, K.P., Frank, A., Kolster, B.C., Hirsh, M.C., Hamilton, C., & Lafont, E.A. (2005). O livro dos 
músculos: Anatomia funcional dos músculos do aparelho locomotor. São Paulo: Manole.
Figura 22. A \u2013 Ponto ântero-externo do contacto do pé com o solo; B \u2013 Ponto ântero-interno do 
contacto do pé com o solo; C \u2013 Ponto posterior do contacto do pé com o solo; D \u2013 Arco plantar 
externo; E \u2013 Arco plantar anterior; F \u2013 Arco plantar interno.
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Aparelho Locomotor: Função Neuromuscular e Adaptações à Atividade Física 113
Análise Funcional da Musculatura Humana
 
Participação Muscular por Movimento Articular
 
 A(s) ação(ões) anatómica(s) de um músculo corresponde(m) ao(s) movimento(s) 
articular(es) que a sua ação concêntrica produz quando o corpo se encontra em posi-
ção descritiva anatómica e sem considerar o efeito da ação da força da gravidade. O 
conhecimento das ações anatómicas dos diferentes grupos musculares1 permite uma 
base de trabalho para a análise cinesiológica e para o domínio das técnicas elementa-
res de solicitação de um determinado músculo. Com base nesse conhecimento, neste 
capítulo serão identifi cados os grupos musculares agonistas dos diferentes movimen-
tos corporais. Sempre que se justifi que, distinguiremos entre músculos agonistas prin-
cipais e músculos agonistas secundários, com base no exposto no segundo capítulo 
deste livro. 
 Para defi nir os grupos musculares que intervêm em cada um dos movimen-
tos articulares, é necessário considerar todos os músculos que, atravessando essa 
articulação, apresentam uma linha de ação de acordo com o sentido do movimento. 
Dentro desse grupo de músculos, o grau de participação de cada um dos músculos 
que concorre para a mesma ação depende principalmente dos seguintes fatores:
i) Volume muscular: músculos com maior volume, i.e. com maior área fi sioló-
gica de secção transversal, tendem a ter maior participação em relação a 
outros menos volumosos;
ii) Relação entre a localização do músculo e a articulação: quanto mais alinha-
da estiver a linha de ação do músculo com o eixo correspondente ao sentido 
do movimento, maior será a sua participação;
iii) Braço de momento do músculo, i.e. distância perpendicular mínima medida 
entre o ponto de inserção do músculo e o eixo de rotação da articulação: um 
músculo com um braço de momento superior tem maior vantagem mecâni-
ca e produz maior momento de força no movimento. 
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1 Esse conhecimento é abordado no Volume 1 desta coleção (Pezarat-Correia & Espanha, 2010).
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 Estas são as principais variáveis que infl uenciam o grau de participação relati-
va de cada um dos músculos de um determinado grupo de agonistas de um movimen-
to. Há outros fatores que também têm infl uência, como o tipo de fi bras que constitui o 
músculo, o ângulo de penação das suas fi bras, as características dos seus tendões e 
o número de articulações que o músculo atravessa.
 É importante acrescentar que, quando procuramos analisar a participação mus-
cular no movimento em tarefas motoras mais ecológicas, é necessário considerar alguns 
desvios a este comportamento mais elementar da musculatura humana, que podem 
justifi car que determinado músculo participe em ações que não estavam integradas nas 
suas ações anatómicas principais. Por essa razão, a simples memorização das ações 
que um músculo produz não é condição sufi ciente para o profi ssional que tem que reali-
zar análises cinesiológicas aplicadas a contextos reais.