Mecanismos_03
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Mecanismos_03


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nos seguidores com rolete. Pode-se reduzir o ângulo de pressão 
aumentando-se o raio mínimo da came de modo que a trajetória do seguidor em relação a came 
seja maior para a mesma elevação. Isto equivale a aumentar o comprimento de um plano 
inclinado para a mesma elevação, a fim de reduzir o ângulo de inclinação do plano. Também, 
numa came com seguidor de rolete, o raio de curvatura da superfície primitiva deve ser maior do 
que o raio do rolete, senão a superfície da came se tornará pontiaguda. 
 
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Figura 3.4a Came de disco com seguidor radial centrado de rolete 
 
 
Figura 3.4b Came de disco com seguidor radial deslocado de rolete 
 
Às vezes, as hastes dos seguidores de face plana ou de rolete são deslocadas lateralmente 
ao invés de serem radiais conforme mostrado nas Figs. 3.3 e 3.4a. Isto é feito por razões 
estruturais, ou no caso do seguidor de rolete, com a finalidade de reduzir o ângulo de pressão 
no curso de elevação. Deve-se notar, entretanto, que embora o ângulo de pressão seja reduzido 
durante o curso de elevação, no curso de retorno ele será aumentado. A Fig. 3.4b mostra uma 
came e um seguidor deslocado, com a mesma escala de deslocamento e o mesmo raio mínimo 
usados na Fig. 3.4a. Se a direção do movimento de um seguidor deslocado, de face plana, for 
paralela a uma linha radial da came, resultará na mesma came obtida com um seguidor radial. 
Entretanto, o comprimento da face do seguidor deve ser aumentado devido ao deslocamento 
haste. 
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3.3. Came de Disco com Seguidor Oscilante (Projeto Gráfico). A Fig. 3.5 mostra uma 
came de disco com um seguidor de face plana oscilante. Usando o mesmo princípio de 
construção empregado para a came de disco com seguidor radial, gira-se o seguidor em torno 
da came. Ao mesmo tempo o seguidor deve ser girado em torno de seu centro de rotação, 
segundo os deslocamentos angulares correspondentes a cada posição indicada na escala. Há 
diversas maneiras de se girar o seguidor em torno de seu centro. O método indicado na Fig. 3.5 
é usar a intersecção de dois arcos de circunferências (por exemplo, o ponto 3') para determinar 
um ponto da face do seguidor em sua nova posição, após girar em torno de seu centro e em 
torno da came. O primeiro desses dois arcos tem como raio a distância do centro da came até a 
posição 3 da escala de deslocamento e, como centro de curvatura, o centro de rotação da came. 
O segundo arco é traçado com centro de curvatura situado no centro de rotação do seguidor 
após ter girado até a posição 3 e usando para o raio a distância do centro do seguidor até a 
escala de deslocamento. A intersecção desses dois arcos será o ponto 3'. Devido ao número 
infinito de retas que podem passar pelo ponto 3', é necessário ter-se uma informação adicional 
para determinar a posição correta da face do seguidor correspondente ao ponto 3'. Conforme 
mostrado na figura, isto foi conseguido por uma circunferência tangente ao prolongamento da 
face do seguidor na posição zero. Na figura, houve coincidência dessa circunferência com o 
diâmetro externo do cubo do seguidor. Essa circunferência é, então, traçada em cada posição 
do centro do seguidor. Para se determinar a posição 3 da face do seguidor traça-se uma reta 
que passa pelo ponto 3' e é tangente à circunferência do cubo do seguidor em sua posição 3. 
Repetindo-se este processo, obtém-se um polígono formado pelas diversas posições da face do 
seguidor. A partir deste polígono desenha-se o contorno da came. 
 
Figura 3.5 Came de disco com seguidor oscilante de face plana 
A Fig. 3.6 mostra uma came de disco com seguidor oscilante de rolete. O procedimento 
para a determinação dos pontos 1', 2', 3' etc. é semelhante ao indicado na Fig. 3.5. Entretanto, 
neste caso, estes pontos são as posições do centro do rolete determinadas pela rotação do 
seguidor em torno da came. Traçam-se as circunferências correspondentes a cada posição do 
rolete e o contorno da came é tangente a essas circunferências. Deve-se notar que num projeto 
real seriam usadas divisões menores de modo a minimizar o erro do contorno da came. Deve-se 
mencionar também que o mesmo procedimento pode ser empregado no projeto de uma came 
com seguidor oscilante de rolete, como o usado para uma came com seguidor radial deslocado. 
Embora a maioria das cames em uso seja dos tipos já mencionados, há muitos outros, 
alguns dos quais encontram grande aplicação. Nas seções seguintes serão abordados três 
desses tipos. 
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Figura 3.6 Came de disco com seguidor oscilante de rolete 
3.4. Came de Retorno Comandado (Projeto Gráfico). Em uma came de disco com 
seguidor radial, freqüentemente é necessário que o retorno do seguidor seja comandado pela 
came e não sob a ação da gravidade ou de uma mola. A Fig. 3.7 mostra um mecanismo deste 
tipo em que a came comanda o movimento do seguidor não somente durante a elevação como 
também no curso de retorno. Necessariamente, o movimento de retorno deve ser o mesmo que 
o de elevação, porém, no sentido oposto. Essa came também é chamada de came de diâmetro 
constante. 
 
Figura 3.7 Came de retorno comandado 
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Este tipo de came pode também ser projetada empregando dois seguidores de rolete no 
lugar dos seguidores de face plana. Se for necessário ter-se um movimento de retorno 
independente do movimento de elevação, devem-se usar dois discos, um para a elevação e 
outro para o retorno. Essas cames duplas podem ser usadas com seguidores de rolete ou de 
face plana. 
3.5. Came Cilíndrico (Projeto Gráfico). Este tipo de came encontra muitas aplicações, 
particularmente em máquinas operatrizes. Talvez o exemplo mais comum, entretanto, seja a 
alavanca niveladora do molinete de vara de pescar. A Fig. 3.8 mostra um desenho onde o 
cilindro gira em torno de seu eixo e aciona um seguidor que é guiado por uma ranhura existente 
na superfície do cilindro. 
 
Figura 3.8 Came cilíndrico 
3.6. Came Invertido (Projeto Gráfico). Às vezes é vantajoso inverter o papel da came e do 
seguidor e deixar que o seguidor comande a came. Esta inversão encontra aplicação em 
máquinas de costura e outros mecanismos de natureza semelhante. A Fig. 3.9 mostra o esboço 
de uma came de placa onde o braço oscila, causando um movimento alternativo do bloco por 
ação de um rolete dentro da ranhura da came. 
 
Figura 3.9 Came invertido 
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3.7. Curvas de Deslocamento de Cames. Antes de se determinar o contorno de uma 
came é necessário selecionar o movimento segundo o qual se deslocará o seguidor, de acordo 
com as exigências do sistema. Se a velocidade de operação deve ser baixa, o movimento pode 
ser qualquer um dos movimentos comuns, por exemplo, parabólico (aceleração e desaceleração 
constantes), parabólico com velocidade constante, harmônico simples ou cicloidal. 
O movimento parabólico possui a mais baixa aceleração teórica para valores determinados 
de elevação do seguidor e a rotação da came, dentre