Guia Academico Direito Empresarial II
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dos bens do devedor sob a posse de 
terceiros, da sentença que deferiu os pedidos do autor, julgando 
procedente a Ação Revocatória, caberá recurso de apelação, arts. 
135 e 137 da Lei de Falências.
5. O Administrador Judicial (arts. 21 a 34 da LF): é um auxiliar 
do juízo, nomeado por ele, devendo ser pessoa de sua confiança 
e com conhecimentos e formação em economia, administração de 
empresas, direito ou contabilidade. O administrador pode ser pes-
soa física ou jurídica. Como é o juiz quem preside a administração 
da falência, o administrador age por ele (juiz), mas em nome pró-
prio (responde), representando ainda os interesses dos credores 
(massa falida subjetiva). Sua função é indelegável, mas poderá 
contratar profissionais para auxiliá-lo. Sua remuneração não po-
derá superar 5% do valor total pago aos credores. Recebe durante 
o processo, mas 40% do montante a ele devido serão reservados 
para pagamento após aprovação das contas por ele apresentadas 
e do Relatório Final. Destacamos quatro atos importantes do admi-
nistrador (art. 22, III da Lei de Falência): a) Verificação dos créditos; 
b) Relatório inicial; c) Contas mensais; e d) Relatório final.
6. Assembléia de Credores (arts. 35 ao 46 da LF): o juízo poderá 
convocar assembléia para deliberar sobre incidentes do processo 
falimentar, sobre a forma de realizar o ativo (transformar tudo em 
dinheiro). É formada por todos os credores para deliberar sobre 
assuntos de seu interesse. A convocação deve ser publicada no 
Diário Oficial com antecedência mínima de 15 dias, na primeira 
convocação, e de 05 dias na segunda. Se não for convocada pela 
sentença do juiz, poderá ser por credores, que representem 25% 
do valor total dos créditos de determinada classe. Ao nomear o 
administrador judicial, o juiz pode convocar a Comissão de acordo 
com: a) A complexidade da execução; e b) O porte econômico da 
massa.
7. Comitê de Credores: é formado por, no máximo, 03 repre-
sentantes, sendo um representante da classe dos trabalhadores 
um representante da classe dos credores de direitos reais e um 
representante dos credores quirografários. Entretanto, a falta de 
indicação dos representantes não é motivo para não se constituir 
o comitê, o qual poderá funcionar com número inferior, art. 26, §1º 
da Lei de Falência. É órgão facultativo, convocado pelo juiz ou pela 
assembléia. Suas funções estão previstas no art. 27, I da LF. Na 
falta do comitê, as atribuições do artigo supracitado serão assumi-
das pelo administrados, art. 28 da LF.
8. Fase Falimentar: após a sentença que decreta a falência, entra-
mos numa nova etapa do processo falimentar, qual seja a fase fali-
mentar que se subdivide em: a) Fase cognitiva; e b) Fase satisfativa. 
8.1. Fase Cognitiva: realização do Ativo. Transformar tudo em 
dinheiro, por meio da arrecadação dos bens do devedor, art. 108 
da LF. Entretanto, os bens do devedor serão vendidos da melhor 
forma possível, art. 142 da LF, em conformidade com a ordem a 
seguir: a) Alienação do estabelecimento comercial em bloco, no 
todo; b) Alienação das filiais ou unidades produtivas da empresa 
de forma isolada; c) Alienação dos bens, em bloco, por filial ou uni-
dade produtiva; e d) Alienação dos bens individualizados, art. 140, 
II a IV, da LF. Na arrecadação, poderá ocorrer: pedido de restituição 
(art. 85 da LF) e embargos de terceiro (art. 86 da Lei de Falência). 
8.2. Fase Satisfativa: satisfação do Passivo. Após a arrecadação, 
estando o administrador de posse do valor em espécie, dar-se-á 
início ao pagamento dos credores, que respeitará a ordem da clas-
sificação dos créditos (concursais e extraconcursais), e, na eventu-
al sobra de verba, esta será devolvida ao devedor. O administrador, 
depois de realizado o ativo e distribuído o resultado da negociação 
entre os credores, prestará contas perante o Juízo no prazo de 30 
PROCEDIMENTOS APLICÁVEIS
 AO DIREITO FALIMENTAR
5
dias, que decidirá, por sentença, art. 154 da Lei de Falência. No 
prazo de 10 dias da referida decisão, o administrador apresentará 
relatório final apontando a realização do ativo, a distribuição dos re-
sultados da negociação e as responsabilidades que o falido ainda 
terá, art. 155 da LF. O Juiz encerrará o processo falimentar com 
apresentação do referido documento elaborado pelo administra-
dor, art. 156 da Lei supracitada. Os credores extraconcursais, arts. 
67 \u201ccaput\u201d e art. 84 da LF, bem como o valor de restituição, art. 85 
e seguintes da LF, receberão antes dos demais credores, art. 149, 
\u201ccaput\u201d da LF. Todavia, antes disso, serão pagos os valores previs-
tos nos arts. 150 e 151 da referida Lei. Portanto, aquele que tiver 
um bem sob o domínio do falido, deverá formular, perante o Juí-
zo, pedido de restituição do bem, comprovando sua propriedade 
(art.85, ss da Lei de Falência). Tal pedido será autuado separado. 
Após o recebimento, o Juiz mandará intimar os credores, o Comitê 
e o administrador judicial, abrindo, então, o contraditório em 5 dias. 
Da sentença que julgar o pedido de restituição, caberá apelação 
sem efeito suspensivo (arts. 87 e 90 da LF). O objeto ficará indispo-
nível até o julgamento do recurso. Outra opção é o terceiro propor 
embargos de terceiros (art. 93 da LF). Reiteramos que os créditos 
trabalhistas são pagos só até 150 salários mínimos por credor, o 
restante passa a ser crédito quirografário. 
9. Efeitos da falência:
9.1. Quanto à pessoa do falido: com a decretação da falência, 
o falido estará proibido de exercer qualquer atividade empresarial, 
dependendo do Juízo da falência, retornando ao \u201cstatus quo ante\u201d. 
Entretanto, lhe é permitido fiscalizar a administração da falência, 
arts. 102 e 103 da Lei de Falência. São deveres do falido, art. 104 
da LF: a) Prestar informações ao administrador; b) Apresentar os li-
vros obrigatórios e todos os papéis e documentos ao administrador 
judicial; c) Não se ausentar do local onde se processa a falência 
sem motivo justo e comunicação expressa ao juiz; e d) Compare-
cer a todos os atos da falência onde for considerado indispensável 
a sua presença.
9.2. Quanto às obrigações do devedor: a decretação da falência 
suspende o exercício de direitos de retenção do devedor sobre os 
bens, os quais serão objetos de arrecadação. Portanto, é retirado 
do devedor o caráter de proprietário dos bens. Os sócios de uma 
sociedade falida não podem efetuar nenhuma retirada, art. 116 da 
LF. Cabe ao administrador analisar os contratos bilaterais, optando 
em mantê-los ou não, haja vista que a decretação da falência não 
tem o condão de pôr fim neste negócio jurídico, art. 117 da LF.
10. Extinção das Obrigações (art. 158 da LF): dar-se-á por 
extinto o processo falimentar com: a) Pagamento integral; b) Pa-
gamento de 50% dos quirografários; c) 05 anos do encerramento 
da falência, se não houve condenação por crime; e d) 10 anos 
do encerramento, se houve condenação por crime. Os sócios de 
responsabilidade ilimitada, observando que houve a prescrição ou 
extinção das obrigações nos termos da Lei de Falência, poderão 
requerer que seja declarada por sentença a extinção de suas obri-
gações na falência, art. 160 da LF.
LINK ACADÊMICO 5
Conforme aduzido no início deste capítulo, a Recuperação de Em-
presa pode ser Judicial ou Extrajudicial.
1. Recuperação Judicial (art. 47 e ss da LF): busca a reorga-
nização da empresa. Visa preservar a manutenção do emprego, 
elemento de paz social, e não apenas o funcionamento da em-
presa no mercado de produção. Para este feito, o empresário e 
a sociedade empresária contam com o auxilio de três órgãos: 
Assembléia Geral de Credores, Administração Judicial e Comitê 
de credores. Este último é facultativo, conforme o porte da massa, 
art. 27, I da LF.
2. Compete à Assembléia Geral de Credores (art. 35, I da LF): 
a) Aprovar, rejeitar ou revisar o plano de recuperação; b) Instalar 
o Comitê e eleger