Guia Academico Direito Empresarial II
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do CC). O 
aval pode ser realizado antes ou depois do vencimento. No entan-
to, os seus efeitos serão os mesmos para ambas as situações, art. 
900, Código Civil. Muito embora o aval seja garantia como a fiança, 
estes dois institutos guardam entre si diferenças fundamentais. 
Portanto, não podemos confundir ambos os institutos cambiários. 
O Aval possui autonomia, é garantia própria dos títulos de crédito, 
basta assinatura do avalista na cártula para que gere efeitos e não 
goza do benefício de ordem. Enquanto que a fiança é obrigação 
acessória, garantia própria dos contratos, é necessária cláusula 
contratual específica e goza do benefício de ordem. 
10. Exigibilidade do crédito cambiário:
10.1. Vencimento: é o fato jurídico que torna exigível o crédito 
representado num título de crédito. É o momento a partir do qual 
ele pode ser cobrado. O vencimento pode ser ordinário ou extra-
ordinário.
10.1.1. Vencimento ordinário: ocorre com o decurso de um lapso 
temporal. É a passagem de um prazo constante no título de crédito, 
tornando-o exigível. Pode ser: a) À vista: o vencimento ocorre com 
a apresentação do título de crédito para pagamento. É possível em 
todos os títulos de crédito; b) Vencimento em data certa: o título 
vence numa data previamente ajustada pelas partes e determina-
da no próprio documento. É possível na Duplicata, na Nota Pro-
missória e na Letra de Câmbio; c) Vencimento a certo termo da 
data: o vencimento do título se dá dentro de um prazo que se inicia 
na data de seu saque, sendo contado conforme conste no título de 
crédito (tantos dias a certo termo da data; significa que devemos 
contar tantos dias a partir do saque do título de crédito). É possível 
na Nota Promissória e na Letra de Câmbio; d) Vencimento a certo 
termo da vista: o vencimento ocorre num prazo que se inicia na 
data do visto nele aposto, se o título for uma Nota Promissória, mas 
iniciará na data do aceite se se tratar de Letra de Câmbio. Conta-se 
o prazo sempre a partir do momento em que um destes dois fatos 
posteriores ao saque ocorre no título de crédito. É possível na Nota 
Promissória e na Letra de Câmbio.
10.1.2. Vencimento extraordinário: é o fato que interrompe o 
curso normal do vencimento de um título de crédito, antecipando o 
vencimento. São duas as possibilidades: Recusa do aceite e falên-
cia do devedor principal (exceto para o cheque).
10.2. Pagamento: é a satisfação da obrigação representada num 
título de crédito; a entrega ao credor da quantia a que tem direito 
por força do título que a representa. Quando do pagamento de um 
título de crédito, duas situações se distinguem: a) Se feito pelo 
devedor principal: extingue todas as obrigações mencionadas no 
título de crédito, colocando fim à existência daquela obrigação; e 
b) Se feito por um co-devedor: extingue as obrigações deste co-
obrigado que satisfez o crédito e as dos co-obrigados posteriores 
a ele (no entanto, lhe resta direito de regresso em face de todos 
os anteriores). 
10.2.1. Prazos de apresentação para pagamento: a) Para sa-
tisfação no Brasil, a Letra de Câmbio e a Nota Promissória devem 
sempre ser apresentadas no dia de seu vencimento; b) No exterior, 
os prazos serão os seguintes: i) Letra de Câmbio: 2 dias úteis; ii) 
Nota Promissória: 2 dias úteis; iii) Duplicata: 30 dias corridos; iv) 
Cheque, emitido na mesma praça: 30 dias corridos; e, v) Cheque 
não emitido na mesma praça: 60 dias corridos. A inobservância 
destes prazos não traz, em si, nenhuma conseqüência grave. Es-
tes prazos são estabelecidos em Lei para a contagem dos prazos 
para protestar. É a partir destes prazos que começa a fluir o prazo 
prescricional da ação cambial em relação aos títulos de crédito.
10.2.2. Títulos \u201cpro soluto\u201d e \u201cpro solvendo\u201d: 
a) \u201cPro-soluto\u201d: fornece ao devedor quitação do negócio, sendo 
que o título de crédito pode ser cobrado separadamente, uma vez 
que fica desvinculado da obrigação que o originou. Em caso de 
inadimplemento do título, não se tem direito à devolução do objeto do 
negócio. 
b) \u201cPro-solvendo\u201d: não dá a quitação do negócio, ao contrário, atrela o 
título de crédito ao contrato por ele garantido, não permitindo, portanto, 
sua execução em processo separado. Deve ser cobrado juntamente 
com o contrato que o garantiu, o que faz com que, em caso de inadim-
plemento do título, o negócio possa ser desfeito com a devolução de 
seu objeto.
10.3. Protesto: Segundo o art. 1º da lei 9.492/97, protesto é o ato formal 
pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação 
originada em títulos e outros documentos de dívida. Em outras palavras, 
o protesto é um ato que comprova sempre a falta de outro ato importante 
no título de crédito. Um título de crédito pode ser protestado pela falta 
de: a) Pagamento (possível em todos os títulos de crédito); b) Aceite 
(possível somente nos títulos de crédito que admitem aceite, portanto, 
na Letra de Câmbio e na Duplicata); c) Data do aceite (como a data do 
aceite só é imprescindível nas Letras de Câmbio que tenham vencimento 
a certo termo da vista, o protesto, por este motivo, é específico destes 
títulos); d) Visto (bem como sua data, serão imprescindíveis na Notas 
Promissórias com vencimento a certo termo da vista); e e) Devolução 
(típico da Duplicata, que quando enviada junto à mercadoria ao destino 
indicado pelo comprador deveria por este ser aceita e devolvida ao emi-
tente, que, pela não devolução, poderia protestá-la). O protesto é um ato 
necessário contra os co-obrigados (co-devedores e seus avalistas), para 
pedido de falência por impontualidade (art.94, I da Lei nº. 11.101/2005) 
e, também, para suprir o aceite nos títulos onde o aceite é obrigatório. 
Todavia, é facultativo contra o devedor principal e seus avalistas. Neste 
sentido, se um credor de um título de crédito pretender cobrá-lo apenas 
do devedor principal, não precisará protestá-lo. Entretanto, se pretende 
receber seu crédito de um co-obrigado, somente terá direito de exercê-lo 
caso proteste o título.
Importante: Cláusula sem despesas: a Lei Uniforme de Genebra per-
mite que a Letra de Câmbio seja sacada com cláusula \u201csem despesas\u201d. 
Isto significa que fica dispensada de protesto contra qualquer dos de-
vedores. 
10.3.1. Protesto Cartorário: o protesto cartorário não interrompe a 
contagem dos prazos prescricionais da ação cambial (Súmula 153, do 
STF). Este efeito só ocorrerá nos casos dos incisos do art. 202 do Código 
Civil, dentre os quais está o protesto judicial. 
10.3.2. Sustação de Protesto: o protesto indevido ou abusivo poderá 
ser sustado. Não há, na Lei pátria, dispositivos reguladores (autoriza-
dores ou proibitivos) da sustação do protesto. Entretanto, julgados re-
centes têm admitido à possibilidade. A sustação do protesto ocorre por: 
Medida Cautelar Inominada (art.798 do CPC), devendo, por exigência 
dos juízes e do costume, ser prestado caução ou depósito da quantia 
reclamada (art. 799 do CPC). Nos casos em que o título de crédito foi 
protestado, sendo que este estava eivado por defeito do protesto, defeito 
do título reconhecido por sentença ou pelo pagamento do título protes-
tado com a anuência do credor, deve-se pleitear seu cancelamento, (Lei 
nº. 6.690/79).
LINK ACADÊMICO 1
1. Letra de Câmbio \u2013 Legislação \u2013 Decreto nº. 2044/1908 e Anexo I 
da Convenção de Genebra-Decreto-Lei n.º. 57.663/66:
1.1. Conceito: é uma ordem de pagamento por escrito, dada pelo emis-
sor da cártula (sacador), a determinada pessoa (sacado), para que pa-
gue a importância do crédito ao beneficiário do título (tomador), no prazo 
determinado. Como vimos, o conceito pressupõe três posições cambiais: 
a) A primeira posição é ocupada por quem dá a ordem de pagamento 
(sacador ou emitente); b) A segunda por quem recebe a ordem (sacado), 
que é encarregado de cumprir a ordem de pagamento emitida pelo saca-
dor, sendo que para tanto deverá aceitá-la, tornando-se,