Karl - Marx - Formacoes Economicas - Pre-Capitalistas
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\u2014 mas, 
por enquanto, o esclarecimento do feudalismo pelos marxistas 
não fez progressos apreciáveis. 
72 Cf. STATE AND REVOLUTION IN TUDOR AND STUART EN-
GLAND, "Communist Review", julho de 1948. Esta opinião, entre-
tanto, sempre teve seus críticos, especialmente J . J . Kuczynskl 
Geschichte d. Lage d. Arbeiter unter dem Kapitalismus, vol. 22, 
cap. 1 - 2 ) . 
73 Cf. Bogdanov, SHORT COURSE OF ECONOMIC SCIENCE, 1897, 
revisado em 1919 (Londres, 1972) , e em forma mais elaborada, K.A. 
Wittfogel, "Geschichte der bürgerlichen Gesellschaft (Viena, 1924). 
74 O. Lattimore, FEUDALISM IN HISTORY, Past and Present, 12, 
1957. 
62 
A combinação das duas tendências citadas aqui produziu 
uma ou duas dificuldades incidentais. Assim, o desejo de 
classificar cada sociedade ou período, firmemente, em uma ou 
outra das categorias aceitas deu como resultado disputas de-
marcatórias, como é natural quando se insiste em encaixar 
conceitos dinâmicos dentro de estáticos. Houve, deste modo, 
muita discussão na China sobre a data da transição da es-
cravidão ao feudalismo desde que "a luta foi de natureza 
muito prolongada, cobrindo vários séculos. .. Modos de vida 
sociais e econômicos diversos coexistiram temporariamente 
no amplo território da China". 7 5 No ocidente, dificuldade 
semelhante conduziu a debates sobre o caráter dos séculos 
que vão do XIV ao XVIII. 7 6 Estas discussões tiveram, ao me-
nos, o mérito de levantar os problemas da mistura e coexis-
tência de diferentes "formas" de relações sociais de produ-
ção, embora, por outro lado, não tenham interesse tão grande 
quanto outras discussões marxistas. 7 7 
Entretanto, recentemente e em parte sob o estímulo das 
FORMEN, as discussões marxistas mostraram uma bem-vin-
da tendência a reviver e questionar várias opiniões que ti-
nham sido aceitas nas últimas décadas. Esta revivescência 
parece ter começado, independentemente, numa porção de 
países, socialistas e não-socialistas. Informe recente registra 
contribuições da França, República Democrática Alemã, Hun-
gria, Grã-Bretanha, Índia, Japão e Egito. 7 8 Estas relacionam-
se, em parte, com os problemas gerais da periodização históri-
ca, como eles são examinados no debate de MARXISMO TO-
DAY em 1962, e parcialmente com os problemas e formações 
econômico-sociais pré capitalistas específicas e, em parte, com 
a contestada e agora reaberta questão do "modo asiático" 7 9 . 
75 E. Zhukov, loc. cit., 78 
76 THE TRANSITION FROM FEUDALISM TO CAPITALISM, loc. cit. 
77 Cf. ZUR PERIODISIERUNG DES FEUDALISMUS UND KAPITA-
LISMUS IN DER GESCHICHTLICHEN ENTWICKLUNG DER U.S.S.R., 
Berlim, 1952 
78 ASIATICUS, IL MODO Dl PRODUZIONE ASIÁTICO (Rinascita, 
Roma 5 de outubro de 1963, 1 4 ) . 
79 Recherches Internationales 37 (maio-junho 1963) que se ocupa 
do feudalismo, contém algumas importantes contribuições polêmicas. 
Sobre a sociedade antiga, cf. os debatts entre Welskopf (DIE PRO-
DUKTIONSVERHALTNISSE IM ALTEN ORIENT UND IN HER 
GRIECHISCH-ROMISCHEN iJJTTKE, Berlim, 1957) e Guenther e 
63 
É demasiado cedo entretanto, para apresentar mais do que 
o registro do reinicio de tais debates. 
Podemos concluir que o estado atual da discussão marxis-
ta sobre o tema é insatisfatória. Muito disto deve-se ao desen-
volvimento histórico do movimento marxista internacional 
na geração anterior a meados dos anos 1950, que teve, inega-
velmente, efeito negativo sobre o nível da investigação mar-
xista neste e em muitos outros terrenos. A abordagem original 
de Marx do problema da evolução histórica foi, em certos as-
pectos, simplificado e alterado, e não foram usados certos lem-
bretes da natureza profunda e complexa de seu método, como 
a publicação das FORMEN, para a correção destas tendências. 
A lista original das formações econômico-sociais de Marx foi 
alterada, mas nenhum substituto satisfatório foi apresentado. 
Algumas das lacunas na discussão de Marx e Engels \u2014 bri-
lhante mas incompleta e tentativa \u2014 foram reveladas,e 
preenchidas, mas algumas das partes mais fecundas de sua 
análise, também, terminaram desaparecendo de nosso campo 
visual. 
Isto é absolutamente lamentável porque os últimos trin-
ta anos, aproximadamente, constituem, em muitos aspectos, 
um período de grandes êxitos da focalização marxista da his-
tória. Em verdade, um dos mais convincentes indícios da 
superioridade do método marxista é que, mesmo num período 
em que o marxismo criador foi, demasiadas vezes, abandona-
do à ossificação, o materialismo histórico, apesar de tudo, 
inspirou grande volume de valiosos trabalhos históricos e in-
fluenciou os historiadores não marxistas mais do que nunca, 
maior razão, portanto, para que sejam empreendidas, hoje, 
tão imprescindíveis investigações esclarecedoras dos pontos de 
vista marxistas sobre a evolução histórica e em especial, sobre 
as principais etapas do desenvolvimento. Um cuidadoso 
estudo das FORMEN \u2014 que não implica a aceitação au-
tomática das conclusões de Marx \u2014 será de grande valia para 
este objetivo e, de fato, uma indispensável parte dele. 
E. J. Hobsbawm 
Schrot (ZTSCHR F. GESCHICHTSWISSENSCHAFT, 1957 e W I S -
SENSCH. ZTSCHR. d. KARL-MARK-UNIV., Leipzlg 1963) ; para a so-
ciedade oriental, F. Tõkel, SUR LE MODE DE PRODUCTION ASIATI-
QUE, Paris, Centro de Estudos e Pesquisas Marxistas, 1964. Mimeo-
grafado. 
64 
FORMAÇÕES ECONÔMICAS PRÉ-CAPITALISTAS 
I 
* Um dos pressupostos do trabalho assalariado e uma das 
condições históricas do capital é o trabalho livre e a troca de 
trabalho livre por dinheiro, com o objetivo de reproduzir o 
dinheiro e valorizá-lo; de o trabalho ser consumido pelo di-
nheiro \u2014 não como valor de uso para o desfrute, mas como 
valor de uso para o dinheiro. Outro pressuposto é a separação 
do trabalho livre das condições objetivas de sua efetivação \u2014 
dos meios e do material do trabalho. Isto significa, acima de 
tudo, que o trabalhador deve ser separado da terra enquanto 
seu laboratório natural \u2014 significa a dissolução tanto da pe-
quena propriedade livre como da propriedade comunal da 
terra assentada sobre a comuna oriental. 
Nestas duas formas, o relacionamento do trabalhador 
com as condições objetivas de seu trabalho é o de propriedade: 
esta constitui a unidade natural do trabalho com seus pressu-
postos materiais. Por isto, o trabalhador tem uma existência 
objetiva, independentemente de seu trabalho. O indivíduo re-
laciona-se consigo mesmo como proprietário, como senhor das 
ocndições de sua realidade. A mesma relação vigora entre o 
indivíduo e os demais. Quando esse pressuposto deriva da 
comunidade, os outros são, para ele, seus co-proprietários, 
encarnações da propriedade comum; quando deriva das famí-
lias específicas que em conjunto constituem a comunidade, 
65 
os outros são proprietários independentes que coexistem com 
o indivíduo, proprietários privados independentes. Neste úl-
timo caso a propriedade comum que, anteriormente, a tudo 
absorvia e a todos compreendia, subsiste, então, como uma 
especial ager publicus (terra comum), ao lado dos numerosos 
proprietários fundiários privados. 
* Em ambos os casos, os indivíduos comportam-se não como 
trabalhadores, mas como proprietários \u2014 e membros de uma 
comunidade em que trabalham. A finalidade deste trabalho 
não é a criação de valor, embora eles possam realizar traba-
lho excedente de modo a trocá-lo por trabalho estrangeiro ao 
grupo, isto é, por produtos excedentes alheios. Seu propósito 
é a manutenção do proprietário individual e sua família, bem 
como da comunidade como um todo. A posição do indivíduo 
como trabalhador, em sua nudez, é propriamente um produto 
histórico. 
* O primeiro pressuposto desta forma inicial da proprieda-
de da terra é uma comunidade humana, tal como surge a 
partir da evolução espontânea (naturwüchsig): a família, 
a tribo formada pela ampliação da família ou pelos