Karl - Marx - Formacoes Economicas - Pre-Capitalistas
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Karl - Marx - Formacoes Economicas - Pre-Capitalistas


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de trabalho arte-
sanal. A guilda e as instituições corporativas estão ligadas a 
este. (As atividades manufatureiras no antigo oriente podem 
ser incluídas no título (1) acima.) Aqui, o próprio trabalho é, 
em parte, a expressão da criação artística e, em parte, sua 
própria recompensa, e tc . 1 6 A instituição do "mestre artesão". 
O capitalista é, ele próprio, ainda um mestre artesão. Especial 
habilidade artesanal garante a propriedade do instrumento, 
e tc , etc. Em certo sentido, o modo de trabalho torna-se here-
ditário, juntamente com a organização do trabalho e seu 
instrumento. Vida urbana medieval. O trabalho ainda per-
tence ao homem; um certo desenvolvimento auto-suficiente 
de capacidades especializadas (einseitige), etc. 
3) Implícito em ambos está o fato do homem possuir 
meios de consumo anteriores à àprodução, necessários a sua 
manutenção como produtor \u2014 i.é, durante a produção, antes 
de acabá-la. Como um proprietário de terras, aparece direta-
mente provido do necessário fundo de consumo. Como um 
mestre artesão ele herdou, ganhou ou poupou este fundo e 
como um jovem ele ainda é um aprendiz, não um trabalha-
16 Hier die Arbeit selbst noch halb künstlerisch, halb Selbstzweck. 
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dor independente propriamente dito, mas compartilha dos 
meios de subsistência do mestre à moda patriarcal. Na quali-
dade de um (genuíno) jornaleiro, há uma certa utilização 
comum do fundo de consumo que está na posse do mestre. 
Embora este não seja propriedade dos jornaleiros, a lei e os 
costumes (etc.) da corporação, pelo menos, tornam-no um 
co-possuidor. (Este ponto deve ser desenvolvido) 
4) Por outro lado, há a dissolução das relações em que 
os trabalhadores mesmos, as unidades vivas da força de tra-
balho, ainda são parte direta das condições objetivas de pro-
dução e objetos de apropriação, nesta qualidade \u2014 sendo, por-
tanto, escravos ou servos. Para o capital o trabalhador não 
constitui uma condição de produção, mas apenas o trabalho 
o é. Se este puder ser executado pela maquinaria ou, mesmo, 
pela água ou pelo ar, tanto melhor. E o capital se apropria 
não do trabalhador mas de seu trabalho \u2014 e não diretamente, 
mas por meio de troca. 
* Estes, então, por um lado, são pré-requisitos históricos 
sem os quais o trabalhador não pode aparecer como traba-
lhador livre, como capacidade de trabalho puramente subje-
tiva, sem objetividade, enfrentando as condições objetivas da 
produção como sua não-propriedade, como propriedade alheia, 
como valor existente por si mesmo, como capital. Por outro 
lado, devemos indagar que condições são necessárias para que 
ele se defronte com o capital. 
II 
* A fórmula "capital", em que o trabalho vivo se apresenta 
numa relação de não-propriedade relativamente à matéria 
prima, aos instrumentos e meios de subsistência necessários 
durante o período de produção, implica, em primeira instân-
cia, a não-propriedade da terra; i.é, a ausência de um estado 
em que o indivíduo trabalhador considere a terra, o solo, como 
seu próprio e o trabalhe como seu proprietário. No caso mais 
favorável ele mantém-se tanto na relação do trabalhador com 
a terra quanto na relação do dono da terra consigo mesmo, 
enquanto sujeito trabalhador. Potencialmente, a propriedade 
da terra inclui a propriedade das matérias primas e a do ins-
trumento original de trabalho, o solo, e, também, a de seus 
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frutos espontâneos. Na forma mais original, isto significa que 
o indivíduo considera o solo como lhe pertencendo e nele en-
contra sua matéria prima, instrumentos e meios de subsis-
tência não criados pelo próprio trabalho mas pela própria 
terra. Uma vez que esta relação seja reproduzida, instru-
mentos secundários e os frutos da terra produzidos pelo tra-
balho surgem, imediatamente, incluídos na forma primitiva 
de propriedade da terra. Esta situação histórica é a que, em 
primeiro lugar, é negada pela relação de propriedade mais 
completa implícita na relação do trabalhador com as condi-
ções de trabalho como capital. Esta é a situação histórica 
N° 1, negada no novo relacionamento, ou pressuposta como 
tendo sido dissolvida pela história. 
Um segundo passo histórico está implícito na proprieda-
de do instrumento, i.é, na relação do trabalhador com o ins-
trumento como algo próprio, em que ele trabalha como pro-
prietário do instrumento (o que pressupõe que o instrumento 
esteja incluso em seu trabalho individual, i.é, presume uma 
especial e limitada fase de desenvolvimento da força produ-
tiva do trabalho). Estamos considerando uma situação em 
que o trabalhador não apenas possua o instrumento, mas na 
qual esta forma do trabalhador como proprietário ou do pro-
prietário trabalhador já seja distinta, separada da proprie-
dade da terra e não, como no primeiro caso, um acidente da 
propriedade da terra e nela incluída: em outras palavras, o 
desenvolvimento artesanal e urbano do trabalho. Por isto, 
também, encontramos aqui as matérias primas e meios de 
subsistência mediados como propriedade do artesão, media-
dos através de seu ofício, de sua propriedade do instrumento. 
Este segundo passo histórico existe, agora, distinto e sepa-
rado do primeiro que, por sua vez, mostrar-se-á consideravel-
mente modificado pelo mero fato deste segundo tipo de pro-
priedade ou do proprietário que trabalha ter estabelecido sua 
existência independente. 
Como o instrumento, em si, já é o produto do trabalho, 
i.é, o elemento que constitui propriedade já está estabelecido 
pelo trabalho, a comunidade não pode mais aparecer, aqui. 
como aparecia no primeiro caso, em sua forma primitiva. A 
comunidade na qual esta forma de propriedade está baseada 
já se mostra como algo produzido, secundário, algo que 
foi gerado, uma comunidade produzida pelo próprio traba-
lhador. É claro que, quando a propriedade do instrumento 
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é o relacionamento com as condições do trabalho como pro-
priedade, no trabalho real o instrumento surge, meramente, 
como um meio de trabalho individual e a arte de, efetivamen-
te, apropriar-se do instrumento para empregá-lo como um 
meio de trabalho aparece como uma habilidade especial do 
trabalhador, que faz dele o dono de seus instrumentos. Re-
sumidamente, o caráter essencial dos sistemas de guildas, ou 
corporativos (trabalho artesanal como sujeito e elemento cons-
tituinte da propriedade) 17 é analisável em termos de uma re-
lação com o instrumento de produção: a ferramenta como 
propriedade. Isto difere da relação com a terra, com a terra 
como propriedade sua, que é, antes, a da matéria prima como 
propriedade. Neste estado histórico N° 2 a propriedade é, 
pois, constituída pela relação do sujeito que trabalha com 
este elemento único das condições de produção, que faz dele 
um proprietário que trabalha; e este estado somente pode 
existir como uma contradição do estado N.° 1 ou, se quiser-
mos, como suplementar a um estado N.° 1 modificado. A pri-
meira fórmula de capital nega este estado histórico, também. 
A terceira forma possível é nem agir como proprietário 
da terra nem do instrumento (i.é, nem do próprio trabalho), 
mas, somente, dos meios de subsistência, que são encontrados, 
então, como a condição natural do sujeito que trabalha. Esta 
é, no fundo a fórmula da escravidão ou servidão, que tam-
bém é negada ou pressuposta como tendo sido historicamente 
dissolvida na relação do trabalhador com as condições de 
produção como capital. 
As formas originárias de propriedade, necessariamente, 
reduzem-se à relação de propriedade com os diferentes ele-
mentos objetivos que condicionam a produção; elas são a 
base econômica de diferentes formas de comunidade e, por 
sua vez, pressupõem formas específicas de comunidade. Tais 
formas são significativamente modificadas logo que o próprio 
trabalho é situado entre as condições objetivas de produção 
(como na escravidão e servidão), disso resultando