Karl - Marx - Formacoes Economicas - Pre-Capitalistas
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Karl - Marx - Formacoes Economicas - Pre-Capitalistas


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concebido como um 
objeto. Mas a mesma coisa, mercadoria, dinheiro, e t c , pode 
representar capital ou receita, etc. Por isto é claro, até para 
os economistas, que o dinheiro não é tangível, porém que a 
29 NOTA DE MARX: "Mas, entre os gregos a palavra arkhais era 
usada no sentido do que os romanos chamavam "principalis summa 
reincreditae" (o principal de um empréstimo)" . 
30 NT.: Parceria agro-pecuária (em tradução livre). 
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mesma coisa pode ser incluída ora sob a denominação de 
capital, ora sob outra denominação e bem contrária, e, de 
acordo com isso, é ou não é capital; este é uma relação e so-
mente pode ser uma relação de produção.31 
31 NT : Ai termina a tradução de J a c é Cohen, do alemão para o In-
glês, que é a matriz da presente tradução portuguesa. Mas, no t r a -
balho de M. N. e Miguel Murmis, que passaram as FORMEN do 
alemão para o espanhol (Ediciones Pasado y Presente, Cordoba, 1971) 
há, ainda, o trecho que segue: 
"Vimos como a verdadeira natureza do capital apenas se apre-
senta no final do segundo ciclo. Temos de considerar agora o pró-
prio ciclo ou circulação do capital. Originariamente. a produção pare-
cia estar além da circulação e a circulação além da produção. O ciclo 
do capital \u2014 a circulação considerada como circulação do capital \u2014 
abrange os dois momentos. Nele a produção figura como um ponto 
final e inicial da circulação e vice-versa. A autonomia da circula-
ção reduz-se a mera aparência, do mesmo modo que o estar além 
da produção." 
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Textos Suplementares de Marx e Engels sobre Problemas de 
Periodização Histórica 
1 \u2014 DA IDEOLOGIA ALEMÃ (Parte I) 
(A) 
O modo pelo qual os homens produzem seus meios de 
subsistência depende, antes de tudo, da natureza dos meios 
que eles encontram e têm de reproduzir. Este modo de pro-
dução não deve ser considerado, simplesmente, como a re-
produção da existência física dos indivíduos. Trata-se, antes, 
de uma forma definida de atividade destes indivíduos, uma 
forma definida de expressarem suas vidas, um definido mo-
do de vida deles. Assim como os indivíduos expressam suas 
vidas, assim eles são. E o que eles são, portanto, coincide com 
sua produção, tanto com o que produzem quanto com o como 
produzem. A natureza dos indivíduos, portanto, depende das 
condições materiais determinantes de sua produção. 
Esta produção apenas se revela com o aumento da po-
pulação. Por sua vez, isto pressupõe o relacionamento recí-
proco dos indivíduos. A forma deste relacionamento é deter-
minada, ainda, pela produção. 
As relações recíprocas de diferentes nações dependem 
da extensão em que cada qual desenvolveu suas forças pro-
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dutivas, a divisão do trabalho e relações internas. Esta afir-
mação é amplamente aceita. Mas, não apenas as relações de 
uma nação com outras, também toda a estrutura interna 
da própria nação depende do estágio de desenvolvimento al-
cançado por sua produção e por suas relações interna e ex-
terna. O quanto as forças produtivas duma nação estão de-
senvolvidas é demonstrado, mais claramente, pelo grau até 
onde levou a divisão do trabalho. Cada nova força produtiva, 
na medida em que não seja, meramente, uma extensão quan-
titativa de forças produtivas já conhecidas (por exemplo, o 
acréscimo de novas terras ao cultivo) trará maior desenvolvi-
mento da divisão do trabalho. 
A divisão do trabalho dentro duma nação leva, primeira-
mente, à separação do trabalho industrial e comercial do 
agrícola e, portanto, à separação da cidade e do campo e a 
um conflito de interesses entre eles. O desenvolvimento pos-
terior conduz à separação das atividades industriais dás co-
merciais. Ao mesmo tempo, através da divisão do trabalho 
desenvolvem-se mais, dentro dos vários ramos, divisões 
entre os indivíduos que cooperam em espécies definidas 
de trabalho. A posição relativa destes grupos individuais 
é determinada pelos métodos empregados na agricultura, 
indústria e comércio (patriarcalismo, escravidão, estamentos, 
classes). Estas mesmas condições serão vistas (dado um re-
lacionamento mais desenvolvido) nas relações das diferentes 
nações entre si. 
Os vários estágios de desenvolvimento da divisão do tra-
balho são, apenas, outras tantas formas diversas de proprie-
dade; i. é, os estágios vigentes da divisão do trabalho deter-
minam, também, as relações recíprocas dos indivíduos, rela-
tivamente às matérias primas, instrumentos e produtos do 
trabalho. 
A primeira forma de propriedade é a propriedade tribal. 
Corresponde a um estágio não desenvolvido da produção em 
que um povo vive da caça e da pesca, criando animais ou, 
na fase mais elevada, da agricultura. Este último caso pres-
supõe grandes extensões de terras não cultivadas. A divisão 
do trabalho, neste estágio, é muito elementar ainda, e está 
limitada a uma extensão da divisão natural do trabalho im-
posta pela família: a estrutura social é, portanto, resumida a 
uma extensão da própria família; lideranças familiares patriar-
cais, os membros da tribo abaixo delas e, finalmente, os es-
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cravos. A escravidão latente na família só se desenvolve, 
gradualmente, com o aumento da população, a maior pres-
são das necessidades e a ampliação das relações exteriores, 
de guerra ou de comércio. 
A segunda forma é a antiga propriedade comunal e do 
Estado, que provém, particularmente, da união de várias tri-
bos numa cidade, por acordo ou conquista, e ainda é acompa-
nhada pela escravidão. Ao lado da propriedade comunal já en-
contramos a propriedade privada móvel, e mais tarde a imó-
vel, em desenvolvimento, mas como forma anormal, subor-
dinada à propriedade comunal. É somente como comunidade 
que os cidadãos exercem poder sobre seus escravos que traba-
lham \u2014 e somente por esta condição, portanto, eles ficam 
vinculados à forma de propriedade comunal. A propriedade 
privada comunal é que força os cidadãos ativos a permane-
cerem nesta forma natural de associação em oposição a seus 
escravos. Por este motivo, toda a estrutura da sociedade ba-
seada em tal propriedade comunal, e com ela o poder 
do povo, entra em decadência na mesma medida em que 
progride a propriedade privada imóvel. A divisão do trabalho 
já está mais desenvolvida. Já encontramos o antagonismo 
entre a cidade e o campo, depois o antagonismo entre aque-
les estados que representam interesses urbanos e os que re-
presentam interesses rurais e, dentro das próprias cidades, o 
antagonismo entre a indústria e o comércio marítimo. As re-
lações de classe entre os cidadãos e os escravos estão, agora, 
completamente desenvolvidas. 
Toda esta interpretação da história parece ser contesta-
da pelo fato da conquista. Até este momento a violência, a 
guerra, a pilhagem, a violação de mulheres e a matança, e t c , 
têm sido aceitas como a força motora da história. Aqui, te-
remos de nos limitar aos pontos principais e a apresentar, por-
tanto, só um exemplo frisante \u2014 a destruição de uma antiga 
civilização por um povo bárbaro e a conseqüente formação 
de uma organização social inteiramente nova (Roma e os 
bárbaros: o Feudalismo e os gauleses; o Império Bizantino 
e os turcos). Para os povos bárbaros conquistadores a própria 
guerra, como indicamos anteriormente, é ainda uma forma 
regular de relacionamento, mais intensamente explorada à 
medida em que a população aumenta, impondo a necessidade 
de novos meios de produção que superem o rude modo de 
produção tradicional e, para esse povo, o único possível. 
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Na Itália, entretanto, as coisas passaram-se doutro modo. A 
concentração de propriedade territorial (causada não apenas 
pela compra e endividamentos, mas por herança, pois a vida 
livre sendo comum e o matrimônio raro, as velhas famí-
lias extinguiam-se e suas possessões caíam nas mãos duma 
minoria) e sua transformação em pastagens (devido não so-
mente a forças econômicas