Relaçao solo planta
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Relaçao solo planta


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na solução. 
Fator Intensidade (I): é a concentração, ou, mais precisamente, a 
atividade do íon na solução do solo. 
Fator capacidade ou poder tampão: é a relação entre os fatores 
quantidade e intensidade, dada faixa de concentração (atividade) considerada 
(\u394Q/\u394I) (Figura 5). 
 
Figura 5. Relação entre os fatores quantidade (Q), intensidade (I) e capacidade 
ou poder tampão (FC) de um nutriente no solo. 
 
 
Observa-se que o solo A tem maior FC ou é mais tamponado que o solo B 
(\u394Q/\u394I do solo A > \u394Q/\u394I do solo B). Na prática, pode-se dizer que, para a 
mesma dose de P (Q), por exemplo, aplicada nos dois solos, o aumento da 
concentração de P em solução (I) será maior no solo B do que no A. 
Uma possibilidade para justificar isto seria o solo A ser mais argiloso que 
o solo B, mantendo-se a mesma qualidade de argila (atividade) para ambos os 
solos. 
Fator Intensidade 
a) Solução do Solo 
Os processos físicos, químicos e biológicos do solo são altamente 
dependentes de sua fase líquida aquosa. 
Os nutrientes na solução do solo poderão ter suas concentrações 
diminuídas pela absorção pelas plantas que podem também exsudar nutrientes 
minerais e compostos orgânicos para a solução do solo, enriquecendo-a 
(Figura 6). A lixiviação de K mesmo da planta viva também ocorre, tornando-se 
um suprimento do nutriente para a solução do solo. A solução do solo pode ter 
ganhos de nutrientes por meio da aplicação de fertilizantes minerais, orgânicos, 
fixação livre ou simbiótica do N2 atmosférico, e pelas chuvas (Quadro 6). Os 
nutrientes na solução do solo estão em equilíbrio com os colóides do solo, 
minerais e orgânicos, que podem fixá-los (K fixado em argilas silicatadas 2:1; P 
fixado em formas não-lábeis, etc.) ou formar complexos estáveis com a matéria 
orgânica do solo (Cu é um exemplo clássico). Os nutrientes em concentrações 
elevadas, que ultrapassam o produto de solubilização, podem ser precipitados, 
a partir de suas formas iônicas da solução do solo. 
Há perdas dos nutrientes da solução do solo por meio da erosão, 
lixiviação e perdas gasosas pela desnitrificação, volatilização de NH3, de CO2 da 
respiração de C orgânico dissolvido na solução do solo, CH4, H2S, estes dois 
gases em solos submetidos a baixo potencial redox (inundados por longos 
períodos de tempo, por exemplo). 
De modo geral, as rochas e minerais submetidos a intemperismo são uma 
fonte de nutrientes constante para a solução do solo, podendo atuar como 
dreno, fixando-os na síntese de novos minerais. 
Os resíduos orgânicos e a microbiota podem pela mineralização 
enriquecer a solução do solo ou empobrecê-la pela imobilização de elementos 
pelos microrganismos. 
 
 
 
Figura 6. Interfaces da solução do solo (fase líquida) com as fases mineral e 
orgânica, com a planta, e ganhos e perdas de seus componentes pelos 
mecanismos mais importantes envolvidos. 
Fator Quantidade 
O fator quantidade é uma medida do elemento trocável do solo como 
Ca2+, Mg2+, K+, Al3+, das análises de rotina de fertilidade, independentemente 
do extrator utilizado no país: Mehlich-1 ou Resina de Troca Catiônica ou, com 
mais frequência, Resina mista (aniônica mais catiônica). Também para 
elementos, como P e Zn adsorvidos ao solo preferencialmente por covalência, 
com troca de ligantes, a Resina de Troca Iônica (RTI) pode ser considerada o 
método de determinação do fator quantidade denominado, para estes casos, 
formas lábeis desses elementos, formas do íon adsorvido à fase sólida do solo, 
mas em equilíbrio com sua forma na solução do solo. 
O P fixado da forma não-lábil (\u201cnão-trocável\u201d), por não se encontrar em 
equilíbrio como P em solução, não pode ser considerado uma forma de fator 
quantidade de P, e, portanto, não-disponível às plantas a curto prazo. 
A utilização de RTI ou mista, como um método de determinação de Q 
para elementos como o P, tem ressalvas, uma vez que com apenas uma 
extração, como se faz na análise de rotina do \u201cdisponível\u201d, extrai-se apenas 
parte do lábil, em torno de 50 % (valor variável entre solos) do total extraído 
pela somatória de extrações sucessivas. Para extratores químicos como o 
 
 
Mehlich-1, o P extraído do solo é considerado uma medida de Q; erros podem 
ser grosseiros, uma vez que formas não-lábeis de P no solo podem também ser 
extraídas, de modo particular naqueles solos ricos em P ligado a Ca (P-Ca), para 
os quais este extrator não é recomendado. 
Capacidade ou Poder Tampão de Nutrientes no Solo 
Quando se falou sobre cargas do solo no início deste capítulo, criou-se a 
figura do sistema bancário como análogo a esta característica do solo. Dada a 
íntima relação entre cargas do solo e a capacidade ou poder tampão, como será 
visto nos capítulos de acidez do solo e de P, pode-se adicionar mais um 
componente ao \u201csistema bancário\u201d: o cliente ou o usuário do banco. 
Esse sistema pode ser representado da seguinte maneira: 
 
Este esquema é semelhante ao do solo para um nutriente qualquer, como 
o Ca2+ no exemplo: 
 
Portanto, no sistema bancário, o cliente A (avarento) pode manter o seu 
dinheiro quase todo ou todo na poupança, enquanto o cliente B (gastador) 
coloca pouco dinheiro na poupança, mantendo a maior parte em espécie no 
bolso, para ser gasto. Há um equilíbrio entre poupança e dinheiro em espécie, 
para cada cliente, em que a falta de dinheiro em espécie faz com que o cliente o 
recomponha recorrendo à poupança e vice-versa: entrada de dinheiro em 
espécie faz com que parte dele migre para a poupança. Há um equilíbrio entre 
os dois compartimentos (poupança e dinheiro em espécie). Assim, a relação 
P/E do Esq. 1 pode ser considerada uma medida de \u201cmiserabilidade\u201d de um 
cliente do banco: quanto maior P/E mais miserável (avarento) e o contrário, 
menor P/E, numa comparação entre clientes, mais gastador. 
Voltando ao solo (Esq.2), há o Ca2+ retido no complexo de troca 
adsorvido às cargas negativas (fator quantidade - Q) em equilíbrio com o Ca2+ 
em solução (fator intensidade \u2013 I). O equilíbrio define a relação Q/I que é uma 
medida do fator capacidade (FC) ou poder tampão (PT) de Ca2+ em 
determinado solo. No solo A, o Ca2+ pode-se encontrar quase todo no complexo 
de troca, enquanto, no solo B, o Ca2+, pode-se encontrar quase todo na solução 
do solo. Para o solo A a relação \u394Q/\u394I é muito alta, o que indica um solo com 
elevado FC ou PT, caracterizado por ter muitas cargas negativas (CTC efetiva 
alta), o que é próprio dos solos mais argilosos (particularmente aqueles com 
argilas mais ativas, como as silicatadas do tipo 2:1 e, ou, com maiores teores de 
matéria orgânica). 
 
 
Adicionando uma planta ao Esq. 2: 
 
FERTILIDADE DO SOLO 
Observe que há dois drenos (solo e planta) para a mesma fonte, o Ca2+ 
na solução dosolo (I). 
No exemplo do sistema bancário, o cliente poderia ter a opção de colocar 
o dinheiro na poupança ou emprestá-lo a um amigo. Certamente, o amigo teria 
menos sucesso em obter o empréstimo com o cliente A (avarento) do que com o 
cliente B (perdulário). 
No solo, a planta vai encontrar menos Ca2+ na solução de um solo com 
maior FC (o argiloso, por exemplo) que no solo com menor FC (solo arenoso) 
para os mesmos valores de Q + I em ambos os solos. 
Para o caso do Ca2+, a planta não será desfavorecida em relação ao solo 
porque todo o Ca2+ do complexo de troca irá recompor o Ca2+ da solução, à 
medida que este for absorvido pela planta. Esta concorrência entre solo e planta 
pelo Ca2+ não se verifica, uma vez que a ligação do Ca2+ com as cargas negativas 
dos solos se dá por ligação iônica ou eletrovalência, com muito baixa energia de 
adsorção. O mesmo modelo ocorre para o Na+, K+, Mg2+ e para ânions, como o 
Cl- e o NO3\u2013. 
Por outro lado, a competição entre solo e planta por nutriente, com 
predomínio do solo sobre