Anotacoes_em_Farmacologia
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inanição e aumenta a decomposição dos lipídeos e proteínas. 
 O diabetes é classificado em tipo 1 e tipo 2. O diabetes 
mellitus do tipo 1 caracteriza-se pela destruição imunológica 
das células beta pancreáticas em indivíduos geneticamente 
suscetíveis com deficiência absoluta de insulina. O diabetes 
mellitus tipo 2 caracteriza-se pelo distúrbio de secreção de 
insulina, pela resistência à insulina nos tecidos alvos ou pela 
dessensibilização dos receptores de insulina, ou seja, ocorre 
hiperglicemia em jejum apesar da disponibilidade de insulina. 
 O diagnóstico do diabetes mellitus baseia-se nos sinais 
clínicos da doença (polidipsia, polifagia, poliúria e visão turva) 
níveis sanguíneos de glicose em jejum (> 126 mg/dL), medidas 
ao acaso da glicose plasmática (> 200 mg/dL) e resultados do 
teste de tolerância à glicose (resultado maior de 200 mg/dL 
quando ingeridos 75g de glicose). Um nível de glicose em 
jejum entre 110 mg/dL e 126 mg/dL, ou teste de tolerância 
com valores entre 140 a 200 mg, são significativos, sendo 
definidos como distúrbio da glicemia em jejum. Atualmente, o 
valor normal para a glicemia em jejum é de menor que 100 
mg/dL. 
 As três principais complicações agudas do diabetes são a 
cetoacidose diabética (CAD), síndrome hiperglicêmica 
hiperosmolar não-cetótica (HHNC) e hipoglicemia. As 
complicações crônicas do diabetes consistem em neuropatias, 
distúrbios da microcirculação (neuropatias, nefropatias e 
retinopatias), complicações macrovasculares e úlceras do pé. 
 Há duas categorias de drogas antidiabéticas: a insulina e 
as medicações orais. 
 
1) Insulina: a insulina é um hormônio essencialmente 
anabolizante (de síntese), propicia a utilização periférica da 
glicose nos tecidos muscular e adiposo, inibe a glicogenólise e 
a neoglicogênese hepáticas e aumenta as sínteses protéica e 
lipídica. A insulina humana é de escolha para o controle 
crônico do diabetes mellitus tipo 1 e dos pacientes com 
diabetes tipo 2 não controlados por dieta, exercícios ou 
antidiabéticos orais. 
 A insulina é um hormônio produzido pelas células beta das 
Ilhotas de Langhans. O principal mecanismo de liberação da 
insulina se dá da seguinte forma: 
- a glicose circulante se liga ao receptor GLUT-2 na membrana 
das células beta, sendo transportada para o interior dessas 
células; 
- o metabolismo da glicose ocorre no interior da célula beta e o 
ATP, um dos produtos desse metabolismo, promove o 
fechamento dos canais de potássio e abertura dos canais de 
cálcio; 
- o aumento da concentração intracelular de cálcio promove a 
exocitose da insulina que estava armazenada em vesículas. A 
insulina também pode ser liberada por certos aminoácidos, 
estímulo vagal e outros açúcares; 
- a insulina liberada ganha a circulação e liga-se a receptores 
especializados presentes nas membranas da maioria dos tecidos. 
Os tecidos-alvos primários são o fígado, o músculo e o tecido 
adiposo; 
 
 
- após ligar-se aos receptores, a insulina desencadeia uma rede 
de fosforilação no interior das células e resulta em múltiplos 
efeitos, incluindo a translocação dos transportadores da glicose 
(particularmente o GLUT-4) para a membrana celular, com 
conseqüente aumento da captação de glicose; atividade da 
glicogênio sintetase e aumento na formação de glicogênio; 
múltiplos efeitos sobre a síntese de proteína, a lipólise e a 
lipogênese; a ativação de fatores de transcrição que aumentam a 
síntese de DNA e o crescimento e a divisão das células; 
 
 
 
ANOTAÇÕES EM FARMACOLOGIA E FARMÁCIA CLÍNICA 
Marcelo A. Cabral 
 
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Portanto, a insulina promove o armazenamento de 
gordura e de glicose no interior das células-alvos 
especializadas e influencia o crescimento celular e as funções 
metabólicas de uma ampla variedade de tecidos (músculos, 
fígado e tecido adiposo). 
 
2) Antidiabéticos orais: os medicamentos para o diabetes 
agem de duas maneiras: estimulando diretamente o pâncreas 
a fabricar insulina ou melhorando a ação da insulina, ao 
diminuir a resistência do corpo à sua ação. 
 
2.1 - Secretagogos: agem primeiramente pelo estímulo da 
secreção de insulina pelas células beta do pâncreas. Ligam-se 
a receptores nessas células, inibindo o canal de potássio ATP 
dependente (K-ATP). A estabilização do efluxo de potássio 
(fechamento da saída de K+) causa despolarização e ativação 
do canal de cálcio tipo L. O influxo de cálcio, por sua vez, 
estimula a fase 1 (rápida) de liberação de insulina. 
Entre os secretagogos, temos o grupo das 
sulfoniluréias como exemplo a clorpropamida, 
glibenclamida, glipirida, glimepirida entre outros, 
medicamentos com os quais se tem uma longa experiência de 
utilização. 
 Mais recentemente, com a importância que tem sido 
dada ao controle da glicemia pós prandial, secretagogos de 
ação curta, como as meglitinidas (repaglinida e 
nateglinida), têm se destacado para o melhor controle da 
glicemia após as refeições, minimizando o problema de 
hiperinsulinização 
proporcionado pelas drogas de ação mais prolongadas. 
 
2.2 - Diminuidores da resistência à insulina \u2013 
tiazolidionas (glitazonas): a metformina é um anti-
hiperglicêmico oral (diminui a produção de glicose hepática, 
não é hipoglicemiante) do grupo das biguanidas que melhora 
o controle glicêmico em pacientes com diabetes melito não-
insulino dependente ou diabetes do tipo 2. Diminui a 
produção de glicose hepática (gliconeogênese) e sua 
absorção intestinal de glicose, aumenta a sensibilidade 
periférica à insulina e a utilização celular de glicose. 
 
2.3 - Inibidores da alfa-glicosidase (arcabose e miglitol): o 
inibidor de alfaglicosidade disponível no Brasil é a arcabose, 
o primeiro agente direcionado especificamente à 
hiperglicemia pós-prandial. Esse agente inibe a ação das 
glucosidases intestinais, limitando a quebra de 
oligossacarídeos em monossacarídeos, retardando a absorção 
da glicose e proporcionando uma menor excursão glicêmica 
pós-prandial. 
 
2.4 -Inibidores da dipeptidil peptidase-4 (DPP-4): a 
vildagliptina inibe uma enzima de nome DPP-4, resultando 
no aumento dos níveis de incretina. Com a inibição da DPP-
4, a vida média do GLP-1 (que é um dos tipos de incretinas 
produzidas pelo intestino) aumenta e a secreção de insulina 
no pâncreas fica estimulada. As incretinas são hormônios 
produzidos pelas células do aparelho digestório e ativam o 
funcionamento das células pancreáticas responsáveis pela 
produção da insulina e reduzem a produção exagerada de 
glucagom pelas células alfa das ilhotas pancreáticas. 
Acredita-se que as incretinas desempenham papel na 
prevenção de mudanças estruturais que levam à morte das 
células beta, o que reduziria a progressão da disfunção do 
pâncreas. 
 
2.5 - Incretinas (sintéticas): o fosfato de sitagliptina é uma 
forma sintética da própria incretina GLP-1. Atua imitando sua 
ação no organismo e não é substrato da DPP-4. A origem desse 
princípio ativo é inusitada: o composto foi sintetizado de uma 
substância derivada da saliva do Monstro de Gila. 
 
 Observação: o glucagom é utilizado no tratamento de 
emergência das reações hipoglicêmicas graves que ocorrem em 
pacientes com diabetes tipo-1, pois ele estimula o fígado a liberar 
glicose na corrente sanguínea. 
 A disfunção progressiva das células beta é responsável 
pela deterioração do controle da glicemia em pacientes com 
diabetes tipo-2. O declínio é de aproximadamente 4% ao ano, 
independentemente do tratamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANOTAÇÕES EM FARMACOLOGIA E FARMÁCIA CLÍNICA 
Marcelo A. Cabral 
 
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Referências Bibliográficas 
 
1. RANG, H. P. et al. Farmacologia. 4 edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001; 
2. KATZUNG, B. G. Farmacologia: Básica & Clinica. 9 edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006; 
3. CRAIG, C.
erica
erica fez um comentário
muito obrigada
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