Anotacoes_em_Farmacologia
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respondem a estímulos 
térmicos, mecânicos e químicos. Os estímulos químicos que 
atuam sobre os PMN causando dor incluem a bradicinina, a 
5-HT e a capsaicina. 
Os PMN são sensibilizados pelas prostaglandinas 
(abaixam o limiar de excitabilidade), o que explica o efeito 
dos AINES que inibem a ciclo-oxigenase (COX-1 e COX-2) 
do ácido araquidônico das células inflamatórias 
(araquidonato), e consequentemente reduzem a síntese de 
prostanóides (PGE2 e PGI2). 
Portanto, as prostaglandinas em si não causam dor, mas 
potencializam acentuadamente o efeito de outros agentes na 
produção da dor, como a 5-HT ou a bradicinina. Elas 
sensibilizam as terminações nervosas a outros agentes, por 
inibir os canais de potássio e ao facilitar a abertura dos 
canais de cálcio (Ca+). 
 É importante assinalar que a própria bradicinina causa 
liberação de prostaglandinas e, por conseguinte, exerce um 
poderoso efeito de \u201cauto-sensibilização\u201d sobre os aferentes 
nociceptivos. 
 De forma simplificada, o mecanismo de transmissão da 
dor pode ser explicado da seguinte maneira: 
 1) os estímulos nocivos endógenos ou exógenos que 
agem sobre o corpo causam a liberação pelas células locais 
de substâncias (substância P, bradicinina, prostaglandinas, 
neurocinina A e neurocinina B etc.) que incidirão sobre os 
nociceptores ativando-os e/ou modulando sua atividade 
excitatória. 
 2) os neurônios nociceptivos ativados transmitem 
impulsos elétricos aos neurônios do corno dorsal da medula 
espinhal através de fibras A\u431 e C. 
 
 
3) os corpos celulares dos neurônios nociceptivos 
efetuam sinapses com os neurônios do trato espinotalâmico 
ao nível da medula espinhal, servindo-se para isso de 
neurotransmissores (principalmente do glutamato que age 
sobre os receptores AMPA). Os impulsos nervosos 
conduzidos pelas fibras A\u431 (de condução rápida e 
localizada) são transportados do corno dorsal da medula 
espinhal ao córtex cerebral através da via neoespinotalâmica, 
enquanto os impulsos conduzidos pelas fibras C (de 
condução lenta) são comunicados ao córtex cerebral através 
da via paleoespinotalâmica. 
 
 
 4) no córtex somatossensorial as informações de dor 
são percebidas e interpretadas; já no sistema límbico os 
componentes emocionais da dor são vivenciados; e nos centros 
do tronco cerebral, as respostas do sistema nervoso autônomo 
são recrutadas. 
 
5) O cérebro modula a dor diretamente mediante as 
vias eferentes inibitórias, e indiretamente através da 
Substância Gelatinosa. Essa modulação ocorre no corno 
dorsal localizado na medula e denomina-se \u201csistema de 
controle do portão\u201d. Os neurônios inibitórios descendentes 
utilizam principalmente a 5-HT para exercerem as suas 
sinápses. A substância \u2018gelatinosa consiste em 
interneurônios inibitórios curtos (utilizam encefalinas e 
GABA como neurotransmissores) que regulam a 
ANOTAÇÕES EM FARMACOLOGIA E FARMÁCIA CLÍNICA 
Marcelo A. Cabral 
 
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transmissão na primeira sinapse da via nociceptiva entre as 
fibras nervosas primárias (A\u431 e C) e os neurônios de 
transmissão do trato espinotalâmico. A substância gelatinosa 
é ativada pelos neurônios inibitórios descendentes ou por 
estimulação aferente não nociceptiva. Por outro lado, ela é 
inibida pelos estímulos nociceptivos das fibras C, de modo 
que a atividade persistente das fibras C (dor crônica) facilita 
a excitação dos neurônios do trato espinotalâmico que 
encaminham o impulso de dor ao cérebro. 
 
 
6) as ações do sistema nervoso autônomo em resposta 
ao impulso da dor consistem principalmente em elevação da 
freqüência cardíaca, sudorese, etc. 
7) os opióides promovem analgesia ao excitar 
indiretamente (através do núcleo da rafe magna \u2013 NRM) os 
neurônios da via descendentes que por sua vez ativam a 
substância gelatinosa; agem também diretamente nas 
sinápses do corno dorsal e sobre as terminações periféricas 
dos neurônios aferentes nociceptivos. 
Mediadores químicos na via nociceptiva: 
 Os principais grupos de substâncias que estimulam as 
terminações nervosas na pele são a 5-HT, histamina, 
acetilcolina, bradicinina, ácido láctico, ATP, ADP, K+, 
prostaglandinas (potencializam a ação da bradicinina) e a 
capsaicina (substância encontrada em pimentões e pimenta 
malagueta). 
Transmissores e moduladores na via nociceptiva: 
 Dentre as substâncias destacam-se as taquicinas 
(substância P, a neurocinina A e a neurocinina B) que estão 
distribuídas no sistema nervoso central e periférico, e 
possuem os seus respectivos receptores: NK1, NK2 e NK3. 
Esses receptores são um potencial alvo para novas drogas 
analgésicas (antagonismo), apesar de ainda só terem sido 
desenvolvidas em modelos animais de dor inflamatória. 
 Uma outra classe de moduladores são os peptídeos 
endógenos beta-endrofina, met-encefalina, leu-encefalina e a 
dinorfina. Esses peptídeos estão amplamente distribuídos no 
cérebro. 
Outros mediadores: 
- o glutamato é liberado de neurônios aferentes primários e, 
ao atuar sobre os receptores AMPA, é responsável pela 
transmissão sináptica rápida na primeira sinapse no corno 
dorsal. 
- o GABA é liberado por interneurônios da medula espinhal. 
Inibe a liberação de transmissores por terminações aferentes 
primárias no corno dorsal. 
- a 5-HT é o transmissor dos neurônios inibitórios que vão 
desde o NRM (núcleo da rafe magna) até o corno dorsal. 
- a noradrenalina é o transmissor da via inibitória do lócus 
ceruleus até o corno dorsal e, possivelmente também, de 
outras vias antinociceptivas. 
- a adenosina tem dupla atividade ao regular a transmissão 
nociceptiva, em que a ativação dos receptores A1 provoca 
analgesia, enquanto a ativação dos receptores A2 exerce 
efeito inverso. 
Receptores opióides: 
 Existem três tipos de receptores opióides, denominados 
µ, \u431 e \u3ba (mu, delta e capa), que medeiam os principais 
efeitos farmacológicos dos opiácidos, inclusive alguns 
efeitos indesejáveis tais como depressão respiratória, 
euforia, sedação e dependência. Os opióides analgésicos são 
em sua maioria agonistas dos receptores µ. 
 Os receptores \u431 são provavelmente mais importantes na 
periferia, mas também podem contribuir para analgesia, 
além de constituirem o local de ação de certos agentes 
psicoticomiméticos. 
 Os receptores \u3ba contribuem para a analgesia ao nível 
medular e podem induzir sedação e disforia, porém 
produzem relativamente poucos efeitos indesejáveis e não 
contribuem para a dependência. Alguns analgésicos são \u3ba-
seletivos. 
 Todos os receptores opióides estão ligados através das 
proteínas G à inibição da adenilatociclase. Além disso, 
facilitam a abertura dos canais de K+ (causando 
hiperpolarização) e inibem a abertura dos canais de Ca+ 
(inibindo a liberação de transmissores). 
 
Fármacos não opióides (AAS, AINES, PARACETAMOL): 
 Os medicamentos analgésicos não narcóticos por via 
oral mais comuns são a aspirina, outros AINES e o 
paracetamol. A aspirina ou ácido acetilsalicílico atua em 
nível central e periférico, bloqueando a transmissão dos 
impulsos dolorosos. Também possui ação antipirética e anti-
inflamatória. A aspirina e outros AINES inibem várias 
formas de prostaglandinas através da inibição da 
ciclooxigenase. O paracetamol é uma alternativa aos 
AINES. Embora considerado como um equivalente da 
aspirina como agente analgésico e antipirético, não possui 
propriedades anti-inflamatórias. 
Fármacos analgésicos semelhantes à morfina (opióides): 
 O termo opióide aplica-se a qualquer substância, seja 
endógena ou sintética, que produz efeitos semelhantes aos 
 
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Marcelo A. Cabral 
 
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da morfina, que são bloqueados por antagonistas como a 
naloxona. 
 Análogos da morfina: são compostos cuja estrutura está 
intimamente relacionada com a da morfina, que são
erica
erica fez um comentário
muito obrigada
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