Anotacoes_em_Farmacologia
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miocárdica. 
As drogas da classe IC (flecainida, encainida, 
propafenona, indecainida) diminuem a condutividade, 
deprimindo acentuadamente a fase 0 do potencial de ação, 
mas têm pouco efeito sobre a refratariedade ou a 
repolarização. As drogas dessa classe são usadas nas 
taquicardias supraventriculares e disritmias ventriculares 
com risco de vida. 
As drogas da classe II (propanolol, nadolol, atenolol, 
timolol, acebutol, pindolol, esmolol) são drogas 
bloqueadoras beta-adrenérgicas que agem amortecendo o 
efeito sobre o coração da estimulação do sistema nervoso 
simpático. 
Embora o coração seja capaz de bater por si próprio 
sem inervação do sistema nervoso, as fibras tanto simpáticas 
quanto parassimpáticas inervam o nodo SA e o nodo AV e, 
portanto, alteram a freqüência de automaticidade. A 
estimulação simpa´tica libera noradrenalina, que se liga aos 
ANOTAÇÕES EM FARMACOLOGIA E FARMÁCIA CLÍNICA 
 
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receptores beta1 adrenérgicos nos tecidos nodais. A ativação 
desses receptores no nodo SA desencadeia um aumento na 
corrente marcapasso, que aumenta a freqüência de 
despolarização da fase 4 e, consequentemente, leva a um 
disparo mais freqüente do nodo. A estimulação dos 
receptores beta1 no nodo AV aumenta as correntes de Ca+ e 
K+, aumentando, assim, a velocidade de condução e 
diminuindo o período refratário do nodo. 
Portanto, os antagonistas beta-1 afetam os potenciais 
de ação dos nodos SA e AV através das seguintes ações: 
a) Diminuem a freqüência de despolarização da fase 
4; e 
b) Prolongam a repolarização. 
A diminuição da freqüência da despolarização da fase 4 
resulta em automaticidade diminuída, o que, por sua vez, 
reduz a demanda de oxigênio do miocárdio. A repolarização 
prolongada do nodo AV aumenta o período refratário 
efetivo, diminuindo ancidência de reentrada. 
Essas drogas diminuem a automaticidade, deprimindo a 
fase 4 do potencial de ação; tornam menor a freqüência e a 
contratilidade cardíacas. 
Tais medicações são eficazes no tratamento das 
disritmias e taqui-disritmias supraventriculares secundárias à 
atividade simpática excessiva, mas não muito eficazes no 
tratamento das disritmias graves, como a taquicardia 
ventricular recorrente. 
As diferentes gerações de antagonistas beta-
adrenérgicos produzem graus variáveis de efeitos adversos. 
Três mecanismos gerais são responsáveis pelos efeitos 
adversos desses fármacos. Em primeiro lugar, o 
antagonismo dos receptores beta-2 adrenérgicos provoca 
espasmo do músculo liso, resultando em broncoespasmo, 
extremidades frias e impotência. Esses efeitos são mais 
comumente causados pelos antagonistas beta não seletivos 
de primeira geração (propanolol). Em segundo lugar, a 
exageração dos efeitos terapêuticos do antagonismo dos 
receptores beta-1 pode levar a efeitos inotrópicos negativos 
excessivos, bloqueio cardíaco e bradicardia. Em terceiro 
lugar, a penetração do fármaco no SNC pode provocar 
insônia e depressão. 
Cabe lembrar que, a acetilcolina diminui a freqüência 
cardíaca, devido à ação agonista sobre os receptores 
muscarínicos do nodo SA; por outro lado, a noradrenalina 
aumenta a frequência ao ativar os receptores beta-
adrenérgicos no nodo SA. 
As drogas da classe III (amiodarona, bretílio, sotalol, 
n-acetilprocainamida \u2013 NAPA) agem ampliando o potencial 
de ação cardíaco e a refratariedade. São usadas no 
tratamento das disritmias ventriculares graves. 
A amiodarona é principalmente um agente 
antiarrítmico de classe III, mas também atua como agente 
das classes I, II e IV. Seu mecanismo de ação se dá através 
da alteração da membrana lipídica na qual se localizam os 
canais iônicos e os receptores. Em todos os tecidos 
cardíacos, a amiodarona aumenta o período refratário efetivo 
através do bloqueio dos canais de K+ responsáveis pela 
repolarização da célula. Esse prolongamento da duração do 
potencial de ação diminui a reentrada. Como potente agente 
da classe I, a amiodarona bloqueia os canais de Na+ e, 
portanto, diminui a freqüência de disparo nas células 
marcapasso; exibe bloqueio dos canais de Na+ dependente 
de uso através de sua ligação preferencial aos canais que 
estão na conformação inativada. A amiodarona exerce 
atividade antiarrítmica de classe II através do antagonismo 
não-competitivo dos receptores alfa-adrenérgicos e beta-
adrenérgicos. Como bloqueador dos canais de Ca+ (classe 
IV), a amiodarona pode causar bloqueio significativo do 
nodo atrioventricular e bradicardia, embora, felizmente, o 
seu uso esteja associado a uma incidência relativamente 
baixa de \u201ctorsade de pointes\u201d. 
O amplo espectro de ação da amiodarona é 
acompanhado de um conjunto de efeitos adversos graves, 
quando o fármaco é utilizado por longos períodos ou em 
altas doses, tais como: hipotensão, diminuição da 
contratilidade cardíaca, diminuição da função do nodo AV 
ou SA, pneumonite, hiper ou hipotireoidismo, elevação das 
enzimas hepáticas, neuropatia periférica, disfunção testicular 
e pigmentação cutânea. 
O sotalol antagoniza não-seletivamente os receptores 
beta-adrenérgicos (ação de classe II) e também aumenta a 
duração do potencial de ação ao bloquear os canais de K+ 
(ação da classe III). Esse fármaco é utilizado nas arritmias 
ventriculares graves, particularmente em pacientes que não 
conseguem tolerar os efeitos colaterais da amiodarona. A 
exemplo de outros antagonistas beta, o sotalol pode causar 
fadiga e bradicardia; e, à semelhança de outros agentes 
antiarrítmicos da classe III, pode induzir torsades de pointes. 
O bretílio, à semelhança da guanetidina, concentra-se 
nas terminações nervosas dos neurônios simpáticos, 
causando a liberação inicial de noradrenalina; todavia, a 
seguir, inibe a liberação adicional de noradrenalina. Esse 
fármaco efetua uma simpatectomia química e, portanto, 
exerce um efeito anti-hipertensivo. O bretílio também 
aumenta a duração do potencial de ação nas células 
cardíacas normais e isquêmicas. Os locais de atividade 
antiarrítmicas consistem principalmente nas fibras de 
Purkinje e, secundariamente, nos miócitos ventriculares. 
Não exerce efeito sobre o tecido atrial. 
As drogas da classe IV (verapamil, diltiazem, 
nifedipina, bepridil, nitrendipina, isradipina, nicardipina) 
agem bloqueando os canais de cálcio sensíveis à voltagem, 
deprimindo, assim, a fase 4 e alongando as fases 1 e 2. 
Bloqueando a liberação intracelular dos íons cálcio, 
essas drogas reduzem a força de contração do miocárdio e 
diminuem, assim, a necessidade miocárdica de oxigênio. São 
usadas para retardar a resposta ventricular nas taquicardias 
atriais e fazer cessar as taquicardias supraventriculares 
paroxísticas reentrantes, quando o nodo AV funciona como 
via de reentrada. 
Esses fármacos atuam preferencialmente nos tecidos 
nodais SA e AV, visto que esses tecidos marcapasso 
dependem das correntes de Ca+ para a fase de 
despolarização do potencial de ação. Em contrapartida, os 
bloqueadores dos canais de Ca+ exercem pouco efeito sobre 
ANOTAÇÕES EM FARMACOLOGIA E FARMÁCIA CLÍNICA 
 
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os tecidos dependentes dos canais de Na+ rápidos, como as 
fibras de Purkinje e o músculo atrial e ventricular. 
Como diferentes tecidos expressam subtipos diferentes 
de canais de Ca+, e diferentes subclasses de bloqueadores 
dos canais de Ca+ interagem preferencialmente com 
subtipos diferentes de canais de Ca+, os diversos 
bloqueadores dos canais de Ca+ exercem efeitos diferenciais 
em diferentes tecidos. A nifedipina exerce um efeito 
relativamente maior sobre a corrente de Ca+ no músculo liso 
vascular, enquanto o verapamil e o diltiazem são mais 
efetivos nos tecidos cardíacos. 
Os agentes da classe IV podem provocar bloqueio 
nodal AV ao reduzir excessivamente a velocidade de 
condução. A administração de verapamil
erica
erica fez um comentário
muito obrigada
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