Anotacoes_em_Farmacologia
141 pág.

Anotacoes_em_Farmacologia


DisciplinaFarmacologia I31.544 materiais602.777 seguidores
Pré-visualização50 páginas
do miocárdio. A inibição da entrada de cálcio no 
músculo liso arterial está associada a uma redução do tônus 
arteriolar e da resistência vascular sistêmica, resultando em 
diminuição das pressões arterial e intraventricular. Como 
resultado de todos esses efeitos, o estresse da parede 
ventricular esquerda diminui, com conseqüente redução nas 
necessidades de oxigênio do miocárdio. 
Os bloqueadores dos canais de cálcio diminuem a 
demanda de oxigênio do miocárdio ao diminuir a resistência 
vascular sistêmica e a contratilidade cardíaca. Em outras 
palavras, a ligação da droga nos canais de cálcio tipo L 
reduz a freqüência de abertura em resposta à despolarização. 
Em conseqüência, observa-se acentuada redução na corrente 
de cálcio transmembranosa associada, no músculo liso 
vascular, a um relaxamento prolongado; e no músculo 
cardíaco, a uma redução da contratilidade em todo o coração 
e diminuição na freqüência do marca-passo do nodo sinusal 
e na velocidade de condução no nodo atrioventricular. Disso 
resulta a redução do metabolismo miocárdico com 
conseqüente diminuição do consumo de oxigênio, e 
relaxamento das artérias coronárias com conseqüente 
aumento do influxo sanguíneo ao músculo cardíaco. 
Cada uma das classes de antagonistas dos canais de 
cálcio liga-se à subunidade alfa-1 do canal de Ca+ cardíaco, 
porém em sítios distintos, cada um dos quais interage de 
modo alostérico entre si e com a estrutura de comporta do 
canal, impedindo indiretamente a difusão do Ca+ através de 
seu poro no canal aberto. 
Esses fármacos são empregado, sobretudo, no 
tratamento do vaso espasmo coronariano crônico. Os 
bloqueadores dos canais de cálcio aliviam o vasoespasmo 
dos vasos coronários através da dilatação das artérias 
coronárias epicárdicas e dos vasos de resistência arteriolares. 
A insuficiência cardíaca descompensada constitui uma 
contra-indicação para o uso de certos bloqueadores de 
cálcio, em virtude de seus efeitos inotrópicos negativos. 
 
3) A nitroglicerina (trinitrato de gliceril) e os 
nitratos de ação prolongada (mononitrato de isossorbida) são 
usados no alívio da dor anginal (ataque agudo) e da isquemia 
miocárdica silenciosa. Constituem drogas vasodilatadoras 
que relaxam os vasos venosos e arteriais. A dilatação venosa 
diminui o retorno venoso ao coração (pré-carga), reduzindo, 
assim, o volume ventricular e a compressão dos vasos 
subendocárdicos. Essas drogas também diminuem a tensão 
na parede do ventrículo esquerdo, de tal modo que é 
necessária menor pressão para bombear o sangue. O 
relaxamento das artérias reduz a pressão contra a qual o 
coração tem de bombear (pós-carga). Além dos seus efeitos 
vasodilatadores, os nitratos são considerados como tendo um 
efeito inibitório sobre a ativação e agregação das plaquetas 
que pode contribuir para seus efeitos benéficos em pessoas 
com coronariopatia. 
O mecanismo de ação pode ser explicado pela 
liberação de óxido nítrico (NO) nas células do músculo liso 
vascular que estimula a enzima guanilil ciclase, responsável 
pelo aumento dos níveis do segundo mensageiro GMPc e, 
conseqüentemente, resulta no relaxamento do músculo liso 
pela desfosforilação da cadeia leve da miosina. A 
nitroglicerina relaxa todos os tipos de músculo liso, 
independentemente da causa do tônus muscular preexistente. 
Ela praticamente não exerce nenhum efeito direto sobre o 
músculo cardíaco ou esquelético. 
 
Fig. 01 \u2013 Mecanismo de ação da Nitroglicerina 
 
 
 
ANOTAÇÕES EM FARMACOLOGIA E FARMÁCIA CLÍNICA 
 
Marcelo A. Cabral 
 
3
 A nitroglicerina é absorvida pela circulação portal e 
destruída no fígado, quando administrada por via oral; por 
isso, é administrada por pílulas sublinguais ou aerossóis que 
contornam a circulação portal. A absorção sublingual é 
rápida, e o alívio da dor tem início geralmente em 30 
segundos. A tolerância é uma consideração importante no 
uso dos nitratos. A dor torácica que não é aliviada com 2 ou 
3 comprimidos dentro de 30 minutos pode ser causada por 
infarto agudo do miocárdio. 
Outro aspecto importante é o fato de que o sindenafil 
(viagra \u2013 que atua ao aumentar o GMPc, inibindo a sua 
degradação pela isoforma 5 da fosfodiesterase) potencializa 
a ação dos nitratos utilizados para a angina. Foi relatada a 
ocorrência de hipotensão grave e de alguns casos de infarto 
do miocárdio em homens que fazem uso de ambas as drogas. 
Recomenda-se um intervalo de pelo menos 6 horas entre o 
uso de um nitrato e a ingestão de sildenafil. 
4) Aspirina 
Como a ativação das plaquetas possui importância 
crítica no processo de formação do trombo, os agentes 
antiplaquetários desempenham um papel central no 
tratamento de pacientes com coronariopatia. A aspirina inibe 
irreversivelmente a cicloxigenase plaquetária, uma enzima 
necessária para ageração do composto pró-agregante, o 
tromboxano A2 (TXA2). Por conseguinte, a inibição 
plaquetária que ocorre após a administração de aspirina 
persiste durante o tempo de sobrevida das plaquetas (cerca 
de 10 dias). Esse fármaco é utilizado para prevenir a 
trombose arterial que resulta em acidente vascular ecerbral e 
ataque isquêmico transitório, bem como o infarto do 
miocárdio. A aspirina é mais efetiva como agente 
antiplaquetário seletivo quando administrada em baixas 
doses e/ou a intervalos infreqüentes. Está contra-indicada 
para pacientes com alergia conhecida ao fármaco; nesta 
situação, indica-se o clopidogrel (um antagonista do receptor 
de ADP das plaquetas) como agente alternativo. 
5) Agentes hipolipêmicos (Sinvastatina e 
Provastatina) 
A administração de fármacos que reduzem os níveis 
séricos de colesterol LDL diminui o risco de eventos 
cardiovasculares isquêmicos. A seleção de um agente 
hipolipêmico específico baseia-se tanto em dados 
provenientes de estudos clínicos quanto ao fenótipo lipídico 
do paciente. 
As estatinas inibem a enzima HMG CoA redutase, que 
é fundamental para a síntese hepática de colesterol. Essa 
redução na síntese de colesterol resulta em aumento da 
expressão hepática dos receptores LDL e, portanto, aumenta 
a depuração das partículas de lipoproteína contendo 
colesterol na corrente sanguínea. Os inibidores da HMG 
CoA redutase estão contra-indicados para mulheres que 
estão grávidas ou em fase de lactação ou passíveis de 
engravidar. 
 
Tratamento farmacológico da angina instável e do 
infarto agudo do miocárdio sem elevação do segmento 
ST 
O tratamento farmacológico dessas formas de 
coronariopatia tem por objetivo aliviar os sintomas 
isquêmicos e evitar a formação adicional de trombo no local 
de ruptura da placa. Tipicamente são utilizados aspirina, 
heparina, nitroglicerina e antagonistas beta-adrenérgicos. 
Outros agentes antiplaquetários (por exemplo, antagonistas 
GPIIb-IIIa e antagonistas do receptor de ADP das plaquetas) 
estão indicados para pacientes de alto risco, a fim de evitar a 
formação adicional de trombos. Os agentes trombolíticos 
estão contra-indicados para pacientes com angina instável e 
do infarto agudo do miocárdio sem elevação do segmento 
ST. 
Tratamento farmacológico do infarto agudo do 
miocárdio com elevação do segmento ST 
O tratamento farmacológico para esse tipo de patologia 
tem por objetivo a reperfusão imediata da artéria coronária 
epicárdica ocluída. A aspirina e a heparina constituem o 
tratamento padrão. Entretanto, quando utilizados 
isoladamente, esses agentes não são suficientes para 
recanalizar uma artéria coronária ocluída. Existem duas 
abordagens terapêuticas: trombólise farmacológica; e 
realização de angioplastia ou derivação da artéria coronária 
de emergência. 
Para a realização da trombólise são empregadas a 
estreptoquinase, a ateplase, tenecteplase e a reteplase. 
 
 
 
 
Referências Bibliográficas 
 
1. RANG, H. P. et al. Farmacologia. 4 edição. Rio
erica
erica fez um comentário
muito obrigada
1 aprovações
Carregar mais