Anotacoes_em_Farmacologia
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é a adrenalina. 
 Seu mecanismo de ação é exercido através da ativação 
dos receptores alfa-1 e beta-1 adrenérgicos, os quais pertencem 
à família dos receptores ligados à proteína G. Desta maneira, a 
adrenalina promove o antagonismo dos efeitos 
farmacodinâmicos da histamina. 
 Seus efeitos alfa-1 adrenérgicos na árvore respiratória 
determinam vasoconstrição da mucosa, diminuição de edema da 
mucosa e de secreção brônquica, podendo reverter crises de 
asma brônquica em casos selecionados. Operando como 
antagonista de efeito de histamina e outros autacóides, reverte 
broncoespasmo, edema de glote e hipotensão. 
Glicocorticoídes: 
 Os corticosteróides são úteis no tratamento das alergias 
a imunocomplexos, do tipo III, devido principalmente às suas 
propriedades antiinflamatórias. Nos casos graves pode-se 
administrar azatioprina ou ciclofosfamida 
(imunosupressores), a fim de suprimir a resposta imune e 
permitir o uso de quantidade reduzida de esteróides. O uso 
contínuo de corticosteróides em doses farmacológicas pode 
causar supressão adrenal e hiperadrenocorticismo. O risco de 
supressão renal depende da dose, bem como da duração da ação 
da droga específica e da duração do tratamento. A prednisona e 
a prednisolona, por exemplo, provocam menos complicações 
em comparação à betametasona e a dexametasona. De fato, a 
administração de uma droga de ação curta por período breve 
geralmente não causa toxicidade significativa. Costuma-se 
adotar a administração oral de corticosteróides em regime de 
dias alternados. Os pacientes sofrem menos reações adversas 
com este regime e causam menos supressão renal. 
O mecanismo de ação dos glicocorticóides pode ser 
explicado por sua ligação ao receptor intracelular, fazendo com 
que este último sofra uma mudança conformacional expondo o 
domínio de ligação com o DNA. Forma dímeros, migra para o 
núcleo e se liga ao DNA. Ocorre então a repressão ou indução 
de genes específicos responsáveis pela síntese de proteínas 
(cox-2, citocinas, NOs, lipocortina-1). 
Em outras palavras, os glicocorticóides interagem com 
receptores intracelulares; os complexos esteróides-receptor 
resultantes formam dímeros (pares) e a seguir, interagem com o 
DNA. Com isso, modificam a transcrição gênica, induzindo a 
síntese de algumas proteínas, como a lipocortina-1 que é 
importante na retroalimentação e como antiinflamatório pois 
inibe a fosfolipase A2 que é a responsável pela degradação dos 
fosfolipídeos da membrana celular com formação de ácido 
arquidônico. Este ácido é o substrato das ciclo-oxigenases na 
formação dos eicosanóides: quimiotaxinas, lipoxinas, 
prostaglandinas, tromboxanos, leucotrienos. Além disso, inibe a 
 
ANOTAÇÕES EM FARMACOLOGIA E FARMÁCIA CLÍNICA 
Marcelo A. Cabral 
 
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síntese de outras substâncias tais como a COX-2, as citocinas e 
NOs. 
Outros fármacos usados no tratamento da alergia: 
 O cromoglicato sódico impede a desgranulação dos 
mastócitos. O fármaco estabiliza o sistema de adenilciclase-
cAMP, ao inibir a corrente de cloreto, mas não exerce nenhum 
efeito direto sobre a ação da histamina autacóides relacionados. 
O cromoglicato sódico é apenas útil como agente local; em 
geral, é utilizado na forma de pó, que é insuflado como aerossol 
ou depositado diretamente nas narinas. O fármaco foi também 
submetido a ensaios terapêuticos preliminares em pacientes com 
colite ulcerativa, doença com possível alteração do processo 
imune. 
Os agentes imunossupressores que inibem a produção de 
auto-anticorpos e fagocitose são utilizados no tratamento das 
hipersensibilidades auto-imunes graves do tipo II. Com 
freqüência, os corticosteróides e a azatioprina ou metotrexato 
são utilizadas em associação. Doses elevadas de 
glicocorticóides podem ser úteis na atenuação do espasmo 
brônquico e do edema laríngeo. Nesta situação, os 
glicocorticóides também atuam no sentido de aumentar a 
contração cardíaca e realçar os efeitos vasculares das 
catecolaminas. Contudo, os efeitos máximos dos 
glicocorticóides não ocorrem se não varias horas após a 
administração. A inibição exercida por glicocorticóides sobre 
fenômenos imunológicos pode resultar de uma ou mais ações 
sobre as células linfóides: alteração na produção ou liberação de 
células da medula óssea, modificação de sua capacidade de 
migrar até zonas de reações imunológicas ou inflamatórias, 
remoção de células da circulação por destruição ou seqüestro 
em diversos compartimentos teciduais ou supressão direta de 
suas funções fisiológicas, tais como a produção de linfocinas e 
anticorpos. Outro mecanismo pode compreender a inibição da 
fagocitose e subseqüente digestão do antígeno por macrófagos, 
ocorrência indispensável ao desenvolvimento de algumas 
respostas imunológicas. A hidrocortisona interfere com a 
migração de neutrófilos e fagócitos mononucleares para o local 
da resposta alérgica (inflamação); a capacidade fagocitária e 
digestiva dos macrófagos também é reduzida. Finalmente, a 
hidrocortisona inibe a formação de tecido de granulação por 
retardar a proliferação capilar e fibroblástica e a síntese de 
colágeno (reduz a capacidade de cicatrização das feridas). 
 
Inibidores da calcineurina \u2013 Tacrolimo e Pimecrolimo 
 
Os inibidores da calcineurina de ação tópica surgiram 
da necessidade de utilizar medicamentos que controlem com 
eficácia o processo inflamatório e sejam bem tolerados sem o 
desenvolvimento de efeitos adversos, inclusive a longo prazo. 
São utilizados em dermatites. 
A calcineurina é uma proteína citoplasmática presente 
em diversas células, incluindo linfócitos e células dendríticas. 
Após ativação, atua como um fator de transcrição de IL 
inflamatórias, tais como IL-2, IL-3, IL-4 e TNF-alfa. Essa 
ativação é mecanismo cálcio-dependente que inclui ainda dois 
tipos de proteínas: a calmodulina e as imunofilinas. 
Essas últimas foram assim denominadas por atuarem como 
receptores de substâncias inibidoras da calcineurina. 
O tacrolimo foi descoberto em 1987 por pesquisadores 
japoneses que detectaram a produção de um macrolídeo com 
propriedades imunossupressoras por uma bactéria denominada 
Streptomyces tsukubaensis, daí o nome tacrolimo (tsukuba 
macrolide immunosuppressant). Embora inicialmente 
sintetizado para uso sistêmico na prevenção da rejeição de 
transplantes de órgãos sólidos, foi desenvolvida uma 
formulação de uso tópico com intuito de obter benefícios 
imunomoduladores locais sem desenvolvimento de efeitos 
colaterais sistêmicos. Como conseqüência, hoje seu uso é 
aprovado para controle dos processos eczematosos alérgicos. 
O tacrolimo penetra na membrana das células 
envolvidas na inflamação da DA. Ao se ligar à calmodulina, 
inibe a síntese de calcineurina nos linfócitos, células dendríticas, 
basófilos e eosinófilos. As ações imunológicas que se seguem 
foram observadas em estudos experimentais e in-vitro, 
evidenciando-se: 
. nos linfócitos T, a redução da transcrição e síntese de IL-2, IL-
3, IL-4, IL-5, GM-CSF (fator de estímulo ao crescimento de 
monócitos e granulócitos), fator de necrose tumoral e interferon 
gama; 
. diminuição das células dendríticas, que atuam como 
apresentadoras de antígenos e auxiliam no desencadeamento da 
resposta inflamatória alérgica; 
. diminuição da síntese de mediadores de mastócitos e basófilos 
produzidos pela via da calcineurina; 
. diminuição da liberação de histamina por basófilos periféricos 
(estudos in vitro); 
. redução dos níveis de substância P e fator de crescimento 
neuronal produzido pelos queratinócitos, colaborando para a 
redução do prurido. 
Essas ações permitem o controle do processo inflamatório, pois 
os linfócitos T estão menos ativados e as células dendríticas 
expressam menor quantidade de receptores de alta afinidade 
para IgE. 
 
Mecanismo da Imunoterapia: 
O mecanismo da dessensibilização
erica
erica fez um comentário
muito obrigada
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