Licenciatura em Biologia - Libras - Alfabeto Manual Brasileiro
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para os surdos, sua poderosa infl uencia sobre o moral e a felicidade 
social daqueles que são privados da audição, e seu admirável poder de conduzir o pensamento a mentes 
que, de outro modo, estariam em perpétua escuridão. Tampouco podem avaliar o poder que ela tem sobre 
os surdos. Enquanto houver dois surdos sobre a face da terra e eles se encontrarem, haverá sinais.\u201d
J. Schuyler Long ( 1910). The Sign Language. 
Todos sentem necessidade de entender e ser entendidos. A base para uma boa comunicação com o 
surdos é, logicamente, o contato visual. O nível de conhecimento da LIBRAS entre as partes envolvidas 
na conversação , defi nirá a qualidade da comunicação. 
Por vezes por desconhecer a cultura surda, cometemos alguns deslizes que pode prejudicar a nossa comuni-
cação com o indivíduo surdo. Pensando nisso preparamos algumas dicas para uma boa interação com o surdo:
1 \u2013 Quando duas pessoas conversam em LIBRAS é considerado rude desviar o olhar interrompen-
do o contato visual;
2 \u2013 Para chamar a atenção do surdo quando estiver longe, NÃO GRITE, pois não vai adiantar nada. 
Deve-se acenar com os braços tentando chamar sua atenção, se tiver alguém próximo dele pode pedir para 
chamá-lo tocando-o. Se estiver proximo à você, é bom dar um leve toque no ombro ou no braço. A depen-
der da situação , pode-se dar umas batidinhas no chão ( se for de madeira melhor), ou fazer piscar a luz. 
Nunca empurre-o, ou jogue objetos para chamar sua atenção, isso irritaria qualquer pessoa, não é verdade?
3 \u2013 Procurar usar a LIBRAS com naturalidade e fl uência, não é uma tarefa fácil, mas com a convi-
vência com os surdos, treino e esforço você consegue. 
4 \u2013 Nunca chame o surdo de mudinho, ou lhe dê apelidos.
5 \u2013 Se o surdo for oralizado, posicione-se em sua frente e nunca atrás, fale de forma natural procu-
rando pronunciar bem as palavras sem exageros na sua articulação. Gesticular ou segurar algo em frente 
à boca torna impossivel a leitura labial. Usar bigodão também atrapalha.
6 \u2013 Não precisa falar alto, ou fazer gestor exagerados.
7 \u2013 Se o surdo oralizado estiver falando alto, de forma delicada e expressão facial gentil, você pede 
para ele falar mais baixo. 
8 \u2013 Quando o surdo fi zer algo errado ou se ele estiver fazendo barulho como: arrastando cadeira, 
rindo alto, gritando, chame sua atenção mostrando a forma correta de se comportar.
9 \u2013 Os professores devem procurar falar de frente para o aluno surdo, e ao escrever no quadro 
tomar cuidado para não tapar a visualização do texto escrito.
10 \u2013 Evitar fi car contra a luz ( de uma janela por exemplo) , pois isso difi culta a visualização das 
mãos e do rosto.
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11 \u2013 Quando o surdo estiver acompanhado por um interprete, fale diretamente à ele e não ao interprete.
12 \u2013 Se não entender o que o surdo falou, seja em LIBRAS ou oralmente, nunca minta dizendo que 
entendeu, é melhor pedir para ele repetir.
Os surdos são pessoas que têm sentimentos , receios, direitos e sonhos como todos nós. Se ocor-
rer alguma situação embaraçosa, uma boa dose de gentileza, sinceridade e bom humor nunca falham.
\u201c A Linguagem de Sinais é o verdadeiro equipamento da vida mental do surdo; ele pensa e se co-
munica apenas por este meio, ele recebe por este mesmo meio os conceitos e as idéias(...). Ela(...) precede 
qualquer outra linguagem e , abrindo caminho para o pensamento,permite ao surdo aprender a palavra e 
a própria idéia de linguagem. A língua de sinais um meio indispensável de comunicaçõ entre o professor 
e o aluno, e é de enorme valia em sala de aula para a explicação de conceitos e palavras. Ela não apenas 
abre caminho para o ensino inicial , como também oferece um apoio contínuo para o processo de orien-
tação e explicação\u201d.
Otto F. Kruse( 1853). Sobre Surdos, educação de surdos, e instituições para surdos juntamente com 
notas de meu diário de viagem.
VAMOS APRENDER LIBRAS?
Ufa! Finalmente chegamos à parte prática 
do módulo. 
Este é um momento muito especial, pois faremos con-
tato com a língua de sinais propriamente dita, veremos o alfa-
beto manual, alguns sinais básicos e iniciaremos o estudo da 
gramática da LIBRAS com os seus parâmetros.
Você está preparado? 
Então, mãos à obraaaa!
ALFABETO MANUAL
O alfabeto manual, é a representação das letras do alfabeto das línguas orais. Cada língua de sinais 
tem o seu próprio alfabeto.Veremos a seguir o alfabeto manual brasileiro.
FTC EAD | FT36
Agora tente fazer o seu nome completo no alfabeto manual.
E aí, conseguiu? Se não, tente mais uma vez, o importante é não desistir. Você pode treinar com 
um colega, escrevendo frases para ele ler, depois vocês trocam, ou pode fazer as palavras em frente ao 
espelho, esses exercícios são muito bons para ganharmos agilidade na execução e leitura da dactilologia.
OS SINAIS
A Língua de Sinais é a língua natural dos surdos, é de modalidade gestual visual ou espaço - visual, 
pois sua informação lingüística é recebida pelos olhos e produzida pelas mãos. Ela não é universal como 
muitos pensam cada país tem sua própria língua de sinais, aqui no Brasil, por exemplo, os surdos usam a 
LIBRAS \u2013 Língua Brasileira de Sinais e nos Estados Unidos usam a ASL - American Sign Language. 
As LS, conforme um considerável número de pesquisas contém os mesmos princípios lin-
güísticos que as línguas orais, pois tem um léxico (palavras ou sinais) e uma gramática. Com ela 
podemos falar qualquer assunto desejado, como: poesias, amor, filosofia, piadas, teatro, matemá-
tica, histórias e muito mais.
Os primeiros estudos linguisticos sobre as linguas de sinais foram feitas por Willian stokoe (1960), 
ele revolucionou a linguistica da época apresentando uma análise no nível morfologico e fonologico da 
ASL, pois até então as línguas de sinais não eram reconhecidadas como língua de fato. Aqui no Brasil há 
instituições como o INES ( Instituto de Educação de Surdos), FENEIS (Federação Nacional de Educa-
ção e Integração de Surdos) e alguns linguistas que se dedicam ao estudo da língua de Sinais.
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Os sinais da LIBRAS são compostos por cinco parâmetros:
1. CONFIGURAÇÃO DE MÃOS \u2013 CM
È a forma que a mão assume durante a articulação do sinal. Conforme Ferreira Brito, a LIBRAS 
apresenta 46 CMs, um sistema bastante similar àquele da ASL, embora nem todas as línguas de sinais 
partilhem o mesmo inventário de CMs.
A CM pode permanecer a mesma durante a articulação de um sinal, ou passar de uma confi guração 
para outra. Quando há mudança na confi guração de mão, acorre movimento interno da mão \u2013 essencial-
mente mudança na confi guração dos dedos selecionados.
2. PONTOS DE ARTICULAÇÃO
È aquela área no corpo, ou no espaço de articulação defi nido pelo corpo, em que ou perto da qual 
o sinal é articulado.
Na LIBRAS, assim como em outras Línguas de Sinais até o momento investigadas, o espaço 
de enunciação é uma área que contém todos os pontos dentro do raio de alcance das mãos em que 
os sinais são articulados.
Dentro desse espaço de enunciação, pode-se determinar um número fi nito (limitado) de pontos, que 
são denominados pontos de articulação. Alguns mais precisos, tais como a ponta do nariz, e outros são mais 
abrangentes, como a frente do tórax ( Ferreira Brito e Langevin, 1995). O espaço de enunciação é um espaço 
ideal, no sentido de que se considera que os interlocutores estejam face a face. Pode haver situações em que 
o espaço de enunciação seja totalmente reposicionado e/ou reduzido; por exemplo, se um enunciador A 
faz sinal para B, que está à janela de um edifício, o espaço de enunciação será alterado. O importante é que, 
nessas situações, os pontos de articulação têm posições relativas àquelas da enunciação ideal.
3. MOVIMENTO DA MÃO
O movimento é defi nido como um parâmetro complexo que pode envolver uma vasta rede de 
formas e direções, desde os movimentos internos