DIREITO DE FAMÍLIA

DIREITO DE FAMÍLIA


DisciplinaOab7.815 materiais35.568 seguidores
Pré-visualização12 páginas
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosariava.com.br | 30350105 11 
 
c) em consequência do poder familiar, emerge o direito de se pleitear a guarda dos 
filhos incapazes na forma do artigo 1583, podendo ser estabelecida a guarda unilateral 
ou compartilhada. 
 
4.1.2 Efeitos patrimoniais 
a) põe fim ao regime matrimonial de bens; 
b) substitui o dever de sustento pela obrigação alimentar; 
c) extingue o direito sucessório entre os cônjuges; 
d) pode dar origem à indenização por perdas e danos se ocorrerem prejuízos morais ou 
patrimoniais, desde que se configure a prática de ato ilícito ou abuso de direito; 
 
A sentença de divórcio produz os seguintes efeitos: 
a) dissolve definitivamente o vínculo matrimonial; 
b) põe fim aos deveres conjugais; 
c) extingue o regime matrimonial de bens, sem que seja necessário efetuar a partilha dos 
bens, havendo o estabelecimento de condomínio entre o casal, conforme dispõe o artigo 
1580 do CCB
12
; 
d) faz cessar o direito sucessório; 
e) não admite reconciliação entre os cônjuges; 
f) possibilita novo casamento aos divorciados; 
g) mantém inalterados os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos. 
 
4.1.3 Dissolução extrajudicial do casamento 
O Código de Processo Civil admite a possibilidade de as separações e os 
divórcios consensuais, bem como os inventários e as partilhas, serem realizados 
extrajudicialmente por escritura pública (art. 1.124-A do CPC). 
O procedimento extrajudicial é facultativo, não podendo o juiz se recusar a 
homologar o pedido feito em sede judicial. 
As partes precisam ser assistidas por advogado, podendo o mesmo profissional 
representar ambos os cônjuges. Da escritura devem constar estipulações quanto à 
 
12 Súmula 197 do STJ: O divórcio direto pode ser concedido sem que haja prévia partilha de bens\u201d. 
 OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
professorcristianosobral@gmail.com 
 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosariava.com.br | 30350105 12 
 
pensão alimentícia, à partilha dos bens
13
, à mantença do nome de casado ou ao retorno 
do nome de solteiro. Os cônjuges podem escolher livremente o Tabelionato, não 
havendo qualquer regra que fixe competência. 
Não há necessidade do comparecimento dos cônjuges ao Cartório de Notas, não 
existindo mais a audiência conciliatória, que era indispensavelmente realizada pelo 
magistrado. 
A manifestação de vontade declinada na escritura é irretratável, mas, como se 
trata de negócio jurídico, pode ser anulada por incapacidade ou por vício de 
consentimento. 
 
 
 
 
 
5. Regime patrimonial de bens 
 
É a disciplina legal dos efeitos patrimoniais do casamento, podendo ser 
considerado como o conjunto de princípios que regulam a situação patrimonial do casal 
O art. 1.639 do Código Civil resgata o princípio da autonomia da vontade, em 
matéria de regime de bens, permitindo aos cônjuges estipular o que lhes aprouver. Na 
realidade, o legislador criou três hipóteses de incidência de regras em matéria de regime 
de bens: 
a) os cônjuges escolhem o que lhes aprouver: materializando sua escolha em documento 
próprio (pacto antenupcial - art. 1.640, c/c art. 1.653); 
b) os cônjuges aderem ao regime legal: sem convenção, aceitando em bloco o regime da 
comunhão parcial de bens (art. 1.640). 
c) os cônjuges estão submetidos ao regime da separação total de bens obrigatória: não 
há pacto antenupcial e se houvesse, este seria nulo, pois há a imposição do regime 
quando um ou ambos os cônjuges tiverem mais de 60, se houver necessidade de 
autorização judicial para o casamento ou se estiverem presentes as causas suspensivas 
(art. 1641) 
 
13
 Mesmo que não façam a partilha imediata, com a permanência dos bens em condomínio. 
 OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
professorcristianosobral@gmail.com 
 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosariava.com.br | 30350105 13 
 
Não havendo a imposição do regime da separação obrigatória, a liberdade dos 
cônjuges no exercício da escolha é total, mas a lei impõe a necessidade da convenção - 
pacto antenupcial - sempre que a opção exercida difere do padrão ofertado pela lei. 
Importante ressaltar que o regime de bens começa a vigorar desde a data do casamento, 
diz o §1º do art. 1.639 do Código Civil. Todavia, esse regime é passível de modificação 
(art. 1.639, §2º), mediante a ocorrência de três requisitos cumulativos: autorização 
judicial; o pedido motivado de ambos os cônjuges; a ressalva dos direitos de terceiros. 
O pedido de alteração é dirigido ao juiz competente, em ação própria, que só o 
deferirá quando convicto da motivação relevante e do não prejuízo dos interesses de 
terceiros. O pedido motivado de ambos os cônjuges cerca o pedido de maior garantia; a 
falta de anuência de um não só compromete o deferimento, como também não poderá 
ser suprida pelo juiz. 
 
5.1 \u2013 Pacto antenupcial 
O pacto antenupcial é um negócio jurídico pessoal, solene, sendo indispensável a 
escritura pública (art. 1.653), nominado, isto é, previsto em lei e legítimo (típico), pois 
os nubentes têm a sua autonomia limitada pela lei e não podem, conseqüentemente, 
estipular que o pacto produzirá efeitos diversos daqueles previstos pela norma jurídica. 
Acrescenta o art. 1.653 que o pacto é nulo se não lhe seguir o casamento. Ou 
seja, o casamento é condição necessária para que o pacto produza os seus reais efeitos. 
Logo, não realizado o casamento, o pacto se torna ineficaz. 
O pacto antenupcial só terá efeito perante terceiros - art. 1.657 - depois de 
registrado. Assim como o casamento é objeto de registro público, a lei também exige o 
registro do pacto antenupcial no Registro de Imóveis, para que produza os efeitos 
perante terceiros. A eficácia, a que se refere o texto legal, diz respeito tão-somente aos 
bens imóveis. O registro imobiliário competente é o do domicílio dos cônjuges, 
devendo os cônjuges levar ao registro imobiliário a escritura pública do pacto 
antenupcial e a certidão do casamento. 
 
5. 2 - Regime da comunhão parcial de bens 
Introduzido no Brasil pela Lei do Divórcio (Lei n. 6.515/77), alterou o então 
vigente art. 258 do Código Civil de 1916, para determinar que, não havendo convenção, 
 OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
professorcristianosobral@gmail.com 
 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosariava.com.br | 30350105 14 
 
ou sendo nula, vigorará, quanto aos bens, o regime da comunhão parcial, que traz uma 
presunção: os bens adquiridos a título oneroso na constância do casamento serão 
partilhados. 
O regime de comunhão parcial limita o patrimônio comum aos bens adquiridos 
na constância do casamento a título oneroso (ou seja, a ocorrência da sociedade 
conjugal não anula a individualidade e autonomia dos cônjuges em matéria 
patrimonial). Desse modo, o regime da comunhão parcial faz surgir três massas distintas 
de bens, quais sejam: os bens particulares do marido; os bens particulares da mulher; e 
os bens comuns do casal. 
No art. 1.659 do Código Civil, estão arrolados os bens que não entram na 
comunhão: 
a) os bens que cada cônjuge possuir ao se casar e os que lhe sobrevierem, na constância 
do casamento, por doação ou sucessão e os sub-rogados em seu lugar; 
b) os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em 
sub-rogação dos bens particulares. O limite da sub-rogação é o valor do bem particular 
(adquirido antes do casamento, ou doado, ou herdado). Se o bem sub-rogado é mais 
valioso que o alienado, a