DIREITO DE FAMÍLIA

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diferença do valor, se não foi paga com recursos próprios e 
particulares do cônjuge, passa a ser comum a ambos os cônjuges; 
c) as obrigações anteriores ao casamento - obrigações negociais; 
d) as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal; 
e) os bens de uso pessoal, os livros e os instrumentos de profissão; 
f) os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge; 
g) as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes. 
Os bens que participam da comunhão são aqueles descritos no art. 1.660 do 
Código Civil. 
 
5.4 - Regime de comunhão universal de bens 
Segundo o art. 1.667 do Código Civil, o regime da comunhão universal importa 
na comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas. Todos 
os bens, diz a lei, logo, móveis e imóveis, direitos e ações, passam a constituir uma só 
massa, que permanece indivisível até a dissolução da sociedade conjugal. 
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Cada um dos cônjuges tem direito à metade ideal desta massa, por isso, se diz 
que o cônjuge é \u201cmeeiro\u201d. Com a exclusão das exceções previstas no art. 1.668 e 
arroladas no art. 1.669, os patrimônios dos cônjuges se fundem em um só, passando 
marido e mulher a figurar como condôminos de um condomínio peculiar, pois que 
insuscetível de divisão antes da dissolução da sociedade conjugal. 
 
5.4 Regime da participação final nos aquestos 
Na participação final nos aquestos, há formação de massas de bens particulares 
incomunicáveis durante o casamento, mas que se tornam comuns no momento da sua 
dissolução. 
Durante o casamento, como ocorre na separação de bens, cada um dos cônjuges 
goza de liberdade total na administração e na disposição dos seus bens, mas, ao mesmo 
tempo, associa cada cônjuge aos ganhos do outro, valor este a ser levantado na 
dissolução da sociedade conjugal, quando ressurge a idéia da comunhão. 
O art. 1.673 delimita o que é patrimônio comum, dispondo, no seu parágrafo 
único, que a administração dos bens é exclusiva de cada cônjuge, que os poderá 
livremente alienar, se forem móveis. Vale ressaltar que, embora o parágrafo único do 
art. 1.673 só admita a alienação dos bens móveis, a possibilidade se estende, igual-
mente, aos bens imóveis, desde que a hipótese tenha sido objeto de cláusula no parto 
antenupcial (art. 1.656). 
 
5.5 Regime da separação de bens 
O regime de separação de bens é aquele em que cada cônjuge conserva o 
domínio e a administração de seus bens presentes e futuros, se responsabilizando 
individualmente pelas dívidas interiores e posteriores ao casamento. 
O regime de separação é legal (quando decorre da lei) ou convencional 
(decorrente de convenção estabelecida em pacto antenupcial). 
 
5.6 \u2013 Outorga conjugal- Artigos 1647 a 1649. 
Exige-se a outorga conjugal como forma de preservar o patrimônio da entidade 
familiar. É uma espécie de legitimação necessária para a prática de atos negociais pela 
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pessoa casada e só se excetua no regime da separação absoluta de bens (art. 1647, 
caput) e no artigo 1.656, se os cônjuges convencionarem a livre disposição dos bens 
particulares. 
 Se o cônjuge que deveria assistir o ato recusar a autorização, há possibilidade de 
suprimento judicial. Caso o ato seja praticado sem outorga conjugal, será passível de 
anulação, no prazo decadencial de 2 anos a contar da dissolução do vínculo conjugal. 
 
5.7 - Cessação dos efeitos: 
O regime de bens se extingue com a dissolução do casamento, mas nossa 
jurisprudência consolidou o entendimento de que não são partilháveis os bens 
adquiridos pela pessoa casada após a separação de fato, em face da vedação ao 
enriquecimento sem causa (Vide art. 884 do Código Civil) 
 
5.8 - BEM DE FAMÍLIA 
5.8.1 Bem de família voluntário 
O bem de família se constitui em orno porção de bens que a lei resguarda com as 
características de inalienabilidade e impenhorabilidade, em benefício da constituição e 
permanência de uma moradia para o corpo familiar. Para instituir esta modalidade de 
bem de família, o valor não poderá ultrapassar um terço do patrimônio líquido da 
família ao tempo da instituição (art. 1.711 do CC). 
Os elementos que se destacam da noção legal do instituto são: os cônjuges ou os 
conviventes, por si ou individualmente, que o constituem; o prédio de propriedade do 
instituidor, e sua destinação ao domicílio familial, ficando isento de execução por 
dívidas posteriores à constituição; a solvência do instituidor, por ocasião da 
constituição; a imutabilidade da destinação acima dita e a inalienabilidade do referido 
prédio, sem o consentimento dos interessados, e a publicidade para sua constituição. 
Muito embora não seja usual, um terceiro também poderá instituir bem de 
família voluntário por testamento ou doação (parágrafo único do art. 1.711 do CC). 
 
5.8.2 Bem de família legal 
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O bem de família é o imóvel residencial, urbano ou rural, próprio do casal ou da 
entidade familiar, e/ou móveis da residência, impenhoráveis por determinação legal (Lei 
n. 8.009/90). 
Como resta evidente, nesse conceito, o instituidor é o próprio Estado, que impõe 
o bem de família, por norma de ordem pública, em defesa da célula familial. Nessa lei 
emergencial, não fica a família à mercê de proteção, por seus integrantes, mas é 
defendida pelo próprio Estado, de que é fundamento. 
 
5.8.3 Exceções à impenhorabilidade do bem de família 
Quadro comparativo entre as hipóteses do Código Civil e a Lei n. 8.009/90 
LEI N. 8.009/90 \u2013 BEM DE FAMÍLIA 
LEGAL (ART. 30) 
CÓDIGO CIVIL \u2013 BEM DE 
FAMÍLIA VOLUNTÁRIO* 
1. Créditos dos trabalhadores da própria 
residência e das respectivas contribuições 
previdenciárias. 
Não consta. 
2. Créditos decorrentes do financiamento à 
construção ou à aquisição do imóvel. 
Não consta. 
3. Créditos decorrentes de obrigação alimentar. Não consta. 
4. Créditos tributários devidos em função do 
imóvel. 
Créditos tributários devidos em função 
do imóvel (art. 1.725 do CC). 
5. Crédito hipotecário. Não consta. 
6. Aquisição criminosa do bem de família. Não consta. 
7. Obrigação decorrente de fiança concedida 
em contrato de locação.** 
Não consta. 
 Despesas de condomínio. 
*As dívidas anteriores à constituição do bem voluntário não possuem proteção jurídica: art. 17.15 do 
Código Civil \u2013 \u201cO bem de família é isento de execução por dívidas posteriores à sua instituição (...)\u201d. 
**Penhorabilidade de Bem de famílias (Transcrições), RE 407688/SP (v. Informativo 415 do STF), 
Relator: Ministro Cezar Peluso. 
 
5.8.4 Bem de família voluntário: valores mobiliários 
A proteção de valores mobiliários no bem de família voluntário não poderá 
exceder o valor do prédio instituído em bem de família. 
A renda dos valores mobiliárias instituídos no bem de família voluntário deve 
ser aplicada, obrigatoriamente, na conservação do imóvel e no sustento da família. Para 
melhor aplicação da renda, o instituidor poderá determinar que a administração dos 
valores mobiliários seja confiada a instituição financeira. 
 
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