Parte Geral
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Direito Civil 
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PARTE GERAL- MATERIAL DE APOIO. MPU. 
TEXTOS RETIRADOS DO LIVRO DIREITO CIVIL SISTEMATIZADO. ED. GEN/FORENSE 
AUTOR: CRISTIANO VIEIRA SOBRAL PINTO 
WWW.PROFESSORCRISTIANOSOBRAL.COM.BR 
 
 
\uf0b7 Personalidade 
Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil. A pessoa natural ou física é o ser humano, 
sem ser exigida qualquer qualidade, assim, é certo afirmar que os animais irracionais não são sujeitos de 
direitos. 
A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a 
concepção, os direitos do nascituro. Personalidade Jurídica é a aptidão genérica para se titularizar direitos 
e contrair obrigações na ordem jurídica.1 
\uf0b7 Momento de aquisição da personalidade jurídica 
a) Teoria Natalista 
Para essa teoria, a personalidade do ser humano se inicia com o nascimento com vida, devendo o 
subsequente ser registrado no Cartório de Registro das Pessoas Naturais.2 
b) Teoria concepcionista 
 Para essa teoria se adquire a personalidade desde a concepção, e o nascituro já possui personalidade 
jurídica (teoria que encontra mais adpetos na doutrina). 
\uf0b7 Registro civil das pessoas naturais 
Os atos da vida civil que dizem respeito ao estado ou capacidade das pessoas naturais devem ser 
inscritos no registro público competente (Registro Civil das Pessoas Naturais). 
O registro civil tem dupla finalidade: documentar e dar publicidade ao estado das pessoas e à 
situação dos bens. 
Serão inscritos em Registro Público os nascimentos, os casamentos, as separações judiciais e os 
divórcios, os óbitos, a emancipação por outorga dos pais ou a judicial, a interdição dos loucos, surdos-
mudos e dos pródigos, a sentença declaratória da ausência e as opções de nacionalidade. 
O registro, contendo as inscrições dos momentos capitais da vida do indivíduo, atesta o seu estado, 
que dele se infere enquanto subsistir. Entretanto, não faz prova absoluta do que patenteia, eis que passível 
de anulação por erro ou falsidades. 
\uf0b7 Capacidade 
É a medida da personalidade. Pode ser de direito ou de fato. Vejamos: 
2.1.2.1. Capacidade de direito, de gozo ou jurídica 
 
1 Art. 2º do Código Civil de 2002. 
 
2 Natureza declaratória, posição de Silvio Rodrigues. 
 
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É própria de todo ser humano, que a adquire assim que nasce (começa a respirar) e só a perde quando 
morre. Em face do ordenamento jurídico brasileiro, a personalidade se adquire com o nascimento com vida, 
ressalvados os direitos do nascituro desde a concepção. 
2.1.2.2. Capacidade de fato, de exercício ou de ação 
Nem todos a possuem; é a aptidão para exercer, pessoalmente, os atos da vida civil. Só se adquire a 
capacidade de fato com a plenitude da consciência e da vontade. Lembre-se de que é possível que uma 
pessoa tenha alcançado maioridade, mas não possa exercer os atos da vida civil pessoalmente. 
Nota! 
Diferença entre Capacidade e Legitimação. A capacidade é a medida da personalidade, já a legitimação é 
uma condição especial, uma capacidade específica para um determinado ato. 
Capacidade plena 
Ocorre capacidade plena quando a pessoa é dotada das duas espécies de capacidade, a capacidade de 
direito e a capacidade de fato. 
\uf0b7 Da incapacidade 
Trata-se de pessoa incapaz aquela legalmente restrita para a prática, por si só, de atos na vida civil. O 
instituto da incapacidade existe para proteger tais pessoas. Veja-se o que menciona o Código Civil sobre os 
graus de incapacidade: 
Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: 
I \u2013 os menores de dezesseis anos; 
II \u2013 os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento 
para a prática desses atos; 
III \u2013 os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. 
Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer: 
I \u2013 os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
II \u2013 os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o 
discernimento reduzido; 
III \u2013 os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; 
IV \u2013 os pródigos. 
Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial. 
Nota! 
Todos têm capacidade de direito, mas 
nem todos têm a capacidade de fato. 
 
\uf0b7 Emancipação 
Emancipação é o instituto por meio do qual se antecipa a capacidade de exercício de direitos do 
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menor, traduz a emancipação da capacidade plena, podendo ser de três espécies: 
a) voluntária;3 
b) judicial4 ou 
c) legal.5 
Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à 
prática de todos os atos da vida civil. 
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: 
I \u2013 pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, 
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o 
menor tiver dezesseis anos completos; 
II \u2013 pelo casamento (ver arts. 1.517 e 1.520 do Código Civil) 
III \u2013 pelo exercício de emprego público efetivo; 
IV \u2013 pela colação de grau em curso de ensino superior; 
V \u2013 pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde 
que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. 
A emancipação voluntária é aquela concedida por ato dos pais ou de um deles na falta do outro, por 
instrumento público, independentemente de homologação judicial, desde que o menor tenha 16 anos 
completos. 
O pai que detém a guarda não pode, sozinho, emancipar o filho. É ato conjunto, só podendo fazer 
sozinho se o outro estiver morto ou destituído do poder familiar. 
Constitui ato irretratável e irrevogável, salvo existência de fraude, a qual possibilita a revogação. 
A emancipação judicial é aquela concedida pelo juiz em face do menor tutelado, ouvido o tutor, desde 
que este menor tenha 16 anos completos. 
A emancipação legal, prevista nos incs. II a V, decorre diretamente da lei. 
II \u2013 casamento \u2013 idade mínima de 16 anos, entre 16 e 18 precisa de autorização. Tal regra não 
se estende aos casos de união estável. No direito brasileiro, admite-se exceção: art. 1.520 do 
Código Civil: a gravidez antes dos 16 anos .6 
\uf0b7 Extinção da pessoa física 
A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos 
em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. O que marca o fim da pessoa natural é a morte. O 
que prevalece é a morte encefálica. Vejamos: 
Art. 3º da Lei n. 9.434. A retirada post mortem de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano 
destinados a transplante ou tratamento deverá ser precedida de diagnóstico de morte 
 
3 Art. 5º, parágrafo único, I, primeira parte, Código Civil. 
 
4 Art. 5º, parágrafo único, I, parte final Código Civil. 
 
5 Art. 5º, II, III, IV, V, Código Civil. 
 
6 \u201cArt. 1.520. Excepcionalmente, será permitido o casamento de quem ainda não alcançou a idade núbil (art. 1.517), para evitar 
imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez.\u201d 
 
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encefálica, constatada e registrada por dois médicos não participantes das equipes de remoção 
e transplante, mediante a utilização