Parte Geral
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a trinta vezes o 
maior salário mínimo vigente no País. 
Nesses casos quando for exigido que o negócio seja praticado por escritura pública, a procuração também deve 
ser dada por escritura pública. 
No Negócio Jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, esse é da substância do 
ato. 
A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que 
manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento. Conceituando a reserva mental pode-se afirmar que é 
a emissão de uma intencional declaração não querida em seu conteúdo nem tampouco em seu resultado, pois o 
declarante tem por único objetivo enganar o recipiente. Se, além de enganar, houver intenção de prejudicar, ter-
se-á vício social similar à simulação, ensejando nulidade do ato negocial. É uma declaração sem a vontade 
correspondente. São seus elementos: 
a) uma declaração não querida em seu conteúdo; 
b) propósito de enganar o declaratório. 
 
Sua natureza jurídica é de Negócio Jurídico inexistente. 
O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a 
declaração de vontade expressa. O ditado \u201cquem cala consente\u201d não possui juridicidade, ou seja, o 
silêncio apenas terá valor jurídico se a lei o determinar, bem como, se acompanhado de certas 
circunstâncias, usos e costumes. Destaca-se, de que quando o silencio for intencionalmente empregado, 
visando a prejudicialidade da outra parte e esta se soubesse da real intenção, haverá anulabilidade 
Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da 
linguagem. A interpretação do Negócio Jurídico deve se ater à vontade das partes, procurando suas consequências 
jurídicas sem se vincular estritamente, ao teor linguístico do ato negocial (percebe-se a mitigação da pacta sunt 
servanda). Diante da Teoria subjetiva da interpretação dos negócios jurídicos o que importa é a vontade real e não 
a declarada. 
 
Elementos acidentais: condição, termo e encargo 
6.3.1. Condição 
Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o 
efeito do Negócio Jurídico a evento futuro e incerto.
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Pode a condição ser suspensiva
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 ou resolutiva.
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 A primeira é aquela que, enquanto não se verificar, o 
Negócio Jurídico não gera efeitos (Venda a contento). Se alguém dispuser de uma coisa sob condição 
suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquelas novas disposições, essas não terão valor, realizada a 
condição, se com ela forem incompatíveis. A segunda é aquela que, enquanto não se verificar, não vai haver 
qualquer consequência para o negócio jurídico (Venda com reserva de domínio). Se for resolutiva a 
condição, enquanto ela se não realizar, vigorará o Negócio Jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão 
 
65 Art. 121 do Código Civil. 
 
66 \u201cArt. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o 
direito, a que ele visa.\u201d 
 
67 \u201cArt. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão 
deste o direito por ele estabelecido.\u201d 
 
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desse o direito por ele estabelecido. Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o 
direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua 
realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que 
compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé.
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Termo 
 
Termo é a cláusula que subordina os efeitos do ato negocial a um acontecimento futuro e certo. 
Decorre de acordo das partes ou da lei. 
Encargo ou modo 
 
O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto 
no Negócio Jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva.
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 Trata-se de cláusula acessória aderente 
a atos de liberalidade inter vivos (doação) ou causa mortis (testamento ou legado). 
Dos vícios de consentimento 
Erro 
 
Quando o agente, por desconhecimento ou falso conhecimento das circunstâncias, age de modo que não 
seria sua vontade, se conhecesse a verdadeira situação, diz-se que se procede em erro.
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Para viciar a vontade e anular o ato negocial, esse deverá ser substancial, escusável e real.71 
 
O erro substancial é erro de fato por recair sobre as qualidades essenciais da pessoa ou da coisa. Poderá 
abranger o erro de direito (art. 139, III, do Código Civil), relativo à existência de uma norma jurídica dispositiva, 
desde que afete a manifestação da vontade, caso em que viciará o consentimento. Será escusável, no sentido de 
que há de ter por fundamento uma razão plausível ou ser de tal monta que qualquer pessoa de atenção ordinária 
seja capaz de cometê-lo em face da circunstância do negócio. Real, por importar efetivo dano para o interessado. 
 
Dolo 
 
É o artifício empregado pelo agente para enganar outra pessoa. O agente emprega artifício para levar 
alguém a prática de um ato que o prejudica, sendo por ele beneficiado ou mesmo beneficiando um terceiro 
(dolo principal ou dolus causam dans 
Perceba-se que existe um ato de indução, ou seja, uma provocação intencional; por essa razão pode-se afirmar 
que o dolo difere do erro, em razão da espontaneidade deste. De forma contrária Carvalho dos Santos entende que 
 
68 Art. 128 do Código Civil. 
 
69 Art. 136 do Código Civil. 
 
70 \u201cArt. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser 
percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.\u201d 
 
71 Art. 139 do Código Civil. 
 
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prejuízo não é elemento conceitual do dolo, sendo suficiente que o artifício seja utilizado de má-fé por outrem que 
seja capaz de sugerir a prática de um ato que sem esse expediente, não se realizaria da forma como o foi.72 
Trata-se de vício anulável em quatro anos decadenciais segundo o art. 171, II e art. 178 do Código Civil. 
Todo dolo conduz à anulabilidade? Não! O dolo acidental (dolo incidens) só obriga a satisfação de perdas e 
danos, sendo acidental quando a seu despeito; o negócio seria realizado, embora por outro modo. Nessa 
modalidade observa-se um elemento desimportante, secundário e, por isso, não seria anulável. Modalidades de 
dolo: 
\u2022 Dolo Bom (dolo inocente ou dolus bonus) \u2013 empregado para beneficiar o autor do ato, são exageros aceitos 
não sendo este anulável, chamamos tal fato de Puffing (exagero publicitário).73 Destaca-se que o Puffing, a princípio 
não vincula o fornecedor a cumprir com a oferta, pois no mesmo falta precisão, porém quando relacionado o preço, 
em regra, ocorre vinculação. Exemplo: O melhor preço da região. 
\u2022 Dolo Mau (dolus malus) \u2013 que prejudica o autor do ato,é passível de anulação. O dolo mau ou dolo grave 
pressupõe: prejuízo para o autor do ato; benefício para o autor do dolo ou terceiro. Pode ser praticado pelo silêncio, 
ou quando agente altera a aparência externa da coisa. 
\u2022 Dolo Essencial \u2013 aquele que incide sobre elementos decisivos à celebração do contrato. Então, como o dolo 
nesse caso incide sobre elementos decisivos, sobre elementos determinantes, sem dúvida o dolo essencial vai gerar 
vício de consentimento. 
\u2022 Dolo por